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| Uma publicação da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé * Filiado à International Federation of Foot and Ankle Societies (IFFAS) | ||||||||||||||||||||||
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DICAS |
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| TÉCNICA CIRÚRGICA Como cirurgiões, sabemos que, muitas vezes, o que muda o resultado de uma cirurgia é um detalhe que não está exposto no livro-texto. Este espaço do nosso boletim será dedicado a descrição de dicas que tornam determinada técnica cirúrgica mais eficiente, fácil e/ou rápida. Técnica
do joystick para sesamoidectomia lateral |
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| Uma incisão com 1 a 1,5cm de extensão é realizada dorsalmente no primeiro espaço intermetatarsiano. Através de uma dissecção romba, a cápsula articular lateral é incisada e o sesamóide lateral, visualizado. Um fio de Kirschner de 3mm de espessura é introduzido através da incisão, transfixando o sesamóide lateral (Figura). A utilização de um afastador do tipo bone spreader facilita ainda mais a exposição. O fio de Kirschner funciona como um joystick e torna mais fácil o controle sobre o sesamóide lateral, o qual é tracionado lateralmente, e um fio de sutura é passado ao seu redor. Depois, ele é cuidadosamente removido e as extremidades do fio são amarradas, promovendo o fechamento do gap, do tecido celular subcutâneo e da pele. | ||
JOSE ANTONIO VEIGA SANHUDO |
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| NOTICIAS | ||
SUMMER MEETING De 29 a 31 de julho realizou-se, em Seattle (EUA), o 20th Annual Summer Meeting of the American Orthopaedic Foot and Ankle Society (AOFAS). O congresso reuniu representantes de diversas partes do mundo, tendo em pauta temas polêmicos da atualidade. Além dos tradicionais temas livres, houve espaço para discussão de casos e workshops. Foi um momento de reciclagem, com direito a períodos de lazer e convívio social. Uma chance para proveitosos contatos com grandes expressões da cirurgia do pé. |
Estavam presentes, entre outros, Osny Salomao, Caio Nery, Androsoni, Magalhaes, Sanhudo, Felipe Alloza, Veronica e Sergio Vianna, profissionais sempre preocupados com a aquisição de novos conhecimentos. Ainda em relação ao evento, cabe registrar um fato que orgulha a nossa Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé (SBMCP), mostra a dimensão do nosso país nessa área e serve como fator estimulante para que outros colegas estejam presentes nos próximos congressos. Trata-se do trabalho apresentado por Verônica Vianna: Subtalar Arthrodesis for Complications of Intraarticular Calcaneal Fractures: Long-Term Follow-up with Gait Analysis. |
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| 2 - Boletim da SBMCP- Ano 9 - n0 35 | ||
| EVENTO | ||||||||||
| JUBILEU DE OURO |
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| Blasfêmia (?) "Toda vez
que estiverdes reunidos em torno das afecções do pé, ele estará convosco..." |
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Boletim da SBMCP- Ano 9 - n0 35 - 3 |
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| SEÇÃO LIVRE | ||||
| SÍNDROME DO IMPACTO NO TENDÃO CALCÂNEO | ||||
Entre todos os guerreiros que a frota grega conduzia a Tróia o mais irresistível e também o mais bravo era Aquiles... Era invulnerável e impenetrável ao ferro por ter sido mergulhado, quando criança, nas águas do Estige. Uma parte, porém, não foi protegida, pois fora seguro pelo calcanhar, local da vulnerabilidade e onde foi atingido fatalmente em uma batalha. Esse forte nome do forte guerreiro foi conferido, na Antiguidade, ao mais forte e volumoso tendão do corpo humano, o tendão de Aquiles, que hoje é discriminado na Nomina Anatomica como tendão calcâneo, que também tem sua vulnerabilidade, apesar da robustez. O tendão calcâneo é formado pela confluência dos músculos gastrocnêmio e sóleo e tem aproximadamente 15cm de comprimento e 1cm de diâmetro. Estando inserido no calcâneo, participa ativamente, e com grande responsabilidade, da flexão plantar de tornozelo e pé, movimento essencial para caminhar e correr. Esse forte tendão é capaz de suportar cerca de quatro vezes a força máxima gerada pelo seu músculo correspondente. A força que atua no tendão calcâneo varia de acordo com a atividade realizada, sendo cerca de 2.000N na caminhada, 4.000N no trote e 7.000N na corrida. Assim, o estresse pode se aproximar do estresse de tensão, que resultaria em ruptura (± 8.000N). A participação mais intensa da população em atividades esportivas recreacionais e competitivas pode ocasionar maior sobrecarga e estresse das estruturas musculoesqueléticas e, consequentemente, maior número de casos de lesões tendíneas. As tendinopatias provem do somatório de diferentes fatores intrínsicos e |
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Figura 2 - Corte de ressonância
magnética que possibilita a análise concomitante do tendão e das bursas. Impacto sobre
o tendão
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Figura 1 - Radiografia em perfil do retropé |
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4 - Boletim da SBMCP- Ano 9 - n0 35 |
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| SEÇÃO LIVRE | |||||||||||||||||||||
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Boletim da SBMCP- Ano 9 - n0 35 - 5 |
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| COMO EU TRATO | |||
PREVENÇÃO, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DO PÉ DIABÉTICO |
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| O pé diabético, mais que uma
complicação do diabetes, deve ser considerado uma situação clínica bastante complexa,
podendo acometer pés e tornozelos de indivíduos portadores de diabetes mellitus.
Assim, pode reunir comemorativos clínicos característicos e em graus variados,
isoladamente ou em conjunto, como perda da sensibilidade protetora dos pés, presença de
úlceras em diferentes estágios evolutivos, deformidades, infecções, amputações e,
também, comprometimento vascular periférico. Estima-se que existam cerca de 16 milhões de pacientes portadores de diabetes mellitus nos Estados Unidos, onde aproximadamente 798 mil novos casos são diagnosticados anualmente. No Brasil, os dados ainda são incertos, mas a estimativa é de que já contamos com cerca de 10 milhões de diabéticos, e de que pelo menos 50% deles ainda desconhecem o diagnóstico. Complicações do diabetes constituem a mais comum indicação de hospitalização dos seus portadores. Cerca de 15% das internações hospitalares estão diretamente relacionadas com diabetes, sendo que 25% delas relacionam-se com o comprometimento dos pés. A Associação Americana de Diabetes (ADA) calcula que mais de 50 mil das amputaçães dos membros inferiores realizadas anualmente sejam decorrentes de complicações do diabetes. Aproximadamente dois terços dos portadores de diabetes de longa duração tem sido vistos com sinais clínicos e sintomas sugestivos de neuropatia diabética, o que pode afetar as esferas sensitiva, motora e autonômica. O envolvimento da inervação sensitiva cutânea e a perda da sensibilidade protetora dos pés são considerados os |
principais fatores de risco primário para o
desenvolvimento das úlceras plantares em portadores de diabetes, e tambem os precursores
de eventuais amputações, sejam parciais ou totais, do membro inferior. As úlceras nos pés, as infecções e as amputações são consideradas as principais preocupações entre os diabéticos. A educação e os cuidados preventivos são fatores primordiais para o entendimento e a execução de todos os programas referentes a abordagem do pé diabético. Dessa forma, vale a pena ressaltar alguns cuidados considerados simples, mas cruciais para uma adequada orientação: lavar os pés diariamente; secá-los muito bem, sobretudo entre os dedos; manter a pele limpa e hidratada por meio de loções lubrificantes apropriadas (não usá-las entre os dedos); checar os pés todos os dias. Pode-se utilizar um espelho ou solicitar a ajuda de algum familiar ou amigo de confiança; usar, freqiientemente, lixas de unha para os cuidados ungueais; trocar de meias diariamente, dando preferência as brancas; manter os pés aquecidos e protegidos por meio de calçados bem adaptados e confortáveis; nunca andar descalço; verificar o interior dos calçados todos os dias; manter a glicemia sob controle e disciplinar-se conforme as orientações médicas regulares de profissionais treinados e familiarizados integralmente com a abordagem interdisciplinar do pé diabético; não fumar. |
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6 - Boletim da SBMCP- Ano 9 - n0 35 |
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| COMO EU TRATO | |||
| Neuroartropatia de Charcot | |||
AA neuroartropatia de Charcot é uma situação clínica bastante grave e que compromete muito a qualidade de vida do indivíduo. Além disso, caso não seja abordada apropriadamente, ameaça a manutenção do membro. O típico paciente portador de artropatia de Charcot encontra-se entre a quinta e sétima decadas de vida, com pés insensíveis, acima do peso, apresentando diabetes de longa duração e tentativas hiperemicas de remodelação óssea, culminando, na grande maioria das vezes, em pés bastante deformados, com ou sem úlceras. O objetivo do tratamento da artropatia de Charcot nos pés é obter como produto final um pé plantígrado e estável, livre de úlceras e que possa ser acomodado em calçados apropriados. Nos estágios iniciais da doença (desenvolvimento e coalescência), um bom controle metabólico do diabetes e um adequado manuseio ortótico muitas vezes levam a resultados desejáveis e conduzem esses pés ao estágio de estruturação e resolução final em que se atinge o objetivo esperado. Caso se obtenha, no estágio de resolução, um pé que não seja plantigrado ou estável, ou que se apresente até desarticulado, contendo úlceras recorrentes, com ou sem infecção secundária, e que não possa ser sapatável, a opção cirúrgica deve ser considerada. Amputações Tive a oportunidade de morar nos Estados Unidos e me familiarizar integralmente com o tratamento do pé diabético, com a reabilitação do amputado e com o tratamento avançado de feridas. Considero essa área de atuação bastante carente de profissionais realmente envolvidos e familiarizados com a abordagem adequada do tema. Tive experiências fantásticas e aprendi a lidar muito bem com o mundo dos portadores de pé diabético e dos amputados. As amputações dos membros inferiores devem ser vistas não como procedimentos de salvamento ou de última escolha, indicadas somente após terem sido exauridas todas as possibilidades disponíveis para a manutenção da extremidade, e sim de uma forma bastante otimista e real, por serem o início de um |
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| processo de reabilitação e por
proporcionarem, muitas vezes, a reintegração social e afetiva dos pacientes. São
procedimentos técnicos altamente especializados, requerendo do ortopedista envolvido
familiaridade com as doenças que acometem pés e tornozelos de uma maneira geral. Além
disso, são fundamentais o conhecimento dos níveis de amputação possíveis e de todo o
processo de reabilitação, a habilidade técnica e o entendimento e acompanhamento
evolutivo das soluções protéticas disponíveis. Mensagem final É importante que todos se conscientizem de que o pé diabético pode assumir uma forma clínica bastante grave que, além de comprometer bastante a qualidade de vida dos portadores de diabetes e ameaçar não só a manutenção do membro mas também da vida, onera demais economicamente os pacientes, a sociedade e os sistemas de saúde públicos ou privados. Assim, a abordagem interdisciplinar do pé diabético, quando desempenhada por profissionais treinados e bem preparados em sua essência e totalidade, informando, educando e assistindo não só os pacientes, mas também a todos que se interessam pelo tema e por essa problemática, torna-se um dos pontos fundamentais no desfecho favorável desse cenário. |
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FÁBIO BATISTA |
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Boletim da SBMCP- Ano 9 - n0 35 - 7 |
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NOTÍCIAS |
MEMÓRIA | ||||||||||||||||||||||||
EDITAL DE CONVOCAÇÃO PARA ASSEMBLÉIA ORDINÁRIA Dando cumprimento ao estipulado no Capítulo III, artigo 10, do Estatuto da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé, convocamos todos os membros para a assembléia ordinária que se realizará no dia 31 de outubro, por ocasião do 36o Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia. O encontro será 'as 13h00, na sala 3 - prof. Achilles de Araújo - do Riocentro. O endereço é Av. Salvador Allende 6.555, barra da Tijuca, Rio de Janeiro - RJ.
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RESGATANDO O PASSADO I Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé |
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| Da esq. p/dir. os Drs. Osny Salomão, Márcio Ibraim de Carvalho, Antonio Viladot (Espanha), Luiz Tito de Castro Leão, Manlio Mario Marco Napoli, Hampar Kelikian (EUA), Donato DÁngelo e Farid Jorge | |||||||||||||||||||||||||
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