Uma publicação da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé   * Filiado à International Federation of Foot and Ankle Societies (IFFAS
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Vôo do pé

Em editorial da RBO (v. 32, n. 7) de julho de 1997 intitulado Vôo do pé, o dr. Antonio Egydio de Carvalho Jr., então digníssimo Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina em Cirurgia do Pé exaltou a pujança cientifica de nossa sociedade e, ao mesmo tempo em que comemorava a extraordinária marca de 70 trabalhos apresentados no VIII congresso (de Uberaba), apontava uma série de diligencias necessárias para satisfazer nosso crescente desejo de progresso e intercâmbio internacional. Era necessário criar meios para a publicação do enorme contingente de material cientifico produzido ou buscar alternativas para a consulta facilitada. Estimulados pelo sonho de criar a acesso rápido e prático a informação especializada e de qualidade, todos nos pusemos à luta. Desde o primeiro momento já se percebia a importância da internet como ferramenta imprescindível para alcançar estes objetivos. Além disso, do mesmo editorial, o Dr. Egydio comunicava a nossa associação à American Orthopaedic Foot and Ankle Society e à revista Foot and Ankle Internation, após processo que, sabemos, foi receado de dificuldade e exigências, as quais foram sendo lenta e trabalhosamente superadas. 
  Hoje, temos o prazer de comunicar a realização de alguns daqueles sonhos, brindando com nossos associados os frutos do trabalho de todos esses anos. Acabamos de inaugurar duas salas de leitura em nossa página da internet! Na sala Prof. Dr. Idyllio do Prado Jr. serão reunidos resumos comentados de trabalho já publicados sobre nossa especialidade. Na sala Dr. Sérgio Ferreira dos Santos serão apresentados resumos comentados de temas livres e apresentações sobre medicina e cirurgia do pé em eventos nacionais e internacionais. Esperamos que estas salas se transformem em verdadeiros pontos de encontro para os estudiosos e que seu aprendizado seja profícuo como eram a amizade e o carinho de nossos saudosos amigos que lhes emprestam os nomes. 
  Outra novidade e a criação de material para educação do leigo. Foram reunidos textos e desenhos especialmente confeccionados para orientação e ilustração de pessoas não-médico acerca das dúvidas corriqueiras sobre a escolha de calçados e saúde dos pés. Este material está sendo veiculado através da internet e da publicação Coisas que Você Deveria Saber sobre os Seus Pés, que já integra o arsenal de recursos destinados à educação popular de nossa sociedade. Com prestação de serviço a comunidade, oferecemos, ao final deste material, a lista de todos os membros da SBMCP que autorizam a difusão de seus dados. 
  Mas isso não basta. Depois do sucesso alcançado pelo Curso Oficial de Reciclagem e Atualização em Patologias do Pé e Tornozelo, realizado em Poços de Caldas (MG), durante o qual foram introduzidas as demonstrações cirúrgicas em modelos e o workshop sobre palmilhas, fomos para São Francisco nos EUA, onde ocorreu o encontro da Federação Internacional das Sociedades de Tornozelo e Pé (Iffas). Neste encontro, em que estiveram presentes especialistas de todas as partes do mundo, foram apresentados pelo menos 20 trabalhos brasileiros. 
  Como fato derradeiro, que coroa de êxito e de orgulho nossos esforços no sentido de aprimoramento científico de nossa sociedade, informamos a edição de um número da prestigiosa revista Foot and Ankle International em que são reunidos trabalhos no Brasil. Este fato, verdadeiro marco na nossa história, realmente nos emociona, por sua importância e pelo esforço que representa: a importância de uma pequena grande sociedade que soube cultivar seus mais elevados valores morais e científicos sem perder a simplicidade e o esforço e dedicação conjuntos de muitos de nós, de várias gerações, que trabalhamos por merecer o respeito e a consideração com os quais podemos contar hoje no cenário internacional. 
  E... com os pés no chão, alegramos-nos de ver o pé nas alturas! 

Caio Nery,
 
Presidente da SBMCP

               Dicas de  
                   leitura 
 
      Notícias
 

 

  "Highlights"
do evento
  em Poços de
Caldas

 Agenda     

SBMCP: Alameda Lorena, 1304 -sl. 1108
CEP 01424-001 - São Paulo - SP - Brasil
Tel: (0xx11) 3082 6919  Fax:  3082 2518
www.sbmcp.org.br e-mail:sbmcp@sbmcp.org.br

 

Antônio Carlos Flores
dos Santos
Editor médico

Das Gerais...


Primeiro foi há um ano, em agosto de 2001, na gestão de Mauro Fuchs: uma reunião itinerante da diretoria da SBMCP associada a um simpósio sobre cirurgia do pé. A recepção carinhosa por parte dos colegas de beagá e a feijoada do Dr. Wagner. Logo em seguida, em outubro/novembro, o congresso brasileiro. Ainda estávamos digerindo agosto e novamente recebemos toda a atenção dos colegas e amigos mineiros. Agora, Poços de Caldas, num agosto sem trajes de inverno. Uma cidade limpa, arrumada (sem excesso de maquiagem), com sua história provocando nossa imaginação: quem teria freqüentado aquele cassino? Aquele hotel? Quem dormiu ali, além da princesa e do presidente? Quantos amores e quantos horrores passearam entre aquelas paredes? No meio disso tudo, pessoas discretas, alegres, solícitas, com aquele ritmo na fala e nos gestos, a nos orientar, servir e proporcionar 

toda a gama de condições para desenvolvermos o nosso trabalho, o nosso objetivo, que era participar do encontro organizado pelo Dr. Julio Falaschi Costa. Mais uma vez, definitivamente cativos da hospitalidade mineira, todos nós da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé, assim como os demais presentes no evento, com seus familiares e acompanhantes (em número cada vez maior), passamos dias que ficarão por muito tempo em nossas memórias, quer pelo que desenvolvemos cientificamente, quer pelo singelo amanhecer nos montes das Minas Gerais, iluminando Poços de Caldas, suas praças, seus sabiás, seu povo, sua vida. Eh! Minas Gerais...Muito obrigado por tudo!

PS. Alguém pode nos responder se já havia visto tantos canários cantantes numa recepção de hotel em algum outro lugar?

 

 

 

 

 

 

     Os médicos e cirurgiões do pé tem um novo ponto de encontro. O site da SBMCP está
   inaugurando  duas salas de leitura para os seus associados. Na sala Dr. Sérgio Ferreira dos Santos
   poderão ser consultados resumos de temas livres e palestras apresentados em congressos da
   especialidade. E, na sala Prof. Dr. Idyllio do Prado Jr., os resumos disponíveis darão conta de
   trabalhos publicados em revistas científicas. Faça uma visita!

www.sbmcp.org.br


Boletim da SBMCP 
ANO 8 /NÚMERO 28 *  2

 

  Antônio Augusto Couto
   de Magalhães            

   Membro da diretoria da SBMCP

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   Fernando Ferreira da 
   Fonseca Filho        

   Membro titular da SBMCP e
   presidente da FLAMECIPP

Poços de Cardas é uma cidadezinha adorável, protegida da violência pelas montanhas e pelo sossego, e ainda fica pertinho de São Paulo, uai! Nóis realizamos lá em Minas, no último fim de semana, uma jornadinha simples porém honesta, com uma partizinha científica no ponto certo, com mesas-redondas tradicionais e modernas, aulas atualizadas e temperadas com workshops, além de aulas para leigos. Tudo isso acompanhado de praça com banda, jantar dançante, chá com quitanda, porco no rolete e muito queijo mineiro. Houve um comparecimento das figuras de maior projeção no cenário da ortopedia brasileira, como o professor Marco Amatuzzi e esposa e o professor José Laredo Filho com toda sua família. Seguiram-se os consagrados baluartes da cirurgia do pé e tornozelo do Brasil, como os professores Sérgio Bruschini e esposa, Osny Salomão e esposa, Egon 

Henning, Márcio Benevento, Osvaldo Pires e esposa, Sérgio Vianna e Verônica com toda a família, Fernando Fonseca, igualmente bem acompanhado, e toda a diretoria atual da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé, capitaneada pelo colega Caio Nery e esposa. Tivemos um público de 200 pessoas, contando com colegas que vieram doa mais longínquos estados, como Alagoas, Bahia e Rio Grande do Sul, entre outros, cujas prestigiosas presenças agradecemos muito. Não poderíamos encerrar esta nota sem lembrar da dedicação de nosso colega Júlio, o César, e sua esposa, que se empenharam ao máximo para proporcionar uma recepção de gala para todos os participantes. Obrigado Minas Gerais!

PS. Ainda trouxe três queijinhos mineiros, uai!

   Três siglas, um mesmo ideal: a valorização e o desenvolvimento da medicina e cirurgia do pé e dos profissionais que as praticam. A Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé (SBMCP) é uma sociedade, isto é, a reunião de indivíduos que, seguindo determinadas normas, têm objetivos comuns. A Federação Latino-Americana de Medicina e Cirurgia da Perna e do Pé (Flamecipp) e a Federação Internacional das Sociedades do Pé e Tornozelo (Iffas) são federações, a saber, uniões de grupos de indivíduos (sociedades, comitês) com normas e objetivos comuns. A primeira federação tem jurisdição latino-americana e a seguida, mundial. 
   O sócio de uma sociedade nacional, sendo esta filiada a uma federação continental, participa da federação continental e da internacional. Compõem a Iffas quatro federações continentais, que são as seguintes: Federação Asiática de Cirurgiões do Pé e Tornozelo, Sociedade Européia do Pé e Tornozelo, Sociedade Ortopédica Americana do Pé e Tornozelo e a nossa Federação Latino-Americana de Medicina e Cirurgia da Perna e do Pé.   
   Participar de uma sociedade nacional pressupõe deveres e direitos. Assim, pagar a anuidade; contribuir com a difusão 

de sua experiência pessoal no desenvolvimento da especialidade e ensino de outros colegas; facilitar aos mais novos o conhecimento e o relacionamento com especialistas de todo o mundo; e estar sempre preparado para assumir e dirigir a sociedade com lucidez, segurança e probidade, buscando a integração de todos, são alguns deveres dos sócios. Entre os direitos adquiridos estão participar e ter voz ativa em todas as jornadas e congressos, tendo seus trabalhos agendados nos congressos internacionais da especialidade; ser atualizado tanto científica como politicamente pelas palestras e publicações da sociedade; ter caminhos sempre abertos para se comunicar, conhecer e cultivar amizade com os colegas de seu continente e de todo o mundo; ter facilitado o contato constante com esses colegas, ouvir e ser ouvido por todos, ler e escrever para todos. Em resumo, as sociedades congregam os indivíduos, as federações unem as sociedades num só destino. Não participar das federações é ficar limitado, de olhos vendados, não ter voz ativa, dependente sempre da vontade dos outros que, com mais inteligência, souberam enxergar mais longe e impor sua idéias.

 3 * ANO 8 /NÚMERO 28 *  Boletim da SBMCP  *

   

Wilson Rossi 
Membro titular da  SBMCP

  

 

  Durante quase seis anos, uma comissão mista das entidades médicas do Brasil, a saber, Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB) e Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), trabalhou para definir, organizar e sistematizar as especialidades médicas no país, que estavam crescendo em número elevado e desnecessário. Além disso, as diferentes entidades médicas reconheciam números diferentes de especialidades: o CFM reconhecia 66 especialidades, a AMB reconhecia 57, e o CNRM, apenas 35, ou seja, o país contava apenas com residência médica em 35 especialidades. Assim, o trabalho desta comissão mista uniformizou, agrupou e definiu as especialidades no país, reconhecendo 50 delas e oficializando outras 81 áreas de atuação na Resolução CFM nº 1.634/02, assinada em Brasília em 11 de Abril de 2002. 
  A especialidade médica foi definida como "núcleo de organização do trabalho médico que aprofunda verticalmente a abordagem teórica e prática de segmentos da dimensão biopsicossocial do indivíduo e da coletividade". Assim sendo, nossa especialidade é Ortopedia e Traumatologia. 
  Os diversos campos de trabalho dentro de cada especialidade, no mundo todo, recebem denominações diferentes, com subespecialidades, superespecialidades, especialidades de primeiro e segundo graus, etc. A comissão mista brasileira resolveu adotar o termo áreas de atuação, entendido como "modalidades de trabalho médico que fazem parte de uma ou mais especialidades, exercidas por profissionais capacitados para ações médicas específicas". Dentro da ortopedia, esta comissão reconheceu e oficializou sete áreas de atuação: cirurgias da coluna, da mão, do ombro, do pé, do quadril, e ortopedia pediátrica. Assim, nossa área de atuação é a Medicina e Cirurgia do Pé. 
Os profissionais que já são portadores de títulos de especialista obtidos antes da resolução têm direitos adquiridos e serão

especialistas mesmo de especialidades que tenham sido extintas ou controvertidas em áreas de atuação. Outra coisa importante é que especialidades nada têm a ver com sociedades médicas (como a nossa SBMCP). Estas são, na maioria das vezes, pessoas jurídicas de direito privado, institucionalizadas, regidas por regulamentos próprios e detentoras de patrimônio. Realizam congressos e encontros científicos e algumas tem até mecanismos de avaliação e de conhecimentos como condição de titularidade. O que estas sociedades não podem é fornecer títulos de especialista. Poderão sim, fornecer títulos de membro titular ou equivalente, de acordo com critérios estabelecidos em seu estatuto. Com relação aos certificados de área de atuação, estes serão emitidos pela SBOT, por convênio AMB/SBOT, assinados pelo presidente e pelo secretário da SBOT depois de cumpridos requisitos mínimos que podem até ser definidos pela sociedade pertinente à área de atuação. Assim, a SBMCP poderá definir com a SBOT (e esta conveniar-se com a AMB) quais critérios deverão ser preenchidos para a emissão do certificado para a área de atuação da cirurgia do pé, como ter título de membro titular da SBOT e da SBMCP, ter um mínimo de anos de formado, possuir estágios dentro da área de atuação, ser aprovado por proficiência ou prova de capacitação, etc. Estas coisas são muito recentes e ainda estão acontecendo, motivo pelo qual muitas questões não estão bem esclarecidas. 
   Estamos nos empenhando agora no aperfeiçoamento e na melhoria dos critérios de admissão em nossa SBMCP, bem como nos requisitos para manutenção como membro titular. Não se trata de cultivar a formação de castas, mas de estimular a formação científica mais apurada e qualificada na área de atuação do pé.
Um abraço.

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Prof. Mânlio Napoli

 

 

 

 

Caio Nery   
Presdente da SBMCP  

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Cometi a maior indelicadeza de toda a minha vida ao deixar de ter entre nossos convidados o querido professor Nápoli. Em vez de tentar explicar o inexplicável e justificar o injustificável, torno público meu pedido de desculpas ao professor e amigo dr. Mânlio M. M. Nápoli. Tenho dito muitas vezes (e repito novamente) que me sinto como um filho adotivo (e nem por isso menos grato) de suas casa e escola. Tenho procurado render-lhe o merecido tributo sempre que possível. Fui o idealizador do Prêmio Professor Mânlio Nápoli de Excelência Científica, que foi ofertado apenas uma vez, mas que

está programado para durar 20 anos, mantendo vivos o exemplo e a memória do querido mestre! Tento seguir-lhe os passos da retidão e honestidade, e almejo sua serenidade e equilíbrio. Cultuo sua imagem e aprecio sua amizade, tendo lhe prestado justa homenagem no editorial que redigi para a revista Foot & Ankle International deste setembro de 2002. Além do perdão que almejo alcançar de nosso querido professor Nápoli, conto ainda com a compreensão de todos os colegas e consócios que foram privados de seus ensinamentos, convivência e amizade em virtude de minha falha.

Boletim da SBMCP  ANO 8 /NÚMERO 28 * 


Introdução

   O Curso Oficial de Reciclagem e Atualização em Patologias do Pé e Tornozelo da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé (SBMCP) e a VI Jornada Sul-Mineira de Ortopedia e Traumatologia, realizados em Poços de Caldas (MG) nos dias 9 e 10 de agosto de 2002, contaram com 165 participantes, de 14 estados.

Mesa-redonda moderna: fraturas do tornozelo e do pé.
   Foram debatidos oito casos entre cinco participantes. Em três casos de fratura do tornozelo, a indicação e a correta utilização do parafuso supra-sindesmal foram debatidas entre os participantes. A utilização do parafuso supra-sindesmal tem indicações precisas, entre elas as fraturas da fíbula, do tipo Weber C, que ocorrem 3,5-4cm acima da superfície articular associadas à lesão do ligamento deltóide; e as fraturas que, transoperatóriamente, apresentam o teste de Cotton positivo. Na fratura cominutiva do talo é importante a redução precoce, a minimização do trauma dos tecidos moles e deve-se atentar para a complicação mais comum nesta fratura, a necrose avascular. Na fratura do calcâneo intra-articular bilateral na criança, foi reforçada a necessidade da redução anatômica dos fragmentos, assegurando não só a redução articular, mas também a restauração da anatomia do calcâneo e sua biomecânica. Numa fratura de Lisfranc homolateral total, ratificou-se a importância da redução anatômica precoce e da avaliação do estado circulatório local, com especial atenção ao diagnóstico precoce da síndrome compartimental nestes casos. Numa fratura do navicular com deslocamento leve, as vantagens e desvantagens dos tratamentos conservador e cirúrgico foram debatidas; e, no fim, num caso de fratura extremamente cominutiva da falange proximal do hálux, as opções de tratamento para retardar a artrose pós-traumática foram discutidas.

Workshop das osteotomias mais usadas para o tratamento do hálux valgo + osteotomia da Weil
   A realização da osteotomia na cabeça do primeiro metatarsiano pela técnica de Chevron clássica foi apresentada


e salientou-se a indicação da mesma para aqueles casos de hálux valgo com deformidade leve. A realização da osteotomia de Chevron biplana indicada para casos de hálux valgo congruente, com ângulo articular distal aumentado, foi também apresentada. Esta técnica difere da osteotomia de Chevron clássica pela remoção de uma cunha medial pequena no braço superior da osteotomia, promovendo, desta forma, além do deslocamento lateral da cabeça, a reorientação da superfície articular. A importância do reconhecimento do hálux valgo congruente e da conseqüente indicação desta osteotomia, corrigindo assim todos os componentes da deformidade, foi ratificada pelo apresentador. A osteotomia do tipo Scarf, indicada para casos de hálux valgo severo, foi apresentada, e suas vantagens em relação às osteotomias proximais (maior estabilidade e consolidação mais rápida) foram salientadas. A osteotomia de Weil nos metatarsianos menores (indicada para metatarsalgia, deformidades nos dedos, instabilidade e luxação da metatarsofalangiana, entre outras) foi simulada. A correta orientação da osteotomia, minimizando o deslocamento inferior da cabeça durante o encurtamento do metatarsiano é crucial para o reequilíbrio dinâmico da articulação.

Workshops de palmilhas
   A importância da prescrição correta das palmilhas e de sua confecção adequada foi enaltecida. A confecção das palmilhas indicadas para crianças com pé plano e toe in foi demonstrada. O seu papel na correção das deformidades ou na acomodação das mesmas foi debatido entre os presentes. A confecção de palmilhas de compensação no adulto com metatarsalgia, fasciite plantar e pé diabético foi criteriosamente demonstrada.

O que há de novo no pé torto congênito?
   O crescente número de casos de pé torto congênito (PTC) diagnosticados no acompanhamento pré-natal através da ultra-sonografia foi salientado, observando-se porém, o grande número de falsos positivos ainda existentes com este exame (segundo alguns trabalhos, pode chegar a 40%).

5 * ANO 8 /NÚMERO 28 *  Boletim da SBMCP  *

 

José Antônio Veiga Sanhudo  
Membro da diretoria da  
SBMCP e suplente do  
Conselho Fiscal
   

O fumo, apesar de outros malefícios, não tem comprovadamente relação com o desenvolvimento do PTC. A possível utilidade do diagnóstico pré-natal do pé torto congênito para realização de cirurgias fetais e/ou bloqueio de agentes deformantes num futuro próximo foi salientada. O tratamento conservador vem apresentando melhora dos resultados, principalmente pela utilização da técnica de Ponseti. A importância da manipulação com o pé em supinação e a necessidade eventual da tenotomia percutânea do tendão-de Aquiles para correção adicional em alguns casos foram reforçadas. Órteses para manter a posição até que se inicie a deambulação são fundamentais. Os índices de reoperação nos pacientes com PTC são ainda bastante altos, chegando em 14% em
algumas séries. Finalizando, salientou-se a importância de se insistir no tratamento conservador bem orientado para minimizar os casos que irão precisar de cirurgia.

A quantas anda o tratamento do pé plano flácido da infância?
   A importância da orientação correta destes pacientes e de seus familiares foi ratificada. Deve-se observar que o pé plano em muitos casos é uma variação da normalidade e que somente alguns precisam ser corrigidos. As opções de tratamento cirúrgico são as artrorrises, as osteotomias do calcâneo e os alongamentos da coluna lateral ( no calcâneo ou na articulação calcaneocubóide).

Atualização no diagnóstico e tratamento do pé plano espástico
   No pé plano espástico é importante que se postergue o tratamento por até 6-7 anos. Neste período, ênfase é dada à fisioterapia e ao uso de toxina botulínica em alguns casos. Os desvios torcionais em todo o membro inferior (fêmur, tíbia e pé) devem ser observados. A utilização de artrodeses no pé plano espástico do adolescente e a possível ocorrência de artrose em articulações vizinhas a longo prazo foram lembradas.

Tratamento cirúrgico do pé torto congênito
   A hipoplasia do calcâneo, a prega plantar e a retração do hálux são indícios de refratariedade ao tratamento conservador. A liberação parcial das partes moles aumenta a chance de reintervenção. Controvérsias ainda existem com relação à melhor abordagem do tendão tibial posterior (ou alongar em Z ou tenotomia simples) e à liberação ou não dos ligamentos deltóide e interósseo. A análise de 85 casos operados foi apresentada com 88% de resultados satisfatórios. Observam-se piores resultados nos pacientes com história familiar de PTC.

O que há de novo no hálux valgo?
   O autor centrou sua apresentação no hálux valgo juvenil. A influência da herança genética no desenvolvimento dessa deformidade foi

enaltecida.Deformidades associadas e/ou fatores predisponentes, como pé plano valgo, hipermobilidade, displasia epifisária do primeiro meta e o formato da articulação tarsometatársica do primeiro raio, estão freqüentemente presentes. A alta incidência de hálux valgo congruente na articulação metatarsofalangiana e de hálux valgo interfalangiano neste grupo de pacientes foi ressaltada. A característica progressiva da deformidade com a idade foi realçada, principalmente na presença de fatores extrínsecos associados (como calçado inadequado). A influência de hipermobilidade na apresentação da deformidade foi ratificada, mas foi demonstrada grande dificuldade em objetivar a sua presença. Dúvidas persistem em relação ao melhor momento para a correção da deformidade. A correção de deformidades associadas (pé plano valgo, hálux valgo interfalangiano, entre outras) parece otimizar os resultados.
   Os resultados do tratamento conservador em 18 pacientes entre 8 e 15 anos seguidos por 18 meses foram apresentados. Quarenta e quatro por cento abandonaram o tratamento. Nos pacientes que aderiram ao tratamento observou-se que não houve modificação nos parâmetros angulares com a utilização da órtese noturna.
   Os resultados do tratamento cirúrgico de 48 pés em 26 pacientes entre 11 e 21 anos foram apresentados após um seguimento de cinco anos. As técnicas cirúrgicas incluídas no trabalho foram: Mitchel, Chevron clássico e Chevron biplanar. Em 75% destes casos de hálux valgo juvenil, o ângulo articular distal do primeiro metatarsiano estava alterado (acima de 8°). A importância do maior número de recidivas após o tratamento cirúrgico neste grupo de pacientes foi salientada.

A quantas anda o tratamento do pé plano adquirido do adulto?
   O papel da hipovascularização no desenvolvimento da insuficiência do tendão tibial posterior (ITTP) é ainda motivo de discussão. Os testes clínicos diagnósticos mais importantes são: teste da elevação monopodal, teste de Kendall, teste de inversão ativa dos pés e teste de Hintermann.
  Os principais parâmetros radiológicos para a avaliação desta patologia são: ângulo de inclinação calcâneo-solo, ângulo talo-primeiro metatarsiano e o ângulo de congruência talo-navicular. As opções cirúrgicas de sinovectomia, transferência tendinosa associada ou não a osteotomia do calcâneo ou artrodeses de tarso foram comentadas.
   A indicação para cada um dos procedimentos foi apresentada. Na série de pacientes exposta, um alto índice de dor (62% dos pacientes) na borda lateral do pé após o alongamento da coluna lateral foi observado. Foi recomendado o uso de artrodese nos casos de deformidades severas e irredutíveis. Como conclusão, a cirurgia de partes moles é recomendada somente para aqueles casos de deformidade leve.

 

Boletim da SBMCP  ANO 8 /NÚMERO 28  6

 

  José Antônio Veiga Sanhudo  
  
Membro da diretoria da  
   SBMCP e suplente do  
   Conselho Fiscal

 

Atualização no diagnóstico e tratamento das deformidades dos pequenos dedos
   As deformidades dos artelhos têm etiologia multifatorial.O tratamento conservador é paliativo, e o tratamento cirúrgico objetiva o restabelecimento da função, o alívio da dor e o uso de calçados adequados. O princípio dos dois eixos dos pés, um oblíquo e outro transverso, juntando-se ao nível do segundo raio, faz deste o mais suscetível ao desenvolvimento de deformidades. Muita discordância existe com relação à nomenclatura das deformidades dos dedos menores. As opções cirúrgicas mais indicadas para cada tipo de deformidade foram apresentadas, e a presença de retração de pele perpetuando a deformidade foi salientada.

Mesa-redonda moderna: tendões, ligamentos, artrites e inflamações
   Quatro casos foram debatidos entre os participantes. Num caso de sesamoidite lateral, a opção de uma abordagem da lesão e realização de perfurações foi apresentada e defendida por alguns participantes. A remoção do sesamóide lateral e os riscos potenciais deste procedimento foram debatidos. Num caso de hálux rígido, as opções de tratamento cirúrgico através da queilectomia, osteotomia da falange e artroplastia de Keller foram exaustivamente discutidas. A artrodese do hálux associada ao realinhamento metatarsal (remoção da cabeça dos metatarsianos menores) foi su7gerida como a melhor opção de tratamento num caso de antepé reumatóide. No joanete do quinto raio do ângulo 4-5 metatarsiano aumentado, as opções de correção cirúrgica através de osteotomias do tipo Chevron, Sponsel e diafisária foram debatidas entre os participantes e o auditório.

As tendências da medicina e cirurgia do pé para o século XXI
   As opções recentes e futuras para o tratamento das lesões osteocondrais do talo através da cultura de células foram apresentadas. As reconstruções nas seqüelas da fratura do tornozelo e as artroplastias do tornozelo apresentam-se atualmente como uma alternativa para a artrodese desta articulação. O uso da cultura de tecidos para reparo das lesões da cartilagem e o papel do desenvolvimento genético foram citados.

Síndrome do túnel do tarso, neuromas e outras patologias por compressão neural
   O papel discutível da eletroneuromiografia (ENMG) no diagnóstico e na avaliação da síndrome do túnel do tarso foi ratificado. Um longo período de sintomas e de atividade da patologia é necessário para que a ENMG detecte as alterações. O alto índice de falsos negativos limita a utilidade deste exame na síndrome do túnel do tarso. O tratamento conservador através do uso de órteses foi citado. O tratamento cirúrgico, mesmo com a adequada liberação dos ramos do nervo tibial posterior , apresenta altos índices de dor residual. A utilização pouco efetiva e arriscada das infiltrações nesta patologia foi reforçada. A abordagem conservadora do neuroma e as indicações de tratamento cirúrgico via dorsal nos casos primários e via plantar nos casos de recidiva foram sugeridos.

Tornozelo e pé nas artrites e doenças inflamatórias
   O pé é frequentemente acometido pelas doenças inflamatórias soronegativas: psoríase, Reiter e espondilite
anquilosante. Estas patologias tipiamente provocam um quadro de entesotopatia. As artrites por deposição de cristais tanto de urato de sódio (gota) como de pirofosfato de cálcio (pseudogota), frequentemente comprometem o pé. A artrite reumatóide em 16% dos casos manifestam-se inicialmente pelo pé, e com dez anos de doença estima-se que 100% dos pacientes apresentem cmprometimento dos pés. O tratamento destas patologias deve ser individualizado. Artrodeses limitadas às articulações sintomáticas são preferíveis às artrodeses múltiplas. É muito importante  a interação do reumatologista com o ortopedista.

Diagnóstico Diferencial da Dor no Calcanhar
   A dor por atrofia do coxim gorduroso é mais central do que a dor na fascite. Pacientes com processo inflamatório envolvendo a fascia plantar tem dor na região medial do calcanhar, na origem da fascia plantar junto ao calcâneo. Habitualmente, estes pacientes têm dor ao iniciar o apoio. Pacientes com quadro de fascite plantar bilateral devem ser investigados sistemicamente. O tratamento da fascite é conservador, sendo o procedimento cirúrgico reservado para os casos que não apresentam resposta após um período prolongado de tratamento conservador bem realizado. O tratamento com ondas de choque está tornando-se uma alternativa crescente. Infiltrações devem ser evitadas pelo risco de provocar rupturas.

Fratura dos Metatarsianos, Luxação de Lisfranc e Síndrome Compartimental
   A fratura de stress é mais comum no segundo e no terceiro metatarsiano. O diagnóstico precoce é importante e habitualmente realizado através da cintilografia ou ressonância nuclear magnética. As fraturas diafisárias do metatarsiano raramente requerem tratamento cirúrgico. Nas fraturas isoladas do colo, deve-se pesquisar fratura na base do metatarsiano vizinho. As fraturas da base do quinto metatarsiano devem ser diferenciadas entre avulsão, Jones e de stress. As fraturas por avulsão habitualmente respondem muito bem ao tratamento conservador, porém as fraturas de Jones e de stress apresentam uma tendência muito maior ao retardo de consolidação e a pseudoartrose e podem requerer uma intervenção cirúrgica. Nas fraturas de Lisfranc, é importante o diagnóstico precoce através de radiografia ou nos casos duvidosos, através da tomografia computadorizada. No tratamento das lesões de Lisfranc é importante que se observe a possibilidade de uma síndrome compartimental e que se obtenha uma redução anatômica dos fragmentos. A possibilidade de artrose pos traumática e reintervenção futura deve ser prevenida para o paciente. A síndrome compartimental pos traumática deve ser lembrada naqueles pacientes que apresentam dor além do esperado para o traumatismo sofrido e estar em mente para aqueles pacientes comatosos.

Lesões Graves e Complexas do Tornozelo e Pé 
   O traumatismo é hoje o maior responsável por lesões graves no pé e tornozelo. O revestimento externo do pé, principalmente na região plantar necessita de estabilidade para apoio e sensibilidade. Os passos de reconstrução de um traumatismo grave são os seguintes: debridamento, osteossíntrese, tenorrafias e reparo de nervos e, por fim, reparo do revestimento cutâneo. As opções para reparo do revestimento cutâneo são: enxerto de pele, retalho convencional ou retalho microcirúrgico. Os retalhos convencionais podem ser feitos por ortopedistas desde que bem treinados.

Fratura do Pilão Tibial
   Correspondem de 7 a 10 % das fraturas da tíbia. Observar lesão de partes moles associada. Freqüentemente há flictemas por clivagem da pele e que devem ser tratados adequadamente antes da abordagem definitiva. O tratamento cirúrgico recomendado atualmente é híbrido (fixação externa para dar suporte para fixação interna mínima).

Lesões Osteo-Articulares no Desporto
   A fratura de stress decorre no esporte de uma resposta adaptativa inadequada a uma solicitação anormal. Fatores etiológicos extrínsecos como o erro de treino (de intensidade ou de técnica) e o uso de calçados inadequados estão claramente associados a esta patologia. Dentre os fatores intrínsecos associados cita-se os distúrbios nutricionais, endócrinos(amenorréia) ou mecânicos( pé cavo, pé plano, etc..). A mulher branca de estatura baixa e com distúrbios hormonais é mais suscetível à fratura de stress do que outros indivíduos sem estas características. O diagnóstico precoce da fratura de stress é realizado através da cintilografia ou da ressonância nuclear magnética. O tratamento da fratura de stress é multidisciplinar envolvendo o treinador (orientação do treino correto), o nutricionista(o atleta necessita de mais cálcio na dieta). O tratamento ortopédico da maioria mas não todas lesões é conservador. O tratamento cirúrgico esta indicado particularmente naqueles casos com risco de fratura completa e deslocamento dos fragmentos. Concluindo, a prevenção é a melhor abordagem para estas lesões, mas uma vez ocorridas, deve-se investigar a sua origem, habitualmente decorrente de um desequilíbrio biomecânico.

Órteses de Cicatrização X Gesso de Contato Total
   A diabete melitus é atualmente a maior causa de pé insensível. Ela causa um aumento do sorbitol que se deposita no vasanervorum. O teste do monofilamento é muito importante e eficaz na detecção dos pés de risco para formação de úlceras neuropáticas. O trabalho envolveu pacientes com úlceras tipo I e II (classificação de Brodsky), ou seja lesões que não alcançavam o osso. As úlceras plantares no antepé são claramente prejudicadas pelo encurtamento do tendão de Aquiles. É importante que antes da colocação do gesso de contato total(GCT) a úlcera seja desbridada. O gesso de contato total reduz pressões principalmente na região do antepé e é muito importante que o paciente seja confiável e cooperativo para adesão a este tipo de tratamento.

 

7 * ANO 8 /NÚMERO 27 *  Boletim da SBMCP

 

 

 


Outubro 18 e 19
São Paulo - SP
Curso de Atualização em Cirurgia do Pé e Tornozelo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Informações: tel.: (11) 3549 0040

Outubro 30 a 2/11
São Paulo - SP
34 Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia
Informações: tels.: (11) 3168-3538/1149

2003 Maio 1 a 4

Vitória - ES
XI Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé
III Congresso Latino-Americano de Cirurgia do Pé e da Perna
II Congresso Pan- Americano de Cirurgia do Pé e da Perna
Informações: tel: (11) 3082 6919 / fax: (11) 3082 2518
email: sbmcp@sbmcp.org.br
http://www.pe2003.com

   Caro colega,
   Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, fundada em 1551, batizada como Ilha do Mel pelos índios, seus primeiros habitantes, está se preparando para recebê-lo em maio de 2003.
O charme e a beleza da Ilha de Vitória, junto com a culinária e a hospitalidade do povo capixaba, certamente irão lhe proporcionar um congresso inesquecível.
O Programa Científico está sendo elaborado de forma bem atraente.
Os convidados estrangeiros, de reconhecimento internacional, são do mais alto nível.

   Os temas livres, serão destaques em nossa programação, estando estabelecida a data de 31/12/2002, como o prazo final para recebimento dos resumos do trabalhos. Consulte o nosso site (www.pe2003.com) e veja o regulamento
   A programação social será bem agradável e não faltará oportunidade para um grande congraçamento entre todos nós, apaixonados pela medicina e cirurgia do pé.
   Programe-se e deixe agendado de 01 a 04 de maio de 2003 um encontro em Vitória.A Vitória do Pé.

Abraços, 

Roberto Lóra,
Presidente Executivo do Congresso

Temas oficiais
> Artroscopia
> Artroplastia
> Pé torto congênito
> Pé insensível
> Lesões tendíneas no atleta
> Pé politraumatizado
  Convidados estrangeiros
> Glenn B. Pfeffer (EUA)
> Richard D. Ferkel (EUA)
> Sandro Giannini (Itália)

Boletim da SBMCP  ANO 8 /NÚMERO 28  8

 

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