Uma publicação da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé   * Filiado à International Federation of Foot and Ankle Societies (IFFAS)


Dicas de

leitura

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Caros colegas e amigos
 

      ortopedistas

apaixonados pelas patologias do pé,


       Foot and Ankle
       International
    
  "Volume
      Brasileiro"
da
       Foot & Ankle

Estamos atravessando um período de calmaria
em nossa Sociedade.
O planejamento feito antes de assumirmos
o cargo de presidente está, aos poucos, se
concretizando através do trabalho incansável de
todos os membros dessa diretoria.

Reestruturamos o nosso Boletim através de um modelo gráfico mais moderno e atraente, mantendo o esqueleto tradicional. Implantamos nosso site na Internet que, entre outros serviços, lista os membros de nossa Sociedade no estado onde atuam.
Estamos trabalhando no projeto de fitas de video para colaborar na atualização de nossos sócios...
Contamos com a sua participação para continuarmos trabalhando no interesse da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé  e de você, membro.

 

Mauro Luiz Fuchs
Presidente da SBMCP

 

 


Metatarsagias:   
Marco    
conceptual    
fisiopatogênico    

        
Amputados:

         trabalho
         multidisciplinar

 

SBMCP: Alameda Lorena, 1304 -sl. 1108
CEP 01424-001 - São Paulo - SP - Brasil
Tel: (0xx11) 282 6919  Fax:  282 2518
site
:www.sbmcp.org.br e-mail:sbmcp@zaz.org.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Antônio Carlos Flores dos Santos
                    Editor médico

 


No último dia do mês de maio do corrente ano, a televisão nos noticiários noturnos (dito "horário nobre") anunciava, via satélite para todo o país, o reajuste das mensalidades dos planos de saúde, a partir de janeiro: 97% (noventa e sete por cento = de janeiro a maio)!!
No dia seguinte, primeiro dia de junho, as mesmas emissoras de televisão, também no mesmo horário dito nobre, anunciava que o governo (?) estaria elevando, em breve os preços dos combustíveis e criando mais um imposto.
No dia seguinte a este, outro anúncio, nos mesmos canais e nos mesmos horários, oe remédios estavam mais caros 47% (quarenta e dete por cento = a partir de maio-junho)!!.
E nós médicos? E nós médicos ortopedisas? E nós médicos ortopedistas e cirurgiões do pé?
Nós todos submetidos a uma inarredável tabela (tabela, lista...) de 1992 (mil novecentos e noventa e dois)!! Inertes. Estagnados! Submetidos!
A subdivisão da "Tabela", no que concerne à cirurgis do pé e tornozelo, então, anacrônica, incompleta, incoerente. Não contempla casos como, por exemplo, procedimento cirúrgico do pé cavo, levando-nos a utilizar  o processo de "semelhança diagnóstica"para conpletarmos os códigos de procedimentos na marcação de um ato operatório, levando-nos a verdadeiramente "compor" e "decompor" um ato operatório

 


em dois, três e, até quatro procedimentos, para conseguirmos definir a cirugia a ser realizada. E isto te, frequentemente, nos levado a discussões como os pagadores de serviços médicos, que elevam em 97% os seus ganhos, mas se negam ( e nem cogitam isto) a repassá-los a quem verdadeiramente os executa: o médico.
A SBMCP está muito preocupada com isto. Temos recebido correspondências, tanto individuais como de entidades, para que nos pronunciemo-nos a esse respeito.
Em reunião de diretoria, resolvemos que, mais do que pronunciarmo-nos, deveremos agir nesse sentido, partir ao encontro de soluções, reagir à inércia deste status quo.
A diretoria da SBMCP vai reagir a "Tabela" (lista, tabela...) da ortopedia-traumatologia do pé e tornozelo, trazendo à tona as suas deficiências e distorções. Com isso, queremos uma revisão emergencial dos seus ítens e de sua correspondente remuneração.
É um passo da caminhada.
É o início da caminhada.
Conclamamos nossos colegas das outras subespecialidades para que façam o mesmo. Nós teremos feito por nós mesmos.
E então, unidos e fortalecidos, imbuidos da melhor das intenções, teremos como nos colocar frente a frente com os compradores de serviços médicos e a eles dizermos: é assim o meu trabalho. Será assim a minha remuneração!

 

A artroplastia total

do tornozelo deve

ser objeto de estudo

dos cirurgiões

de pé e tornozelo

        Verônica Vianna
Editora médica

    
  1
Result of arthrodesis of the hallux metatarsophalangeal joint
     using bone graft for restoration of lenhgth
    Mark S. Myerson; Lew C. Schon; Francis X. McGuigan * Ali Oznur
     Foot and Ankle International, vol. 21, n.4, abril 2000
       As cirurgias de revisão pós-cirurgias para correção de hálux valgo são cada vez mais comuns, nem tanto como falência de uma artroplastia com implante-cirurgia pouco frequente em nosso meio -, mas como resultado de osteotomias metatarsais distais mal sucedidads, necrose da cabeça do metatarsiano ou artroplastias de ressecção que evoluiram com deformidade e metatarsalgia de sobrecarga.
      O artigo relata a experiência dos autores com a artrodese MF utilizando enxerto ósseo para restauração do comprimento do metatarsiano e sua consequente função.
    
  2 Kinematics of a total arthroplasty of the ankle: comparasion to normal
   James D. Michelson; Guy R. Schimidt & Mark S. Mizel
    Foot and Ankle International, vol. 21, n.4, abril 2000
 
  O trabalho busca explicação para a falência relativamente precoce das artroplastias de tornozelo através do estudo da cinemática de uma protése total de tornozelo comparada a de um tornozelo normal, em cadáveres.
    Tema em destaque no último Congresso da Academia Americana (AAOS), em Orlando, e aparecendo com maior frequência nas revistas especializadas, a artroplastia total do tornozelo é uma realidade cada vez mais próxima e deve ser objeto de estudo dos cirurgiões de pé e tornozelo.

 


Boletim da SBMCP 
*  ANO 6 /NÚMERO 19  *  2

  
 

 

 

 

 


Esta diretoria sente-se imensamente feliz por poder transmitir à Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé a conclusão dos arranjos para a edição de um volume Brasileiro da Foot & Ankle International. O dr. Lowell D. Lutter, editor-chefe da revista, está tão entusiasmado quanto nós com o projeto e colocou-se à inteira disposição de nossa Sociedade para que possamos conduzir, a bom termo, a apertada agenda que se inicia neste momento e deverá encerrar-se com a publicação dessa primeira revista com trabalhos brasileiros em, abril de 2001.
Os editores da revsita deixaram claro que não poderiam dedicar uma revista inteira exclusivamente aos trabalhos vindos do Brasil (ou de qualquer outro lugar do mundo), porque há uma tremenda pressão editorial dentro do próprio EUA. Dessa forma, devem ser selecionados de 6-8 trabalhos para essa primeira iniciativa.
Estamos convocando todos os interessados a enviar para a sede da SBMCP seus trabalhos até dia 31 de setembro de 2000, completos, em inglês e de acordo com as normas editoriais da Foot and Ankle International, que se encontram em todos os volumes da revista e também no site da SBMCP  (www.sbmcp.org.br). Nào espere a data limite para enviar seus trabalhos, pois estaremos repassando-os imediatamente para o Corpo Editorial nos EUA, a fim de facilitar os trabalhos, sem significar, contudo, prioridade ou privilégio.

 


A diretoria da SBMCP não fará qualquer seleção,encaminhando todos os trabalhos recebidos aoseditores da revista que os submeterá à análise costumeiramente aplicada a todos os manuscritos a eles submetidos. Como forma de auxílio adicional, a direção da Foot & Ankle International contratou os serviços de tradutores e intérpretes português/inglês que irão revisar e aprimorar os textos selecionados.
Participar ativamente na Foot & Ankle International e termos um volume que reúna autores brasileiros, significa um grande avanço da SBMCP no cenário internacional. Essa conquista resulta dos esforços conjugados e contínuos de todas as diretorias anteriores que foram conseguindo, passo a passo, na unha e no laço, nosso espaço e que resulta hoje nesta histórica oportunidade. Obrigado a todos que direta ou indiretamente colaboraram para que essa
meta fosse atingida.
Mãos à obra! Contamos com o seu trabalho!

 

 
Agenda do Volume Brasileiro da Foot & Ankle International

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Autores

Autores

Revisão

Revisão

Seleção

Jan

Fev

Mar

Abril

Gráfica

Gráfica

Distribuição

Público

 

Caio Nery
Vice-presidente da SBMCP

3 ANO 6 /NÚMERO 19    Boletim da SBMCP
 


Da esquerda para a direita:
Caio, Nancy Weil, Lowell S. Weil, Egydio e Mark Myerson

 

 

 

Foram três dias de

atividades compactas,

onde se recebeu um alto

fluxo de informação

especializada

 


O encontro de verão da AOFAS transcorreu em clima descontraído e informal, tendo, como pano de fundo, o maravilhoso cenário da cidade de Vail no Colorado. Mais uma vez, os presentes foram brindados com palestras e temas livres de altíssimo nível que , além de servir como atualização sobre temas clássicos de nossa especialidade, trouxeram novidades sobre os mais recentes assuntos.
Foram três dias de atividads compactas, onde se recebeu um alto fluxo de informação especializada - uma verdadeira imersão na medicina e cirurgia do pé - emanado das maiores autoridades mundiais.
Para dar uma idéia melhor, foram ministradas 24 conferências: 17 (71%) de palestrantes norte-americanos e 7 (29%) de colegas estrangeiros - Japão, França, Israel, Suiça, Argentina e Itália (2). Foram apresentados 45 temas livres: 37 (82%) de autores norte-americanos e 8 (18%) de autores de outros países - Canadá (2), Coréia, Suiça (2), Japão (2) e Alemanha. Se você estiver interessado, fizemos de todas as palestras e temas livres (em português) e, ainda, disponibilizamos os resumos  


oficiais dos Anais do Congresso.
Procure o link específico na página da SBMCP na Internet: www.sbmcp.org.br.
Tivemos a curiosidade de fazer uma estatística sobre o recurso visual utilizado e encontramos 50% dos palestrantes utilizando slides contra 50% utilizando multimidia. Entre os autores de temas livres, 60% preferiram apresentar seus trabalhos em multimidia contra 40% de autores que optaram pela clássica dupla projeção de slides. Parece que os dias dos slides estão contados.
Nossa comitiva contou apenas com três nomes ( Egydio, Décio e Caio), mas fizemos o impossível para parecer que havia uma centena de brasileiros no local. Separei uma foto histórica para nosso boletim: logo após ter declarado, em alto e bom som, que anda fazendo muito a osteotomia de Weil, o dr. Egydio teve a satisfação de conhece-lo pessoalmente e não perdeu a oportunidade de sair nessa foto entre o Mark Myerson e o próprio Weil. Que grata surpresa, dr. Egydio, além de estar dando atenção às boas idéias, mesmo que tenham sido produto da mente de podiatras, está permitindo até ser fotografado ao lado deles... quem diria?

 
 
Caio Nery
Vice-presidente da SBMCP
 

Boletim da SBMCP  ANO 6 /NÚMERO 19   4

 

 

 

Secretaria

* Não deixe de atualizar seu cadastro na secretaria da Sociedade
* Quem estiver interessado em obter seu diploma de sócio Titular, entrar em contato
com a secretária da Sociedade - Srta. Hui Li - através do tel: (0xx11) 282-6919 ou
Telefax: (0xx11) 282-2516.
* O custo do diploma é de R$50,00 mais despesas de Sedex para sua cidade.
Verificar o valor e procedimento referente ao depósito com a secretária.

 

   

 

   1° Curso sobre o Pé
   Insensível - O Pé
   Diabético - Prevenção,
   Clínica, Cirurgia e
   Amputações estão indo
   de "vento em popa"     

   Nelson Astur

 

Com grande satisfação, comunico que os preparativos para o primeiro Curso sobre o Pé Insensível - O Pé Diabético -Prevenção, Clínica, Cirurgia e Amputações estão indo de "vento em popa".
O curso irá se realizar nos dias 6 e 7 de outubro de 2000 no anfiteatro da Soc. Bras. de Ortopedia e Taumatologia - SBOT, na rua São Sebastião 650 - Brooklin - São Paulo.
Já confirmados, teremos o D. John H. Browker, do Serviço do Pé Diabético, do Jackson Memorial Hospital da Universidade de Miami, e o Dr. Michael S. Pinzur, do Serviço do Pé Diabético, 

 

 

da Loyola University Medical School de Chicago.
Haverá tradução simultânea e a taxa de inscrição para os membros da nossa sociedade é de R$ 80,00.
É a primeira vez que faremos um curso específico sobre esta patologia que tão pouco conhecemos e que teremos a oportunidade de, num fim de semana, aprender com dois dos maiores expoentes neste tema nos Estados Unidos.
Reserve estas datas, e vamos nos encontrar aqui em São Paulo em outubro.
 

 

 

 

  Metatarsalgias:
marco conceptual fisiopatogénico
Introducción: Las metatarsalgias son la expresión dolorosa de un conjunto
multiforme de patologías que asientam en el antepié, con diferentes etiologías,
interpretaciones fisiopatogénicas y tratamientos

Néstor Horacio Natiello  
(nnatiello@csf.com.ar)  
President de la Sociedad  
Argentina de Medicina y Cirurgía  
del Pie y Pierna (SAMECIPP);  
miembro Honorario de la  
Sociedad Brasilera de Medicina  
y Cirugía del Pie (SBMCP);  
fundador de la Federación  
Latinoamericana de Medicina y  
Cirugía del Pie (FLAMECIPP);  
miembro Titular de la   
International Federation of Foot   
and Ankle Societies (IFFAS)  

 


La normalidad del apoyo anterior

La normalidad del apoyo anterior dependía(4), clásicamente, de cuatro fatores dos estructurales y dos funcionales.

1. La formula metatarsal es la relación de longitud anatómica real entre los metatarsianos. Lelievre (3) ha descipto tres tipos de pie en función de esta relación:

Index Plus Minus (28%)  (1=2 3>4 >5)
Index Minus        (56%)  (1<2>3>4>5)
Index Plus          (16%)  (1>2>3>4>5)
El canon ideal, el que podríams denominar de fisiológico, es el Index Plus Minus.

2. La incidencia metatarsal: es el ángulo formado por los metatarsianos con el plano de apoyo, en vista lateral o de perfil. cada metatarsiano "llega" al suelo con una inclinación fisiológica distinta; el primero de 18 a 25 grados, el segundo de 15, el tercero de 10, el cuarto de 8 y el quinto metatarsiano de 5 grados. El promedio es de 12,5o. Existe una relación entre ángulo de incidencia y descarga del peso del cuerpo decripta por Lelievre (3) según la cual a mayor ángulo mayor descarga, de acuerdo con el modelo del paralelogramo de las fuerzas y las leyes físicas de descomposición de vectores.

3. El apoyo cefalometatarsal: ha sido motivo de controversia (3,4,5). No existe un arco anterior durante el apoyo bipodálico pues apoyan todas las cabezas.Sin embargo no tods las cabezas descargan el mismo peso. Tanbién Lelievre (3) describió un canon "normal" de la distribuición del peso en cada metatarsiano: 2-1-1-1-1. Si en la bipedestación la mayor decarga se ocurre por el cuarto (9,10) en la marcha, que es la forma habitual de uso del pie, la mayor descarga se hace por el primero (3) ya que es el único que en algún momento del paso apoya sólo.

4. La mobilidad dorsoplantar: depende de la movilidad en las articulaciones basales de los metatarsianos (cunometatarsales y cubo metatarsales) y se expresa en la mayor o menor "elevación" a la que puede llegar un metatarsiano solicitado por el apoyo. Esto es lo que Jesús martorell martorell (7) llama alineación frontal en carga. Son también clásicas  las descripciones de la movilidad dorsoplantar normal (6,8,10). Todas coinciden en adjudicar al I y V metatarsianos la mayor movilidad, y al II la menor. Sin embargo Pisani (9) ha demostrado que el metatarsiano con menor capacidad 


para la flexión dorsal es el IV debido a la especial  conformación anatómica de su articulación basal. Para Martorell (7,8), en cambio, es el segundo.

Fisopatologia del apoyo anterior
El apoyo anterior norml o fisiológico depende, entonces, de la normalidad de los cuatro factores mencionados:
- fórmula metatarsal armónica
 (Index Plus Minus: 1=2>3>4>5)
- ángulo de incidencia metatarsal adecuado
- apoyo cefalometatarsal proporcionado   (2-1-1-1-1)
- movilidad dorsoplantar suficiente

La alteración  de uno o más de ellos generará un desequilibrio de esa normalidad, hsbitualmente en el sentido de una sobrecarga que se expresará por una metatarsalgia. Se trata de metatarsalgias biomecánicas por sobrecarga o de apoyo. El mecanismo de estas metatarsalgias responde a la sobrecarga directa  de los metatarsianos o a la sobrecarga indirecta por insuficiencia de otros, sea por acotamiento de unos, fijeza de otros, aumento o disminución de su incidencia ode su apoyo.

Un esclarecedor elemento nuevo
El advenimiento de nuevos métodos diagnósticos (1) ha introducido un elemento que permite una comprensión fisiopatogénica más completa de la producción de las metatarsalgias. Se trata de la velocidad del paso y, consecuentemente, del tiempo de poyo de los metatarsinos.

La baropodometria electrónica computarizada (2) ha permitido el análisis dinámico de la marcha y el apoyo. esto permitió medir la velocidad del paso y del tiempo durate el cuál un determinado segmento o área de la planta (vgr.: cabezas metatarsales) apoya en el suelo y descarga peso.
Si la ecuacion peso por superficie determina la presión que ejerce una fuerza, la ecuación presión por tiempo determina el hiperapoyo. Una presión aumentada aplicada durante poco tiempo resulta asintomática. Una presión cercana o vecina a la normal aplicada durante más tiempo que el debido va a originar una metatarsalgia.
Esto permite comprender mejor comoactúan las alteraciones de los factores clásicos; o umenta la presión o, lo más frecuete, aumenta el tiempo de apoyo. Un metatarsiano más largo o más fijo apoya durante más tiempo. En un pie equino, o cavo o calzado con taco alto es todo el antepié el que apoya durante mayor tiempo que lo normal. Y por eso se produce la metatarsalgia.

 
 

 

Boletim da SBMCP  ANO 6 /NÚMERO 19   6

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Marco Antônio Guedes

Pacientes com cotos de amputação inadequados, com pouca ou nenhuma chance de obter sucesso na protetização, não seriam encaminhados a um serviço de reabilitação protética caso os cirurgiões responsáveis pela cirurgia tivessem conhecimento de todo o processo que envolve a reabilitação do paciente amputado e soubessem como uma prótese é adaptada a um coto de amputação. Com certeza, muitos destes cotos inadequados sequer seriam criados, pois o conhecimento do processo de reabilitação impediria os cirurgiões de cometer tais imperícias.
Na urgência, como no caso de amputações traumáticas ou de infecções graves, como gangrena gasosa, na maioria das vezes, as amputações serão realizadas por cirurgiões não especializados no procedimento e, adicionalmente, as condições do momento podem não permitir a realização da cirurgia no nível ideal e definitivo. O cirurgião, nestes casos, deve estar consciente de que seu trabalho será o de preservar o máximo comprimento do membro, respeitando o limite determinado pelo trauma ou pela infecção. Uma vez contornada a situação de urgência, um especialista poderá intervir criando, em condição eleiva, o coto de amputação ideal. este cirurgião precisa fazer parte de uma equipe de reabilitação para possuir o conhecimento que lhe permite realizar a melhor cirurgia para cada caso.
O pessoal de enfermagem será solicitado a esclarecer as dúvidas apresentadas pelo paciente e seus familiares. Para tanto, precisa conhecer as bases do programa de reabilitação para os diferentes níveis de amputação, as complicações decorrentes de uma postura inadequada no leito e na cadeira de rodas, o que é dor fantasma e como diferenciá-la da sensação fantasma, etc.
O fisioterapeuta deve ter conhecimento suficiente da doença que motivou a amputação para saber conduzir o seu trabalho, buscando o melhor resultado sem submeter o paciente a riscos desnecessários. Deve ter noção do procedimento cirúrgico para os diferentes níveis, do tempo de cicatrização de cada um, etc. Precisa conhecer intimamente os aparelhos protéticos e ter habilidade de alinhá-los tanto estática como dinamicamente, bem como fazer pequenos ajustes como, por exemplo, da altura do aparelho. A construção de uma prótese é um processo progressivo. À medida que o paciente, sob orientação fisioterápica e após ter o seu coto preparado para receber a prótese, ajusta-se ao encaixe e consegue descarregar melhor o peso do corpo sobre a prótese quando caminha, é que será possível a realização do alinhamento dinâmico.
O protesista, que fabrica o encaixe, que é por sua vez, a interface entre o coto e a prótese, precisa ter conhecimento anatômico e fisiológico que lhe permita avaliar um coto à inspeção e à palpação. Dessa forma, será capaz de identificar problemas como atrofias importantes, neuromas aderidos à cicatriz, espículas ou irregularidades ósseas, desvios da mobilidade articular, etc. Poderá, então, tentar resolvê-los através de ajustes e modificações da prótese. Se isto não for possível, encaminhará o paciente ao profissional adequado. Sua formação deve ser conduzida de forma a habilitá-lo a opinar em relação ao nível de amputação mais adequado para um paciente e ter a sua opinião considerada. Deve conhecer a marcha humana e ser capaz, junto com o fisioterapeuta, de fazer com precisão o alinhamento do aparelho protético.
Como podemos ver, este é um trabalho de equipe. Não existe possibilidade de ser sistematicamente bem executado por profissionais isolados, pois exige a participação de especialistas de diferentes áreas do conhecimento. 

Esta exigência torna necessária a criação de um território comum de conhecimento que permita a comunicação entre diferentes profissionais. Cada um aprende um pouco do trabalho dos outros e o paciente é o grande beneficiado.
Para que o tratamento do amputado possa ser feito respeitando este conceito de trabalho de equipe, é preciso que sejam criados centros de reabilitação providos de oficina ortótica e protética. estes centros, por sua vez, estarão preferencialmente ligados a um hospital, onde as cirurgias de amputação possam ser realizadas. Dessa forma o paciente não terá seu tratamento truncado nem correrá o risco de ser encaminhado, após a amputação para uma oficina protética isolada, que se limitará a fornecer-lhe uma prótese, sem que tenha passado pelo processo de maturação do coto e pelo treinamento fisioterápico. Não podemos, também, esquecer que a prótese só pode ser corretamente ajustada, à medida que o paciente progride no seu uso, o que exige um trabalho coordenado entre o protesista e o fisioterapeuta.
Quando encaminhado diretamente à oficina, a chance de conseguir adaptar-se a uma prótese passa a ser bem menor, tornando-se menos provável, ainda quando se tratar do paciente amputado clássico: idoso, possivelmente diabético, com dificuldade de equilíbrio, enxergando mal e com uma série de outros comprometimentos de saúde associados. Estes pacientes dificilmente terão uma segunda chance de reabilitação. Um pequeno ferimento no coto de amputação, resultante de um encaixe mal feito, pode ter consequências desastrosas, como, por exemplo, a mudança do nível de amputação de transtibial para transfemoral. A possibilidade de o membro remanescente estar sob risco devido a isquemia ou neuropatia é grande. Estas condições, além de precisarem ser diagnosticadas, implicam em medidas profiláticas ou terapeutas de ordem clínica ou até cirúrgica em algumas situações. na maioria das vezes, existe a necessidade de ser prescrito um calçado adequado para proteger o pé. Pacientes com este perfil têm pouca condição de deslocamento, tornando muito difícil, senão inviável, o seu atendimento de maneira descoordenada e em lugares diferentes para cada tipo de atenção.
A oficina, pertencendo ao centro de reabilitação, permitirá uma considerável redução do preço final dos aparelhos, porque o seu custo operacional será reduzido. Isso pelo fato de estar instalada no mesmo espaço físico do centro de reabilitação. Haverá, por exemplo, um melhor aproveitamento dos funcionários gerais, como recepcionistas e secretárias, que poderão servir a mais de um setor. Outras despesas básicas, como impressos, telefones, fax, instalações sanitárias, etc, serão também divididas com os outros setores. O aparelho protético, fabricado no mesmo local onde é realizada a fisioterapia, terá os ajustes feitos rapidamente e com maior eficiência, pois o resultado de uma modificação será constatado de imediato pelo fisioterapeuta. Isto, além de aumentar muito a chance de um melhor resultado funcional, também vai contribuir para uma redução de custos imediatos e em longo prazo.
O conceito de atendimento em equipe visando reabilitação, com os devidos ajustes, pode ser aplicado a todo tipo de patologia, que necessite cuidado fisioterápico intensivo e aparelhamento protético ou ortótico. São elas as plegias temporárias ou definitivas, sejam por trauma ou por doença, as sequelas de traumatismos, envolvendo a perda de função parcial ou total de uma ou mais extremidades, as deformidades da coluna, as doenças neurológicas e articulares degenerativas, etc.


setembro  22 a 24                         

XV Congresso Argentino (II Congresso Latino Americano y I Congresso Panamericano) de Medicina e Cirurgia del Pie y la Pierna
I Jornada da Rehabilitación en Pierna, Tobillo y Pie - Buenos Aires, Argentina
Tel.: (54-11) 4958-6447/Fax.: (54-110 4958-1497
e-mail: zsimon@intramed.net.ar
Secretaria do Congresso: Tels.: (54-11) 4786-5731/4785-3772 - e-mail:
time@house.com.ar

setembro 28 e 29 

2nd Foot and Ankle International Coarse
European Foot and Ankle Society
Bologna - Italia
Tel.: 0039-051 583217/0039-051 6447911
e-mail:
giannini@ior.it

 


outubro  6 a 7                               

1‘ Curso do Pé Insensível - Pé Diabético
Auditório da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia - São Paulo

novembro  1 a 5                         
XXXII Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia
RioCentro, Rio de Janeiro - RJ
Tel.: 0800 557268 - e-mail: rio2000@sbot.org.br

2 a 5
Pé e Tornozelo Abrangentes: Conceitos Atuais e Soluções Práticas
Phoenix, Arizona (EUA) - Tel.: 602 963-6655

2001/abril   18 a 21
X Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé - Club Med - Village Rio das Pedras, Mangaratiba - RJ
Vagas limitadas - Inscrições antecipadas:
www.cbmcp.com.br

 

Boletim da SBMCP  ANO 6 /NÚMERO 19  8

 

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