Uma publicação da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé   * Filiado à International Federation of Foot and Ankle Societies (IFFAS)
  Admissão Histórica 2
  Dicas de leitura 2
  Notícias 2
  Pé torto congênito no
  recém-nato
5
  Hálux rígido 6
  Agenda 8
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STELLA E ANA LUIZA:
O PASSADO E O PRESENTE
A nossa gestão está iniciando as atividades sob a égide de dois acontecimentos marcantes. Um que nos entristece e outro extremamente alvissareiro. O primeiro refere-se à professora Stella Rosenbaun, recentemente falecida. O segundo, a admissão da dra. Ana Luiza Cerqueira de Araujo. Quis o destine que ambos fossem protagonizados por mulheres. Stella está ligada aos primeiros tempos da Sociedade Brasileira de Medidna e Cirurgia do Pé (SBMCP). Sua presença cordial e sua lhaneza no trato com os colegas não impediram posicionamentos fortes quando da discussão de temas da cirurgia do pé. Durante alguns anos foi presença feminina única em nossas reuniões e congressos. Mas os tempos mudaram, e hoje a audiência dos nossos eventos está regularmente enriquecida com a inteligência, o interesse e a partidpação do sexo feminino. E coube a Ana Luiza, por suas qualidades comprovadas perante a direção da SBMCP, o privilégio histórico de receber o primeiro certificado de membro titular após o estabelecimento de novos critérios de admissão, aprovados na assembléia geral de 1 de novembro de 2003, em Recife. A posição de Stella tem a ver com pioneirismo. Ana representa o início de nova etapa, que exigirá, cada  vez mais, um nivel real de participação e competência dos membros, sempre com o propósito maior de ter em nossos quadros cirurgiões do pé com elevada qualificação profissional. Quanto maior for a aglutinação em torno do saber, maior será o nível do serviço prestado e grande será o respeito cumulado aos seus pares. Aos que partem cabe a glória de representar a base onde tudo foi construído. Aos que ficam é necessária a grandeza de prosseguir, responsavelmente, na construção de um porvir que honre o alicerce sobre o qual se implantam. Adeus, Stella. Esteja em paz. Sua missão foi cumprida. Seja bem-vinda, Ana. Que o seu exemplo seja um estímulo ao aprimoramento constante na SBMCP.

SERGIO VIANNA
Presidente da SBMCP

 

 

  

  ADMISSÃO HISTÓRICA
Foi aprovada, na reunião de diretoria da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé (SBMCP) de 6 de março de 2004, a admissão, como membra titular, da dra. Ana Luiza de Souza Lima Cerqueira Araujo, de Belo Horizonle. Trata-se do primeiro cadastro contemplando os novos critérios de admissão à SBMCP, aprovados na assembléia geral de 1/11/03, em Recife. A dra. Ana Luiza cumpriu dois estágios na área do pé (três meses em São Paulo e seis meses em Belo Horizonte), participou como co-autora de três temas livres no XIII Congresso Mineiro de Ortopedia e Traumatologia (Belo Horizonte, julho de 2002) e também do Curso de Atualização da SBMCP de POÇOS de Caldas, do Congresso do Pé em Vitória e do último Congresso Brasileiro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), em Recife.
À dra. Ana Luiza, os cumprimentos e as boas-vindas de todos nós da SBMCP.

WILSON R. ROSSI
Diretor de Desenvolvimento da SBMCP

          DICAS DE LEITURA    NOTÍCIAS
1. Posterior tibiotalar ligament injury resulting in posteromedial impingement
Koulouris, G.; Connell, D.; Schneider, T.; Edwards, W., Foot & Ankle International, v. 24, n. 8, p. 575-85, 2003.
Lesão do ligamento tibiotalar posterior acarretando impingement póstero-medial. Trata-se de raridade no dia-a-dia, mas cuja existência o cirurgião do pé precisa conhecer para que não fique comprometido o seu diagnoóstico diferencial das lesões traumáticas mediais do tornozelo. Além de estudo anatômico e biomecânico, apresenta expressiva documentação com ressonância magnética.
2. Flexor hallucis longus transfer for chronic Achilles » tendonosis
Bryan, D.; Hartog, D. Foot & Ankle International v. 24, n. 3, p. 233-7, 2003.
Calcado numa casuística de 26 pacientes (29 tendões), o autor apresenta o tratamento cirúrgico da tendinose-de-Aquiles, valendo-se da transferência do flexor longo do hálux, com uma única via de acesso.

ALFONSO APOSTOLICO NETTO
Primeiro-Secretário da SBMCP

TESOURARIA

Caros Associados,

     Como tesoureiro da atual gestão dessa sociedade, sob o comando do dr. Sergio Vianna, gostaria de informar que assumimos a diretoria com caixa de R$ 28.628,11, no dia 1/1/04. No mês de março, após o pagamento das anuidades, contávamos com R$ 81 mil. Deixo claro que ainda temos taxa de inadimplência da ordem de 25%.
Aproveito para solicitar o pagamento aos colegas que ainda não o fizeram, pois dessa forma poderemos cumprir nossa obrigações financeiras e colaborar com os eventos científicos que ocorrerão durante nossa gestão. Aproveito para informar que reformamos o conjunto 1.502, com sua locação imediata após o término da reforma. Portanto o conjunto que esteve desalugado durante quase dois anos passa a não dar mais gasto com condomínio e taxas.

RUI BARROCO
Primeiro-Tesoureiro da SBMCP

   Boletim da SBMCP- Ano 9 - n0 33  02

 

 

         NOTÍCIAS

NOSSAS PROPRIEDADES

Uma das obrigações do secretário é acompanhar e administrar os imóveis pertencentes à nossa sociedade, que foram adquiridos com muito sacrifício e que dão uma característica ímpar à SBMCP.
No edificio Barão Pedra Negra possuímos quatro conjuntos: o 711 e o 712, alugados; o 1.108, sede da SBMCP; e o conjunto 1.502, que estava vago havia 16 meses. Em visita ao local constatamos que o imóvel estava malconservado, com importante umidade nas paredes e no chão, e que esse era o motivo pelo qual não vinha sendo alugado. Com a autorização do presidente e do tesoureiro, procedemos a uma reforma do local em 25 dias e, para nossa alegria, ao término da mesma, conseguimos alugá-lo, o que significa um ganho real de aproximadamente R$ 600,00 ao mês para a sociedade. Na mesma época fomos visitar as sedes alugadas, com a autonzação dos nossos inquilinos, e constatamos que as mesmas encontram-se em perfeitas condicoes.
Possuimos também um flat, no edifício Ópera Five (sistema Pool), também na Alameda Lorena, cuja renda rnensal tem deixado muito a desejar nos últimos dois anos, sendo motivo de preocupação para a diretoria pela sua importante desvalorização perante as aplicações tradicionais de mercado. Participaremos, juntamente com o dr. Rui (tesoureiro), de assembléias prograrnadas para os meses de abril e maio, pois, independentemente da baixíssima lucratividade, a admmistração do flat pensa em realizar amplas reformas, as quais com certeza trarão prejuízos à SBMCP
Portanto, estamos com rígido controle de nossas propriedades, visando sempre a preservar cada vez rnais o nosso patrimônio.

ALFONSO APOSTÓLICO NETTO
Primeiro-Secretário da SBMCP


CREDENCIAMENTO
DE SERVIÇOS

Como os novos critérios de certificação exigem o cumprimento de estágio nacional ou internacional de no mínimo três meses ern serviço de reconhecida competência, encontram-se em estudos por parte da SBMCP, através dos drs. Wilson R. Rossi e Tulio D. Fernandes, os requisitos mínimos necessários para o credenciamento de serviços aptos a oferecerem os estágios de treinamento.
Manteremos todos informados sobre o andamento do processo, e quaisquer sugestões a respeito do assunto poderão ser dadas à SBMCP ou diretamente aos doutores envolvidos na questão.

AVAL DA SBMCP

Comunicamos aos colegas e serviços que queiram o aval da SBMCP quando da organização de seus eventos científicos (jornadas, encontros, simpósios, etc.), para que sejam válidos como critérios de certificação, que devem cumprir a seguinte normalização:

a) escrever à SBMCP comunicando o evento e solicitando o aval para oficialização do mesmo com antecedência mínima de 30 (trinta) dias;
b) anexar a programação científica completa;
c) os solicitantes e responsáveis pelo evento deverão estar quites com a tesouraria da SBMCP.

WILSON R. ROSSI
Diretor de Desenvolvimento da SBMCP

 Boletim da SBMCP- Ano 9 -  n0 33 - 3    

 

 

         NOTÍCIAS

O BRASIL PRESENTE
NO WINTER MEETING

O Brasil esteve presente, em São Francisco, EUA, no  34th Annual Winter Meeting da American Orthopaedic Foot and Ankle Society (Aofas). O evento ocorreu no dia 13 de março, no Moscone Convention Center. O presidente da Aofas, Glenn Pfeffer, recebeu-nos cordialmente, e Stephen Conti foi o program chairman. O início das atividades foi marcado por um simpósio sobre ortobiológicos, em que foram
abordados aspectos muito atuais, dirigidos a restaurar a integridade esquelética sem a morbidade associada com a retirada de enxerto do próprio paciente. O ponto alto do encontro foi, sem qualquer dúvida, a apresentagao de Henry Mankin sobre anatomia e função da cartilagem, no simpósio Ciência e Ficção no Reparo da Cartilagem.

O presidente da SBMCP, Sergio Vianna e o presidente eleito da Aofas, Mark Myerson, se congratulam com mebros das duas sociedades no coquetel do 34 th Annual Winter Meeting da Aofas, em São Francisco.

 
A CITOLOGIA, O BARCO
E A COMEMORAÇÃO
    A célula primitiva, mesenquimal, germinativa está em voga! Dela derivam, pela pluripotencialidade, o tecido, os orgaos, o ser.
    Características e qualidades são herdadas. O desenvolvimento é consequência...
   
    Mais que tudo, ela é fruto do amor!
   
    O Grupo de Pé proveio não só de uma idéia e uma atitude, mas, sobretudo, de uma inspiração!
    Nasceu e fortalece-se sob o estigma da assistência e da ciência para ser perene.
     A jovialidade e a robustez dos 50 anos ficam patentes na renovação dos seus particípes, que se integram harmoniosamente com os antecessores. A mescla da velha guarda, dos atuais e dos iniciantes e alicerce e mola.
    Não seria justo deixar de nomear e homenagear, sempre, aquele que criou e fomentou o Grupo de Pé do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IOT/HC/ FMUSP).

    Fez o barco, a rota, e viaja como tripulante comum, feliz pelo calor da brisa norte.
    Professor Napoli, a festa é sua e nossa!

    Nos dias 27 e 28 de agosto de 2004 comemoraremos o Jubileu de Ouro de fundação do Grupo de Pé e estamos convidando todos os amigos a participar desta confraternização, porque, afinal, o Clube do Pé e a Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé tem o mesmo patrono.
    O programa científico terá carater absolutamente interativo. Para isso idealizamos como atividades principais mesas-redondas modernas e temas livres comentados e discutidos. As conferências serão somente do ilustre convidado estrangeiro, o dr. John S. Gould, do Alabama Sports Medicine & Orthopaedic Center (EUA). Durante os intervalos haverá possibilidade de apresentação de casos em pequenos grupos, além de workshops nos espaços da exposição.
    Tudo isso não é a razão maior, e sim o abraço fraterno.

ANTONIO EGYDIO DE CARVALHO JR.
Ex-Presidente da SBMCP

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Como trabalho de vanguarda destacou-se o de Meehan et al., que transplantaram tornozelo de cadáver (aloenxerto osteocartilaginoso) como alternativa à artrodese e a artroplastia. É a ousadia do homem rompendo barreiras há pouco consideradas intransponíveis. A Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé (SBMCP), representada por Sergio Vianna, Caio Nery, Antonio Egydio e Verônica Vianna, sentiu-se lisonjeada pelo convite e pela participação em almoço com a diretoria da Aofas. No encerramento festivo do congresso, a delegação brasileira teve a oportunidade de participar de uma alegre confraternizagao, jogando muita conversa fora.

SERGIO VIANNA
Presidente da SBMCP

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4 - Boletim da SBMCP- Ano 9 -  n0 33   

 

 

         COMO EU TRATO
   

O pé torto congênito idiopático (PTC) é uma das principals deformidades do aparelho locomotor, pelo seu comprometirnento funcional ou estético. A complexidade desta enfermidade não se limita apenas a apresentação clínica, mas também abrange a sua etiologia e o seu tratamento.

Apesar do grande avanço ocorrido na medicina neste último século, alguns pontos do seu estudo ainda permanecem obscuros na determinaçãao de sua causa, assim como na instituição de um método que satisfaça os anseios dos ortopedistas em tornar estes pés plantigrades, flexíveis e indolores.

O tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível, no berçário. Realizamos detalhada palpação do pé, com a identificação das relações anatômicas dos ossos, seguida de gentil manipulação e imobilização com gesso. A confecção do gesso é realizada em duas etapas: na primeira imobiliza-se a porção mais proximal do membro, mantendo o joelho fletido a 90°; na segunda, após manobra de correção das deformidades, termina-se distalmente o gesso.   A manipulação se inicia com um polegar posicionado sobre a porção lateral da cabeça do tálus, usando-o como um fulcro, enquanto uma contrapressão é exercida no primeiro metatarsal e no cuneiforme medial. Na primeira aplicação, tal manobra promove uma supinação do antepé, alinhando o primeiro metatarsal que se encontra verticalizado e pronado, corrigindo assim o cavismo do pé. Durante esta manipulação busca-se atingir o realinhamento simultaneo das articulações calcaneocuboide, talonavicular e talocalcaneana, com especial atenção à talonavicular. O gesso é trocado a cada semana, seguindo uma sequência de progressão baseada na


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 Boletim da SBMCP- Ano 9 -  n0 33 - 5    

 

 

     COMO EU TRATO   SEÇÃO LIVRE

correção da inversao e no ganho de abdução. Ressaltamos que os pés devem ser abduzidos e deve-se evitar a pronação do antepé, êrro frequente em outras técnicas. Outro fato importante e a recomendação de que o calcâneo não deve ser tocado ou manipulado durante a confecção do gesso. Quando não se obtem ganho na correçãao e a deformidade em equino se mantém resistente, realiza-se a tenotomia percutanea do calcâneo. A tenotomia é praticada no ambulatório, sob anestesia local. Terminada a tenotomia não observamos mais resistência a correção do equino e o pé atinge facilmente a abdução desejada, sendo então imobilizado em aparelho gessado cruropodálico, mantido por mais três semanas.

Após a retirada do último gesso e com o pé corrigido, coloca-se um aparelho de abdução com barra transversal, semelhante ao de Denis-Browne, com as botas posicionadas com 45° de abdução para o pé normal e 70° de abdução para o pé deformado, com 10° de dorsiflexão.

O período de uso das orteses de abdução é de 23 horas diárias nos primeiros três meses, passando-se, a seguir, para o uso noturno, ao redor de 12 horas, durante três anos.

Quando ocorrer recidiva da deformidade durante o uso do aparelho de abdução, reinicia-se a colocação de gessos seriados até a correção, reiniciando-se o uso das órteses.

Entretanto, para os pés não-corrigidos ou recidivados que passaram por nova sequência de gessos, indicamos a correção cirúrgica, através da liberação das partes moles: a la carte para as deformidades flexíveis e postero-medio-lateral com a via de acesso de Cincinnati segmentada para as deformidades rígidas.

LUIS CARLOS RIBEIRO LARA
Membro do Conselho Fiscal da SBMCP

HÁLUX RÍGIDO

Hálux rigido é o termo usado para descrever os sintomas associados a artrite degenerativa da articulação metatarsofalangiana do hálux. E freqilente, seguindo em incidência o hálux valgo. Apesar de descrito desde 1887 (Davies-Colley e Cotterill), ainda há questionamentos a respeito, sobretudo, da etiologia e do tratamento.

Gostariamos, portanto, de destacar duas publicações recentes do dr. Michael Coughlin que, a nosso ver, acrescentam informações importantes a respeito do tema, baseadas em estudos com grande casuística, mais de cem pacientes, e follow-up medio de 9,6 anos. Destacam-se como características demográficas: história familiar positiva, envolvimento bilateral e maior incidência no sexo feminino. Não foi possivel associar o hálux rígido à história de trauma, profissão ou tipo de calçado. Entretanto história de trauma era comum nos pacientes com hálux rígido unilateral. Hipermobilidade do primeiro raio, metatarsus primus elevatus, primeiro metatarsiano longo, encurtamento do tendão-de-Aquiles e hálux valgo não podem ser relacionados ao hálux rigido. Foi encontrada associação entre o hálux rigido, o hálux valgo interfalangiano e a articulação metatarsofalangiana plana.

Mann e Clanton, em 1988, afirmaram que o objetivo do tratamento do hálux rígido e aliviar a dor, manter a força do primeiro raio e, se possível, manter ou restabelecer o movimento da articulação interfalangiana. Mas como alcançar esse objetivo? O que priorizar? O alívio da dor, certamente, mas quando sacrificar o movimento e realizar uma artrodese? Quais parâmetros tem relevância na escolha do tratamento? Sabemos que os sintomas e o grau de acometimento articular podem ou não coincidir com a apresentação radiográfica.  Por  essa  razão   é

  6 - Boletim da SBMCP- Ano 9 -  n0 33

 

 

      SEÇÃO LIVRE
 

Classificação clinicorradiográfica para o hálux rígido

Grau

Flexão dorsal MF Achados radiográficos (AP e perfil com carga) Quadro clínico
0

400 à 600 e/ou 10% a 20% menor que o lado normal

Normais

Sem dor; rigidez e diminuiçao da mobilidade ao exame

1

30° a 40° e/ou 20% a 50% menor que o lado normal

Os principais achados são osteófito dorsal, pouca diminuição do espaço articular, mínima esclerose periarticular e achatamento da superfície articular

Dor e rigidez leve ou ocasional; dor no extremo da flexão dorsal e plantar ao exame

2 10° a 30° e/ou 50% a 75% menor que o lado normal Osteófitos dorsal, laical e possívelmente medial, dando à cabeça um formato plano; na incidência em perfil, o acometimento do espaço articular dorsal não é maior que 1/4; diminuição do espaço articular e esclerose subcondral leve a moderada; sesamóides não estão envolvidos Dor e rigidez moderada a severa, podendo ser constante; ao exame, a dor antecede os extremos do movimento de flexão dorsal e plantar
3 < 10° e/ou 75% a 100% menor que o lado menor. Existe perda significativa da flexão plantar (geralmente < 10° de flexão plantar) Semelhantes aos do grau 2, mas com diminuição significativa do espaço articular, com possíveis cistos periarticulares, mais de 1/4 de acometimento dorsal no perfil, sesamóides aumentados, císticos e/ou irregulares Dor e rigidez praticamente constantes e em todo o arco de movimento à exceção do aspecto central da articulação
4

Igual à do grau 3

Iguais aos do grau 3

Igual ao do grau 3, mas existe dor no aspecto central da articulação


importante que o tratamento não deixe de levar em conta os sintomas. Urn sistema de estadiamento que considere não apenas os sinais radiográficos mas também o quadro clínico e o exame físico (mobilidade da metatarsofalangiana) parece ter urn bom valor preditivo do resultado do tratamento e serve como guia para a escolha da técnica a ser utilizada.
    Para os graus 1, 2 e 3, a queilectomia foi usada com sucesso. E os bons resultados parecem, diferentemente do que se poderia imaginar, perdurar ao longo do tempo. Pacientes com grau 4 ou menos de 50% de superfície articular coberta por cartilagem (identificado no peroperatório) apresentaram bons resultados quando tratados com artrodese. É importante ressaltar que a técnica de queilectomia utilizada e a descrita por Mann, na qual 25% a 30% do aspecto dorsal da cabeça do metatarsiano é ressecado após serem retirados os osteofitos, de forma a conseguir pelo menos 70° de flexão dorsal no peroperatório.
    Não devemos nos esquecer de que as opções de tratamento devem levar em conta não somente as características da doença, mas tambem as necessidades do paciente no que diz respeito ao nivel de atividade e estilo de vida. Classificar a doença em graus nos dá parametros
para predizer com mais segurança o resultado

desse ou daquele tratamento. O paciente deve, entretanto, ser esclarecido quanto a sua patologia, seu caráter progressivo e as diversas opções de tratamento, incluindo-se aí o tratamento conservador, para que, juntos, médico e paciente decidam qual o tratamento a ser realizado.

VERONICA VIANNA
Diretora de Informática da SBMCP

SERGIO VIANNA
Presidente da SBMCP


Referências

1. Coughlin, M. J.; Shurnas, O. S. Hallux rigidus: demographics, etiology, and radiographic assessment. Foot &> Ankle Int, v. 24, n. 10, p. 731-43, 2003.

2. Coughlin, M. J.; Shurnas, O. S. Hallux rigidus: grading and long-term results of operative treatment. J Bone joint Surg, v. 85-A, n. 11, p. 2072-88, 2003.

   Boletim da SBMCP- Ano 9 -  n0 33 - 7  

 

 

    AGENDA

XII CONGRESSO BRASILEIRO DE MEDICINA E CIRURGIA DO PÉ

20 A 24 DE ABRIL DE 2005

A comissão organizadora de nosso congresso tem se reunido regularmente e está tomando todas as providências inicialmente cabíveis para que ele se tome mais urn evento marcante na vida da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé (SBMCP), tanto pela beleza natural da região e pelo ambiente em que se realizará quanto pelo seu conteúdo científico e de educação continuada, e, ainda, pelas horas prazerosas de convívio e diversão que proporcionará aos participantes e seus acompanhantes.
A cidade de Gramado (RS), centro de atração turística em meio a serra gaúcha, já por si é digna de ser visitada e revisitada pelas belezas, encantos e acolhimento que oferece. Alguns dias do início de outono aí vividos são como um refresco para o corpo e para a alma. Algo para ser fruído em companhia de familiares e amigos, já que na nossa corrida habitual não conseguimos proporcionar-lh.es tantos agrados. Haverá uma programação para os acompanhantes nos períodos em que estivermos participando das sessões científicas e horários previstos para passeios e diversão junto com eles. Estão sendo prograramadas algumas boas surpresas para as senhoras acompanhantes.
A recepção no local, no Centro de Convenções do Hotel Serra Azul, estará funcionando a partir do dia 20 de abril a tarde. Nesse dia também haverá recepcionista no aeroporto Salgado Filho para o translado a Gramado. O programa do congresso se iniciará no dia 20 de abril, quarta-feira, as 20h, e se encerrará no dia 23 de abril, as 16h, com sorteios
para os presentes, havendo, a noite, jantar de encerramento.
Já está elaborada a grade da programação científica, que contará com conferências internacionais e nacionais, rnesas-redondas modernas, temas livres e sessões de apresentação de técnicas cirúrgicas magistrais. Está inserida também a assembléia geral da sociedade.
Contamos já com a participação confirmada de dois convidados estrangeiros, G. J. Sammarco, de Cincinnatti, e Hajo Thermann, de Heidelberg, trazendo Lemas muito importantes e atualíssimos, que mencionaremos somente em futura comunicação, para deixá-los urn pouco curiosos.
Para um aproveitamento total do evento, será importante que os colegas que não estiverem participando de um tour pré-congresso, a ser organizado em conjunto com o diretor-social da SBMCP, programem a sua chegada a Gramado para o dia 20 de abril, à tarde, e a saida para o dia 24 de abril, de manha.
Oportunaniente serão enviadas malas-diretas com instruções para inscrição, agência de viagens e reserva de hotel. Esteja tambérn atento às novidades sobre o pé e acesse o site da SBMCP, www.sbmcp.org.br, para manter-se a par das programações.

EGON E. HENNING
Presidente do Congresso

 

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