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| Uma publicação da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé * Filiado à International Federation of Foot and Ankle Societies (IFFAS) | ||||||||||||||||||||||
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MEMÓRIA |
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TRINTA ANOS DA SOCIEDADE DO PÉ NO BRASIL |
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Em dezembro de 1973 aconteceu, na cidade de Buenos Aires, o X Congresso Internacional do
College International de Medecine et Chirurgie du Pied (CIP). Era a primeira vez que na
América Latina se realizava esse congresso, oficial do CIP, entidade européia que
congregava médicos especialistas no assunto e que objetivava se expandir pelo mundo, como
realmente acabou fazendo. A França é a terra de origem do CIP. Ele foi fundado em 1958 por Jean Leli'ere em conjunto com Antonio Viladot, Jean Montagne, Bernard Regnauld e outros nomes europeus ligados 'a cirurgia do pé. A única vez que o CIP havia atravessado o Atlântico fora em Montreal, no Canadá, região de forte influencia francesa. Um grupo de brasileiros partiu para Buenos Aires determinado a encontrar-se com Antonio Viladot, então presidente do CIP, com o intuito de achar o caminho para a formação, no Brasil, de uma sociedade de especialistas em medicina e cirurgia do pe que fosse ligada ou filiada ao CIP Eram, salvo algum esquecimento, Manlio Napoli, Marino Lazzareschi, Luiz Tito de Castro Leão, Hiroshi Kitadai, Osny Salomão, Oswaldo Santos Pires (que já havia estagiado em Barcelona, em 1970, com Viladot), Dirceu de Andrade, Farid Jorge, Roberto Atílio de Lima Santin e eu, Sergio Bruschini. Um dos elos de ligação seria o ortopedista argentino Alfredo Kohn Tebner, presidente. do comitê organizador do congresso e parente do nosso companheiro Abrahão Altman, da cidade de Santos, que também integrava a comitiva. |
Napoli, Osny e Dirceu faziam pé na Universidade de S. Paulo (USP). Leão, no Rio
de Janeiro. Marino, Oswaldo Pires e eu, na Escola Paulista de Medicina (EPM). Santini, na
Santa Casa. farid, em São José dos Campos, e Kitadai, em Santo Amaro. Eu tinha 33 anos, oito de formado, quatro de término de minha residência, e lembro-me de ter ficado embevecido com a aula magistral dada por Viladot nesse congresso. principalmente quando ele terminou dizendo: "Os pés colocam o homem em posição bípede, facilitando o dialogo cérebro/mão, permitindo a realização de obras de arte desde a pintura ate a literatura e a musica, simbolizando desta forma e com esta postura seu caráter de rei da criação. O demônio, a besta imunda, o ser mais reles da criação e simbolizado pela serpente, animal sem patas e sem pés, que se arrasta sobre seu peito pelo solo imundo, comendo pó toda sua vida; e essa serpente, quando ataca o homem, o faz morden-do-o em sua parte mais humana: o calcanhar." De lá voltamos com a idéia pronta e as diretrizes para a criação de nossa sociedade, que culminou com a assembléia inaugural realizada na Associação Paulista de Medicina em 1975, assembléia presidida pelo Napoli e que eu tive a honra de secretariar. Em fevereiro de 1976, fui ao México para um curso de ortopedia pediátrica no Institute Mexicano. de Assistencia a Ninez (IMAN). Lá assisti a uma aula fantástica sobre pe torto congênito ministrada pelo então desconhecido entre nos Vincent Joseph Turco. |
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| 2 - Boletim da SBMCP- Ano 9 - n0 36 | ||
| MEMÓRIA | |||
| Como ele era fluente na língua italiana, estabelecemos fácil contato e, voltando ao Brasil, acenei ao Prof. Napoli com a possibilidade de convidá-lo a vir ate aqui Todos aqui conhecem a estreita amizade que nasceu entre Turco e o Brasil. Quantos de nos não fomos recebidos como hospedes de honra em sua casa nos arredores de Hartford, Connecticut, EUA? Napoli, Osny, Dirceu, Egydio, Abrahao Altman, eu e muitos, muitos outros. A estreita afinidade entre Napoli e Turco, seja pelo pe torto congênito, seja pela língua italiana, teve um sabor especial e provocou forte influencia na cirurgia do pe do Brasil. Pica aqui meu emocionado tribute a esse grande e inesquecível homem. Aí se iniciaram os primeiros passos para juntar o CIP aos americanos, que nem sabiam da existência dessa entidade. Napoli aceitou a presidência do XIV Congresso Internacional do College International de Medecine et Chirurgie du Pied, a ser realizado em São Paulo em 1981. Osny e eu partimos para os Estados Unidos em 1980, e em Atlanta, por ocasião do 47th Annual Meeting of the American Academy of Orthopedic Surgeons, estabelecemos contato com dois pilares da cirurgia do pé nos EUA - Roger Mann e Andrea Cracchiollo III -, que se dispuseram a vir ao nosso congresso. Vieram e trouxeram consigo outros nomes importantes na época. Caroll Silver e Nathaniel Gould |
(pai do John Gould, que aqui esteve ha pouco) são dois exemplos. A semente trazida em 1974, plantada em 1975, regada e adubada de 1975 a 1980 transformou-se na robusta árvore de 30 anos que presenciamos agora em 2005. O Congresso Mundial do CIP, realizado em São Paulo sob a presidência do Napoli, foi um sucesso, com forte presença internacional, inclusive americana, o que foi uma novidade. Nos seguintes congressos do CIP, em Lausanne, Suiga, em 1984, em Viena, Áustria, em 1987, em Bolonha, Itália, em 1990, em Palma de Mallorca, Espanha, em 1993, e na Argentina em 1996, a presença brasileira foi sempre marcante. Com a criação da Federação Internacional das Sociedades de Tornozelo e Pé (IFFAS), em 1999, em Kyoto, Japão, temos o compromisso de nos mantermos fortes como desde quando entramos no CIP E já começamos bem, com forte presença lá, em Kyoto, e em São Francisco, nos EUA, em 2002. Neste ano de 2005 teremos Nápoles, na Itália, e se tudo correr bem, em 2008, Brasil. Mas este é um desafio para as gerações que nos sucederão. SERGIO
BRUSCHINI |
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Boletim da SBMCP- Ano 9 - n0 36 - 3 |
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| REGISTRO | |||
ABERTURA DO I ENCONTRO LUSO-BRASILEIRO |
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Prezados irmãos Portugueses, senhoras, caríssimos amigos: Hste momento se reveste de um significado muito especial, fadado a constii uir-se em marco na historia da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pe, urna vez que, justamente neste momento, damos inicio as comemorações do seu 30° aniversario. Enriquecendo o nosso encontro, a participação de colegas de Portugal e do sul mineiro. E, valendo-me de parte do tempo que me foi reservado, gostaria de tecer algumas considerações sobre o pe, enquanto magnífico instrumento de liberdade, a conduzir o homem pelas surpreendentes estradas da vida. |
Luta na qual os pés, com sua complexa estrutura e biomecânica, suplantam as suas próprias marcas.
E atingem performances inacreditáveis.
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| Numa sequência de movimentos calculados, que mais parecem um bale da criação, os pés vão se libertando. Com três semanas, apenas um aumento de volume mínimo. Transcorridas cinco semanas, o embrião já tem esboçados os primórdios do que será o esqueleto. Os pés, como uma placa, prosseguem no rumo da liberdade, e os dedos, já ao final da oitava semana, estão liberados. | |||
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4 - Boletim da SBMCP- Ano 9 - n0 36 |
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Sejam bem-vindos. Sem
dúvida teremos algo a ensinar e muito a aprender. Haverá o tempo para o lazer e para
jogar conversa fora. Mas, sobretudo, teremos a oportunidade de uma convivência fraterna,
num espírito de coesão aprofundado nestes 30 anos.
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Texto
lido pelo presidente da SBMCP, SERGIO VIANNA, na abertura do I Encontro Luso-Brasileiro de
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Boletim da SBMCP- Ano 9 - n0 36 - 5 |
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| MEMÓRIA | |||
O ANIVERSÁRIO DA SOCIEDADE
E |
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| Foi no Congresso de
Curitiba, em 1992, que eu me filiei a Sociedade do Pé - como sempre foi chamada -
indicado pelo Prof. Egon e pelo querido amigo, colega e conterrâneo Gaston Endres. O
presidente era o Dr. Márcio Benevento, que me encarou com aqueles seus olhos azuis e
disse sorrindo: "... com essa indicação aqui você pode se considerar aceito na
Sociedade...", apontando para o nome do meu professor. Eu continuo sócio, continuo
cada vez mais aluno do Prof. Egon, e começou ali a minha amizade com o Dr. Márcio, que
hoje já perdeu a senhoria. Ele virou Márcio e eu virei o Flores. Lá começou
também a minha amizade com o Mauro. Está no diploma, na parede do meu consultório: abril de 1993, a assinatura do Márcio e do Sérgio Tírico, que eu fui conhecendo nas rodinhas de bate-papo ao redor do Prof. Osny, nos fins de tarde dos nossos congressos e jornadas, e cujo abraço eu não dispenso cada vez que a gente se encontra. Nessa diretoria estava entrando o Túlio, ainda no Conselho Fiscal. Mas eu ainda não o conhecia. Em setembro de 1993, o Dr. Egydio veio a Porto Alegre, convidado pelo Carlos Schwartsmann (então presidente da Sociedade de Ortopedia e Traumatologia do Rio Grande do Sul [SOT/RS] e ex-colega de residência dele). Falei para ele que estava me preparando para visita o serviço do Dr. Viladot, e ele me retrucou dizendo que antes eu deveria ir para São Paulo. Perguntei: como? Ele explicou. Inscrevi-me para o estágio no hospital das clínicas. La fiquei de fevereiro a abril de 1994 e aí começou, de fato, tudo. Estreitou-se o contato com o pessoal do pé, a começar pelos da casa, o Prof. Osny, o próprio Egydio e o Túlio. Com eles, por eles, fui criando mais e mais amigos dentro da sociedade e ao redor dela, aqueles que eu chamo de orbitantes, e sinceramente não dá para citar nomes porque pode faltar um e vai pegar mal. No final daquele ano comemoramos os 20 anos da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé (SBMCP) no Buffet La Residence, sem fotografias, porque,o Egydio esqueceu de contratar fotógrafo. Acho que era muito caro... Salvador da Bahia, 1995, Myerson pela primeira vez. Mais aproximação com o Abrão. |
Veio o Latino-Americano no
Renaissance, mais amizade com o Augustão, o Osvaldinho, o Idyllio. Veio Uberaba e mais
Idyllio - o Idyllio não terminava nunca, ele era muito grande (e ainda não terminou...
ainda esta nas nossas histórias). Os 25 anos da sociedade foram comemorados em São Paulo, aí já com fotos, no congresso do Augustão. Lembro-me de que naquele jantar eu.ri muito. Apareceu um mágico que deixou todo mundo de boca aberta fazendo surgir uma rosa vermelha no ar. Cantamos tanto o Parabéns que até hoje a Vivian, esposa do Márcio, me olha e canta comigo de novo o Parabéns. É muito bom ter ficado amigo das famílias todas, também. Walter Harris, sir WH. Ano 2000. Entrei para a diretoria do Maurão. Conselho Fiscal. E o caminho. Virei amigo do Guedes. Grande Guedes. Veio o Rio das Pedras. Sergio Vianna. Muita ciência! Muita festa!!! A gestão do Caio me manteve na diretoria, mais amigo do Caio, do Alfonso, do Rui, do Wilson Rossi. Não era para citar tanta gente assim per causa do risco de falha de memória, mas... as lembranças vão chegando, chegando... Vitória 2003, Espírito Santo. Desculpem-me, mas de Vitória o que mais me lembro e da vitória de Gramado para 2005. E estamos chegando lá. Todos juntos. Todos mesmo. Este grandioso grupo de pessoas que passam seus dias em torno dos pés dos outros. Eu me considero um privilegiado com isso, pois desde o dia em que me aproximei desta sociedade que faz 30 anos, só aumentei o número de amigos, aprendi e aprendo com todos eles, tanto medicina do pé como medicina da alma. Obrigado, Prof. Egon. Obrigado, Egydio. Vocês me abriram as portas. Obrigado a todos os outros, por tudo. Acima de tudo ao senhor, Prof. Napoli. Parabéns a nossa nova associação, por ser ela a congregadora de pessoas como as que todos vocês são. ANTONIO CARLOS FLORES DOS SANTOS |
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6 - Boletim da SBMCP- Ano 9 - n0 36 |
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| EVENTOS | |||
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OS 30 ANOS DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA E CIRURGIA DO PÉ E O XII CONGRESSO EM GRAMADO |
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| Para todos nós que temos feito parte da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé (SBMCP) desde o seu nascimento, em 1975, existe um vínculo de carinho e amor por essa outrora criança que, atualmente, está transformada numa bela e sedutora balzaquiana. Para todos aqueles que a conheceram, namoraram e se encantaram com ela, depois de crescida, existe a atração pelos seus encantos e o prazer de reencontrá-la a cada novo evento. Ela está sempre presente no dia-a-dia de médicos-cirurgiões de tornozelo e pé através dos ensinamentos que proporciona, das discussões esclarecedoras que provoca, do ambiente que oferece para exibirmos nossas idéias e realizações na ciência e na arte de tratar os pés. Ela tem estado muito acessível, através de sua eficiente secretaria na própria sede e do seu site. Ambiciosa, exibe-se na maior e mais conceituada revista de atualidades do pé, a Foot and Ankle International. Ela quer ser atrativa e pede que a visitemos com freqüência e ajudemos a mante-la sempre solícita, eficiente e cada vez mais produtiva. | For isso, caprichemos com presença assídua, apresentações, trabalhos e
publicações. EGON E. HENNING |
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Boletim da SBMCP- Ano 9 - n0 36 - 7 |
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| ESPECIAL | ||
| Curitiba, 16 de dezembro de 2004.SBMCP:30anos 30 anos... parece muito... Teria muito que escrever... Formamos uma sociedade... Não medimos esforços... |
O exemplo recente... foi o primeiro Encontro Luso-Brasileiro, em Poços de Caldas... socialmente, divino... cientificamente, brilhante... comandado pelos cirurgiões do pé, jovens... Corsato, Masagao, Felipe, Verônica, Marcelo, Sanhudo, Wagner e rnuitos outros... com aulas do maior nível cientifico... Uma sociedade
com pessoas tão brilhantes... Eu tive a felicidade e a honra de presidir... Hoje tenho certeza de que somos muito mais grandes... MAURO LUIZ
FUCHS |
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| AGENDA | ||
XII CONGRESSO BRASILEIRO DE MEDICINA E CIRURGIA DO PÉ Informações com a Secretaria
Executiva |
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| Nota Lapso Imperdoável No boletim número 35, na matéria Jubileu de Ouro, foi omitido o nome do autor, ANTÔNIO EGYDIO DE CARVALHO JÚNIOR, ex-presidente da SBMCP por dois mandatos. esperamos contar com a compreensão e a consideração do Egydio quanto ao ocorrido. |
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