Uma publicação da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé   * Filiado à International Federation of Foot and Ankle Societies (IFFAS)


Dicas de
leitura

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Caros colegas e amigos
 

      ortopedistas

apaixonados pelas patologias do pé,


         Primeiro

          Congresso
         do novo milênio

Estamos iniciando um trabalho de poucas glórias e muito suor, mas este era um dos objetivos de nossa vida. Nessa empreitada, temos ao nosso lado uma diretoria entusiasmada e participativa

Esperamos que este clima continue no decorrer de 2000-2001. Procuraremos não decepcionar nossos associados. Pretendemos realizar algumas modificações, mas sempre indo ao encontro dos interesses do associado. Sabedores de que encontraremos algumas discordâncias e objeções, garantimos que as nossas diretrizes apontarão sempre no sentido do fortalecimento da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé

Mauro Luiz Fuchs
Presidente da SBMCP

 

 


Visita ao reino 
mágico da 
ortopedia americana 

 

   como eu trato

 

SBMCP: Alameda Lorena, 1304 -sl. 1108
CEP 01424-001 - São Paulo - SP - Brasil
Tel: (0xx11) 282 6919  Fax:  282 2518
site
:www.sbmcp.org.br e-mail:sbmcp@zaz.org.br

 

 
 

 

 

 

 

           Verônica Vianna  
          Editora médica


No primeiro Boletim da Sociedade Brasileira  de Medicina e Cirurgia do Pé, publicado em outubro de 1994, consta do editorial: "Os compromissos em curto prazo se referem à assiduidade trimestral e ao exercício de uma tribuna científica e cultural ao alcance de todos os membros sa SBP*.  E assim tem sido o nosso Boletim, ano após ano, cada vez mais aprimorado em sua diagramação e sempre com temas de importância. Veículo aguardado com expectativa, o crescimento de quatro para oito páginas mostra sua importância no seio da Sociedade. Fiel aos compromissos já mencionados, a atual diretoria da SBMCP tem plena consciência de que o seu tempo é marcado pela celebridade dos acontecimentos, pela informação em tempo real, pelo impacto visual, tudo impulsionado pelos avanços da 


informática e da tecnologia de ponta. E' o grande mundo que se transforma na pequena aldeia, onde o espaço-tempo está ao alcance de nossas mãos. Não fosse por isso, à nossa própria inquietação movida pela vontade indômita  de inovar, fazendo sempre o melhor, obrigaria a mudanças. Transformações somente possiveis porque plantadas numa base sólida deixada por nossos antecedentes.
Formulamos um modelo mais ousado sob o pontode vista gráfico, multicolor e co mais fotos, preservando o esqueleto tradicional. O novo milênio estimula novas idéias.Novos tempos estão marcados pela interatividade. Esboçamos algumas mudanças.
As grandes mudanças entretanto, só serão levadas a termo na medida em que o nosso Boletim se transforme no fruto da interação de um grande número de associados.

 

     * Antiga sigla da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé

 

 

Numa época em que

são estimulados os

procedimentos

cirúrgicos em regime

ambulatorial, ganham

importância os

bloqueios anestésicos

 

 

 

            Sérgio Vianna

       1 Clinical outcome after primary triple arthrodesis
     Richard F. Pell, IV, M.D.; Mark Myerson, M.D. and Low Schan, M.D.
     Journal of Bone and Joint Surgery, vol. 82-A, n. 1, janeiro 2000
 
    Os autores estudam com profundidade aspectos inerentes à tríplice artrodese primária. Lastreado em competente revisão da literatura, o trabalho envolve 132 pés com follow-up médio de 5,7 anos. Concluem que o método é efetivo no controle da dor e dos déficits funcionais. Embora com alta prevalência de artrose pós-operatória do tornozelo, mostram que não existe relação direta entre a satisfação do paciente e a artrose detectada radiograficamente.
     2 Rupture of Achilles tendon
   
Nicola Maffuli, M.D. M.S., Ph.D., F.R.C.S. (Orth)
     Journal of Bone and Joint Surgery, vol. 81-A, n. 7, julho 1999
    
Trata-se de um trabalho de revisão que enfoca tema com vários pontos polêmicos. Calcado em bibliografia extensa - 193 trabalhos -. aborda aspectos interessantes, como biomecânica do tendão, corticosteróides e ruptura, fluoroquinolonas e ruptura, efeitos de imobilização após ruptura, tratamento conservador e cirúrgico, manejo pós-operatório dos atletas entre outros. Ë um trabalho para ser lido e sempre revisitado.
    
     3 Popliteal fossa neural blockage as the sole anesthetic technique for
     outpatient foot and ankle surgery
    
Eric Hansen, M.D.; Martha R. Eshelman, M.D. and Andrea Cracchiolo III, M.D.
     Foot and Ankle International, vol. 21,n.1, janeiro 2000
Numa época em que são estimulados os procedimentos cirúrgicos em regime ambulatorial, ganham importância os bloqueios anestésicos. Especialmente a técnica que motivou este trabalho tem seu valor aumentado na medida que, além de dar condições para cirurgia e promover analgesia pós-operatória prolongada, permite o uso do manguito pneumático proximal na panturrilha
  
     4 Hallucal sesamoid pain: causes and surgical treatment
  
  E. Greer Richardson, M.D.
   
Journal of the Academy of Orthopaedic Surgeons, vol. 7, n. 4, julho/agosto 1999
O autor, da Campbell Clinic, aborda, de forma bem sistematizada, as causas de dor ao nível dos sesamóides e as respectivas opções de tratamento, não sem antes deter-se em detalhes da anatomia e das etapas da exploração diagnóstica.

 

 


Boletim da SBMCP 
*  ANO 6 /NÚMERO 18  *  2

 

 

Primeiro Congresso
do Novo Milênio


Foi dada a bandeirada de partida para o X Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé. Conforme vontade da última assembléia, realizada em São Paulo, o local escolhido foi o Club Md de Rio das Pedras, em Mangaratiba (Rio de Janeiro), e a data, 18 a 21 de abril de 2001. O lugar é privilegiado, razão pela qual, além de um programa científico bem-cuidado, esperamos criar um clima de verdadeira confraternização.
As atividades científicas deverão enderrar-se às 14 horas, ficando o restante de cada dia disponível para os esportes e o lazer, ao lado da família e amigos. Como convidados estrangeiros, estão confirmados: Roger Mann, Mark Myerson e James Nunley. O primeiro dispensa qualquer apresentação. Myerson, já nosso conhecido, discorrerá sobre aspectos bem atuais da cirurgia do pé. Nunley, da Duke University, na Carolina do Norte, tem formação em microcirurgia, sendo ex-presidente da 


American Orthopaedic Foot and Ankle Society. A nossa primeira correspondência tem dois objetivos básicos: fazer com que cada um reserve em sua agenda o período do congresso e lembrar que, face às características do local do congresso, as inscrições terão número limitado.
Ao par de informações adicionais, que serão remetidas oportunamente, todos poderão, a qualquer momento, inteirar-se sobre detalhes do local do congresso, programação, convidados, inscrições e agência de viagem oficial, bastando dirigir-se ao nosso endereço na internet: www.cbmcp.com.br
Numa fase inicial, o nosso site estará recebendo observações e sugestões dos colegas, o que consideramos essencial nesta fase de planejamento.
Prepare seu tema livre, seu poster, e acumule bastante energia para que, em abril de 2001, desfrutemos de profunda felicidade. 

 

 

 

 

Para o X Congresso
Brasileiro de Medicina e
Cirurgia do Pé, além de um programa científico bem-
cuidado, esperamos criar
um clima de verdadeira confraternização
 

 

Sérgio Vianna                           
Presidente do X Congresso Brasileiro
de Medicina e Cirurgia do Pé

    
 

 

 


Estamos inaugurando com alegria nossa página na Internet. O endereço é www.sbmcp.org.br Venha visitar-nos. Você verá que, embora em construção, ela já está bastante atrente. nela será possível, por exemplo, acessar todos os exemplares do nosso Boletim. Os eventos científicos e sociais previstos para o ano estarão todos relacionados, bem como os nomes de todos os nossos associados em dia com a anuidade. Aliás, isso será bastante atraente, pois tanto colegas nossos como pessoas da comunidade poderão pesquisar e encontrar,

 

 

 


classificados pelo estado onde atuam, quais os especialistas em cirugia do pé na sua região.
A história da Sociedade estará relatada lá, bem como saborosos casos contados pelos fundadores da mesma, como o prof. Nápoli, que para tal, será entrevistado em breve.
Informações de ordem prática, como balancetes, pautas de reuniões, convocações, adesão on line, enfim, um instrumento moderno e de excelente utilidade.
Não deixe de nos visitar e interagir deixando sua mensagem.

 

 

 

 
 
Marco A. Guedes               
     
3 * ANO 6 /NÚMERO 18 * Boletim da SBMCP



Da esquerda para a direita:  
1. Fernando Fonseca Filho  
2. Antônio Augusto Couto de   Magalhães  
3. Nelson Astur  
4. Luiz Philippe Vasconcellos  
5. Verônica Vianna  
6. Mauro Fuchs   
7. Sérgio Vianna   

 

 

 


Tivemos a oportunidade de comparecer ao 67° Encontro da Acadêmia de Cirurgiões Ortopedistas (AAOS) dos EUA, denominado Winter Meeting (só no nome porque o calor foi grande), realizado entre 15 e 19 de março de 2000 na cidade de Orlando, na Flórida.
Realmente, trata-se de um evento magnânimo, projetado para receber de 25-30 mil ortopedistas de todos os países do mundo. A começar pelas dimensões gigantescas da estrutura física de seu Centro de Convenções, preenchido com uma distribuição criteriosa e funcionários dedicados e atenciosos que em sua maioria, pertencem a faixa etárea mais elevada (exatamente o oposto da Disney World), sendo possível, apesar de tal volume de médicos presentes, realizar a inscrição e receber seu crachá em menos de dez minutos, o que demonstra toda a eficiência e pujança financeira de uma organização de Primeiro Mundo.
O aspecto científico, como era esperado, situou-se em um nível extremamente elevado, colocando os congressistas em contacto com as pesquisas mais avançadas e as técnicas mais recentes nos mais variados campos da ortopedia e traumatologia. Obviamente nossa atenção esteve voltada para a área do pé e tornozel, em que foram ministrados vários cursos, entre os quais assistimos os seguintes: Artroscopia do pé e tornozelo", em que foi demonstrado sua importância, instrumentais, portais e, principalmente, chamando a atenção para não perdermos esse campo para colegas de outras subespecialidades; "Pé Diabético", em que abordaram as classificações diferentes cuidados prévios, como órteses e higiene, os tratamentos cirurgicos, desde os desbridamentos mais conservadores até as amputações. Esse é o assunto do momento nos EUA, a tal ponto que elegeram este ano como ö ano do diabético"; chamaram a atenção para o fato de que o número de diabéticos aumentou no mundo, e o especialista em pé e tornozelo ainda não assumiu o tratamento dessa patologia de maneira radical e efetiva; "Manuseio dos problemas comuns do consultório médico", em que mostraram, de forma clara e até histriônica, como devemos policiar nossos funcionários de clínica ou consultório, otimizando nosso tempo, que é a chave de nosso "ganha pão", tomando o cuidado de esquematizarmos nosso agendamento diário de modo prático e ágil
sem desperdiça-lo com futilidades; "Patologias 


comuns do pé e tornozelo", que foi um curso de quatro horas no qual vários especialistas tentaram, de modo sucinto e direto, abordar as mais variadas consultas clínicas e cirúrgicas em diferentes patologia do pé  e tornozelo.
Nossa delegação esteve representada pelo atual presidente da SBMCP, Mauro Fuchs, acompanhado pela sempre elegante primeira dama, o recém eleito vice-presidente da SBMCP, Caio nery, em busca de novos conhecimentos, e sua inseparável primeira assistente Cybele, Sérgio Vianna e sua sempre simpática filha Verônica, Nelson Astur, tão extasiado pelo pé diabético que fez uma dieta de doces, Fernando Fonseca, revelando sua faceta de "Rui Chapéu", Ricardo Cardenuto, sempre anotando todos os detalhes nas aulas, sabendo até o número do calçado do Roger Mann, Cláudio Gholmia, investindo dólares em roupas e cosméticos, com propósitos definidos, Sérgio Vieira, fazendo peregrinações pelas lojas de departamentos, Roberto Santin, cortejado por latinos americanos ávidos por seu conhecimento, Vicente, atualizando sua informática com um lap top de última geração, Augustão, com sua esposa e assistente Cotói, desbravando Orlando em um carro vermelho e super veloz.
Encerrando o Encontro, tivemos no sábado o "Dia da Especialidade", que foi muito proveitoso, com informações e debtes, sendo seu término coroado com um animado coquetel-jantar no Sea World.
Foram servidos camarões e lagostas à vontade que apesar de estarmos no Sea World, onde eles eram os anfitriões, foram devorados por todos. durante a recepção tivemos a oportunidade de confraternizar com vários colegas americanos, como Brodsky, do Texas, pessoa maravilhosa e coloquial, que fala fluentemente o espanhol, porém mostrou alguma dificuldade em alcançar a mesa para apanhar os camaroes; M. Sheref, Sammarco que apesar de muito simpático conosco, foi considerado discretamente "claudicante"; Mark Myerson, muito atencioso, mas descuidado, deixando cair seu bigode antes do Meeting; Luther, atual diretor da revista F&A, e sua secretária "brasileiríssima" Raquel, a quem agradecemos pelos 15 minutos de atenção com nossa comitiva. Além é claro, do Mickey Mouse, Pato Donald e Pateta (que não é este que vos escreve), que mandaram beijos a todos.

 

  O aspecto científico,   
  como era esperado,
  situou-se em um nível
  extremamente elevado

 
por Antonio A. C. Magalhães                                                                                                    
    

Boletim da SBMCP  * ANO 6 /NÚMERO 18 *   4

 
 

Secretaria

* Não deixe de atualizar seu cadastro na secretaria da Sociedade

* Quem estiver interessado em obter seu diploma de sócio Titular, entrar em contato com a secretária da Sociedade - Srta. Hui Li - através do tel: (0xx11) 282-6919 ou Telefax: (0xx11) 282-2516.
* O custo do diploma é de R$50,00 mais despesas de Sedex para sua cidade. Verificar o valor e procedimento referente ao depósito com a secretária.

 


Na última reunião do Comitê de Cirurgia do Pé e Tornozelo do Rio Grande do Sul (Comcip/Sot-RS), no dia 13 de dezembro de 1999, foi realizada a mais que merecida homenagem ao nosso maior representante, o dr. Egon Henning. O Comcip colocou nas dependências do Sot/RS, na sede da Amrigs, uma placa de agradecimento ao professor por todos estes anos de convivência e ensinamentos

As reuniões contam

 sempre com a presença

 de profissionais dos

 principais hospitais da

 capital e de alguns do

 interior do estado


O reinício das atividades no ano 2000 se deu no dia 13 de março, e as próximas reuniões já estão programadas para a segunda segunda-feira de cada mês, na sede da Amrigs. estas reuniões contam sempre com a presença de profissionais dos principais hospitais da capital e de alguns do interior do estado.
Seguindo uma recomendação da Aofas (The American Orthopaedic Foot and Ankle Society), temos programado, para este ano, dois diabetic foot screenings


ou seja pacientes com diabetes serão entrevistados e examinados pela equipe do Comcip para avaliação das condições gerais dos pés, principalmente para a presença ou não de neuropatia. Como parte da programação científica do Comcip, teremos ainda o "Curso do Pé e Tornozelo", que será realizado nos dias 1 e 2 de dezembro de 2000, no anfiteatro do Hospital mãe de Deus, e contará com a presença de dois ortopedistas  renomados do nosso país.

por José Antonio Veiga Sanhudo                                                                              

* ANO 6 /NÚMERO 18 * Boletim da SBMCP
 

 

 

 

    Antonio Carlos F. dos Santos 
Editor médico  

 A Memória de Idylio

 


O homem grande, com os olhos transparentes, através dos quais se enxergava sua alma.(já disseram que os olhos sào as janelas da alma e ali isto era pura verdade). O homem grande com o sorriso fácil, porque era fácil perceber nele uma alegria constante, bastando estar junto a colegas, aos amigos. (Embora todos soubessem por ele próprio que sua saúde não andava lá essas coisas). 
O homem grande que era todo afeto.
O homem grande que ensinava, que aprendia.

 


Que também ficava quieto a escutar o que eu lhe dizia.
O homem grande que nào mais veremos. Mas sentiremos, todos, por muito tempo (enquanto a memória alcançar, e memória é coisa que se cultiva e treina), a sua presença pelos corredores dos congressos, pelos bancos de reuniões, pelos encontros da vida, como uma sombra sorridente e um abraço eminente.

 

 
              Variação no tipo de patologias observada no
           Ambulatório de Pé do Hospital de Clínicas de Porto Alegre

 

 

 

 

   

O que está     

acontecendo com a      

atenção primária à      

saúde em nosso meio?      

 

 

 

 

    Egon E.  Henning    
Em 22 de fevereiro de 2000     

 


A excessão das deformidades congênitas, sempre temos atendido as mais variadas patologias de pés adultos e infantis. Nos últimos tempos, há mais de um ano temos notado a ocorrência de casos muito evoluídos ou agravados, como sequelas de fraturas ou fraturas-luxações; pés artríticos; pés diabéticos; e sequelas de lesões neurais de origem traumática ou outra.
A constatação deste agravamento do perfil patológico da nossa clientela é preocupante e provoca a pergunta: o que é que está acontecendo com a atenção primária à saúde de nosso meio? São as pessoas que estão se tornando mais desleixadas com relação à saúde? Por certo que não! Mas então deve ser a prestação de assistência que está falhando na sua base. Até que ponto os ambulatórios de bairro, os postos de SUS, os consultórios dos "convênios", os postos e serviços de urgência estão sendo resolutivos? Estão realmente conseguindo aplicar medidas efetivas que evitem o agravamento de moléstias ou lesões para, assim reduzir internações hospitalares e gastos vultuosos em tratamento complexos? Quer nos parecer que não. As razões mais aparentes dessa lastimável ineficiência dos cuidados primários da saúde reside na má gestào dos serviços do SUS, no desaparelhamento dos ambulatórios e hospitais municipais e regionais e na falta de fornecimento de medicamentos e outros recursos, apenas para citar algumas deficiências. Paradoxalmente, custeiam-se procedimentos de alta complexidade, como transplante de órgãos em alguns centros de excelência".  Deve ser por isso que este nosso hospital de ensino deve enfrentar esta 

 


onda de casos "intratados" ou"mal tratados" que, infelizmente, já podem ser ïntratáveis" quando aqui chegam, depositando em nosso atendimento sua última esperança. Temos de lamentar, na origem destes casos difíceis, a omissão de cuidados médicos primários, como confecção de uma tala ou prescrição de uma órtese para prevenir o pé equino numa lesão do nervo fibular, ou a redução incruenta urgente, embora imperfeita, de uma fratura luxação do tornozelo antes da colocação de uma tala gessada e de encaminhamento para tratamento cirúrgico em outro serviço (onde o paciente só será atendido após algumas semanas, na realidade atual).
Acredito que fatos semelhantes estejam ocorrendo em muitos outros serviços de referência de nosso país e penso que através de nossas sociedades médicas, tanto SBMCP como SBOT, podemos promover algumas iniciativas para tentar amenizar a sorte de futuros pacientes "in-sub" ou "maltratados".
Certamente, muitas e melhores idéias ocorrerão aos colegas ao ler estas observações. Animo-me, contudo, a sugerir que se elaborem e se proponham aos órgãos públicos gestores da saúde algumas providências. Melhor ainda, se pudermos fazer um alarde através da mídia a respeito de tais medidas. Mas também precisamos fazer um trabalho de educação e conscientização em cima de colegas e do público, através de cursos e campanhas. Não seria nada fácil, nem empreendimentos de fôlego curto. Seria uma jornada longa, exigindo o engajamento de muitos, porém seria altamente meritória.

 
   

Boletim da SBMCP  * ANO 6 /NÚMERO 18 *  6

 

 

A insuficiência, ruptura ou disfunção do tendão tibial posterior, que era considerada uma raridade no início da década de 80, tornou-se um diagnóstico habitual e cada vez mais frequente nos dias de hoje

 
   


A insuficiência, ruptura ou disfunção do tendão tibial posterior, que era considerada uma raridade no início da década de 80, tornou-se um diagnóstico habitual e cada vez mais frequente nos dias de hoje. Nenhuma patologia da região do pé e tornozelo ganhou recentemente tanta popularidade como esta. A ruptura do tendão tibial posterior é indubitavelmente a maior causa de pé plano adquirido no adulto e, embora alguns fatores estejam claramente associados a esta patologia, não se sabe até o momento, a causa exata das alterações presentes neste tendão. Diabetes, hipertensão arterial sistêmica, hipercolesterolemia, corticoterapia e história de cirurgia prévia na região medial do tornozelo são atualmente os fatores mais aceitos como predisponentes para o desenvolvimento da lesão. Observa-se, ainda, que pacientes com pé plano valgo  congênito são particularmente propensos ao desenvolvimento da insuficiência do tendão posterior, e credita-se esta predisposição ao fato de que estes pacientes demonstram em estudos eletroneuromiográficos, uma atividade redobrada do tendão durante a marcha.
Existe uma área de hipovascularização no tendão tibial posterior (TTP) , assim como ocorre com o tendão supra-espinhoso no ombro. Esta área tem, aproximadamente, 14 mm de extensão e está localizada aproximadamente 4cm proximal à inserção do tendão no navicular. É nesta região que, habitualmente, ocorre a ruptura.
O diagnóstico da disfunção do tendão tibial posterior (DTTP) é eminentemente clínico, sendo a radiografia necessária para que se descarte patologias mais raras (articulação de Charcot, sequela de trauma, etc..) e para que se avalie o grau de deformidade e a presença ou não de osteoartrose nas articulações envolvidas. Exames mais específicos para avaliação da integridade do tendão, propriamente dito, devem ser reservados para casos mais duvidosos. A ressonância nuclear magnética é, sem dúvida, o exame que, se bem executado e interpretado, pode nos dar o maior número de informações em relação ao estado do tendào tibial posterior. Deve-se ter em mente  que a ruptura completa do TTP é bastante rara e, na imensa maioria dos casos, mesmo em pacientes  com patologia avançada e deformidade severa, encontraremos alterações intratendinosas com um grau variado de rupturas longitudinais promovendo um alongamento deste tendão. Sabe-se que a excursào total do tendão tibial é em torno de 1 cm e, desta forma, se as alterações previamente descritas provocam um alongamento desta magnitude, o que é habitual, teremos um tendão completamente insuficiente, embora apresente continuidade na sua estrutura macroscópica.
Clinicamente, a DTTP 


apresenta-se, na maioria das vezes, num paciente feminino com mais de 40 anos de idade e com pé plano valgo bilateral, mas com a deformidade mais severa no lado sintomático. A severidade da queda do arco longitudinal medial e de todas as deformidades decorrentes da ruptura tendinosa tem relação direta com a idade da disfunção. O "sinal dos dedos a mais"e da incapacidade de elevação monopodal, embora não sejam patognomônicos da DTTP, são altamente sugestivos da mesma.
A cirurgia é atualmente o único meio comprovadamente capaz de impedir a progressão desta patologia e, desta forma, deve ser indicada sempre que o diagnóstico tenha sido estabelecido e não haja contra indicações para o procedimento.
A classificação de Johnson&Strom separa em graus a DTTP baeada na apresentação clínica da deformidade. No grau ou estágio I, existe uma degeneração leve do tendão em alongamento do mesmo, ou seja, não existe deformidade evidente, mas sim um quadro típico de sinovite do TTP envolvendo , principalmente, a região retromaleolar medial. O grau II demonstra uma deformidade em plano valgo mostra-se inteiramente flexível (redutível), tanto do retro quanto do antepé. No grau III, a mesma deformidade em plano valgo mostra-se rígida ou irredutível, com ou sem deformidade em supinação do antepé (presente nos casos mais graves). O grau IV foi introduzido por Myerson e compreende o grau III associado ao comprometimento do tornozelo pela deformidade em valgo.
O tratamento deve ser dirigido especificamente para o estagio da deformidade  no momento da cirurgia. Muitos autores sugerem a sinovectomia como procedimento isolado no tratamento de pacientes no estágio I, eu porém, nào desperdiço a oportunidade de reforçar o tendão tibial posterior com a transferência do tendão flexor longo dos dedos (TFLD) nestes casos. na minha experiência, nesta fase é muito raro o paciente procurar a orientação médica e, se o fizer, poderá não receber o diagnóstico correto. É no grau II que os pacientes mais comumente se apresentam ao médico e é neste grupo de pacientes que se localiza as maiores controvérsias na literatura. Pacientes nsta fase foram tratados por muito tempo pela sinovectomia associada a transferência do TFLD, contudo vários estudos demonstram que ocorre uma detoriação dos resultados com o passar dos anos (segundo alguns autores até 50% dos pacientes podem apresentar recidiva dos sintomas após dois anos da cirurgia). Observou-se ainda que em muitos daqueles pacientes classificados como bons resultados não 

  Diabetes, hipertensão

  arterial sistêmica,

  hipercolesterolemia,

  corticoterapia e história

  de cirurgia prévia na

  região medial do 

  tornozelo são

  atualmente, os fatores mais

  aceitos como 

  predisponentes para o

  desenvolvimento da lesão

 

  José Antônio Veiga Sanhudo

 


* ANO 6 /NÚMERO 18 * Boletim da SBMCP

Artrodeses são

procedimentos exagerados

para um paciente com

uma deformidade flexível

e passível correção 

pela osteomia

havia uma melhora da deformidade, mas somente a inibição de sua progressão. Desta forma, procedimentos adicionais foram desenvolvidos para proporcionar resultados mais duradouros ou mesmo promover a correção da deformidade. Dentre as várias opções de tratamento para os pacientes no estágio II, estão as osteotomias do calcâneo ( de deslocamento ou de alongamento da coluna lateral, mas esta última com a adição de enxerto ósseo tricortical) e as artrodeses isoladas (de uma ou duas articulações do retropé). O que parece claro, atualmente, é que procedimentos de partes moles isoladamente não são suficientes para restabelecer o alinhamento ósseo anatômico e que os procedimentos ósseos isoladamente são incapazes de fornecer o suporte dinâmico necessário para sustentação do arco longitudinal medial. Desta forma, a associação dos dois procedimentos se torna bastante atrativa. Artrodeses, mesmo que limitadas a uma ou duas articulações, são, a meu ver, procedimentos exagerados para um paciente com uma deformidade flexível e passível de correção pela osteotomia, que não sacrifica nenhuma das articulações nem restringe a mobilidade. A   osteotomia de deslizamento medial do calcâneo (Koutsogiannis) tem uma grande capacidade de correção do valgo do retropé e, quando associada a transferência do TFLD, leva, em minha experiência, resultados muito satisfatórios. Pacientes com um 

grau acentuado de abdução do antepé podem alcançar mais benefícios com o alongamento da coluna lateral associado ou não à osteotomia de Koutsogiannis. Não podemos esquecer que estes procedimentos só estão indicados nas deformidades flexíveis.
No grau III é que aparecem indiscutivelmente as indicações para artrodese. A meu ver, a tríplice artrodese tem um papel limitado nesta patologia, só sendo indicada para casos com deformidade severa e com o envolvimento das três articulações. Nos casos de deformidade rígida, a escolha é a transferência do TFLD associada à artrodese da articulação talo-navicular e, em casos selecionados da articulação subtalar. A talo-navicular é a minha área predileta de artrodese nestes casos, porque é nesta articulação que podemos ter o melhor controle, tanto da abdução do antepé como do valgismo so retropé. A artrodese da articulação calcânea-cubóide é, ao meu ver, desnecessária na maioria dos casos, devendo considera-la somente quando apresenta-se com osteoartrose sintomática. No grau masi avançado (estágio IV) não nos sobra outra alternativa, senão a artrodese das articulações envolvidas e enrijecidas, inclusive o tornozelo.

julho   13 a 15                                       
AOFAS Summer Meeting - Vail, Colorado (EUA)
Tel.: (1-800) 235-4855 (AOFAS) 
e-mai: 
aofas@seanet.com

setembro  22 a 24                              
XV Congresso Argentino (II Congresso Latino Americano y I Congresso Panamericano) de Medicina e Cirurgia del Pie y la Pierna
I Jornada da Rehabilitación en Pierna, Tobillo y Pie - Buenos Aires, Argentina
Tel.: (54-11) 4958-6447/Fax.: (54-110 4958-1497
e-mail:zsimon@intramed.net.ar
Secretaria do Congresso: Tels.: (54-11) 4786-5731/4785-3772 - e-mail:
time@house.com.ar

28 e 29 
2nd Foot and Ankle International Coarse
European Foot and Ankle Society
Bologna - Italia
Tel.: 0039-051 583217/0039-051 6447911
e-mail:
giannini@ior.it

 

outubro  6 a 7                               
1‘ Curso do Pé Insensível - Pé Diabético
Auditório da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia - São Paulo

novembro  1 a 5                         
XXXII Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia
RioCentro, Rio de Janeiro - RJ
Tel.: 0800 557268 - e-mail: rio2000@sbot.org.br

2 a 5
Pé e Tornozelo Abrangentes: Conceitos Atuais e Soluções Práticas
Phoenix, Arizona (EUA) - Tel.: 602 963-6655

2001/abril   18 a 21
X Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé - Club Med - Village Rio das Pedras, Mangaratiba - RJ
Vagas limitadas - Inscrições antecipadas:
www.cbmcp.com.br

Boletim da SBMCP  * ANO 6 /NÚMERO 18 *  8

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