Sociedade Brasileira
de
Medicina e Cirurgia do  Pé
SBMCP

 

Filiada ao Colégio Internacional de Medicina                 
e Cirurgia do Pé                  
Alameda Lorena, 1304 - sala 1108 - CEP 01424-001 - São Paulo - SP - Brasil                 
Tel. (0xx11) 3082-6919 /Telefax (0xx11) 3082-2518                 
E-mail: sbmcp@sbmcp.org.br  / site: www.sbmcp.org.br                 

   ANO 5

NÚMERO 16

         SETEMBRO DE 1999

  

Editorial

 

Virtudes, Homenagem

Nem a solenidade de um busto de bronze ou a pretensa perpetuação de um retrato bem composto estão a salvos da corrosão do tempo...

São as virtudes, o cotidiano, as características raras do homem e de sua obra, a única possibilidade do indelével: a memória...

A convicção, os conhecimentos aprofundados, frutos da vivência prática, associadas à magistral didática, baseada numa extraordinária simplicidade expositiva, confluíram para torná-lo figura relevante no cenário internacional dos cirurgiões afeitos à Patologia do Pé.

Os instantâneos de suas visitas ao Brasil trazendo, em sua bagagem , toda uma “Escola de Cirurgia do Pé”, conceitos consagrados e praticados por todos seus discípulos e sobretudo, seu carisma e amizade ficarão permanentes naqueles que se enriqueceram com estes flagrantes de convivência.

Infelizmente, esta Homenagem é Póstuma!

Faleceu em Hartford – Connecticut, USA, no dia 16 de julho, nosso formidável Mestre e inesquecível “Amigo dos Ortopedistas Brasileiros”:

Doutor Vincent J. Turco

Antônio Egydio de Carvalho Jr.
Presidente

                      boletim               

   Editorial                                           1
   Antônio Egydio de Carvalho Jr.
  Sugestões de Leitura                      2
  Walter Whitton Harris
 
Notícias                                         2/3
  Sucesso dos Ortopedistas no 12º
  Congresso Mineiro 

 
Ricardo Malaquias de Miranda
 
Conselho Federal de Medicina
 
Cinquentenário de Fundação do
  Hospital Anchieta (1949-1999) 

 
Manlio Napoli, Marcio Benevento e 
  Alfonso Apostólico Netto
  Comitê de Cirurgia do Pé -
  Espírito Santo

  Roberto Casotti Lóra
  Diploma de Sócio Titular
  Seção Livre                                  3/5
  Pressão de Dessangramento e
  Garroteamento dos Membros
  Inferiores: Cuidado!  

  Jorge Watanabe

  Dr. Donald E. Baxter envia carta 
  à SBMCP

 
Donald E. Baxter

  Hipercolesterolemia familiar
 
Antônio Carlos Flores dos Santos 
  Disfunção do Tendão Tibial Posterior
 
Mauro Luiz Fuchs
  Cavo medial de antepie (hiperapoyo
  de la cabeza del 1
º metatarsiano) 
  A. Macklin Vadell, D. NiñoGomes, F.
  Rodriguez Cadtells e F. Salas
  Nosso Amigo Turco 
  Manlio Napoli

 
Como eu Trato                                6
  Neuroartropatia de Charcot no Pé
  Diabético
 
  Ricardo Cardenuto Ferreira

  Seção Cultural                                7
  ComPÉsição sem PÉ nem Cabeça
  (dos metatarsianos..)
 
Abrão Altman
  Eleições Diretoria - Biênio 2000/2001
  
Convocação 
  Antonio Egydio de Carvalho Jr.

 
Anote em sua Agenda                   8
 
Atividades de 1999   
 
Tesouraria                                     8
 
Nelson Astur Filho

 .

     1  

 

sugestões de leitura

 

Involvement of the Foot and Ankle in Patients with Gaucher Disease
Katz, K.; Kornreich, L.; Horev, G.; Ziv, N.; Soudry, M.; Cohen, I J. - Foot & Ankle 20(2): 104-107, Feb 99.

Onze de 48 crianças com Doença de Gaucher tipo I apresentaram comprometimento dos pés e tornozelos, surgindo pela primeira vez na adolescência. O seguimento foi de três a 27 anos (média 10 anos). Os AA. revisaram as histórias clínicas e radiografias. Os pacientes apresentaram quatro tipos de quadros dolorosos: seis (com sete episódios de dor) reclamaram de dor surda, classificada como não específica; sete (11 episódios) tiveram dor forte devido a agudização; dois (dois episódios de dor) tiveram dor moderada progressiva devido a fraturas patológicas, e um paciente apresentou tornozelos dolorosos e edemaciados devido a artrose. Os achados clínicos e laboratoriais numa agudização são semelhantes a osteomielite  aguda. Já se descreveram pacientes sendo submetidos a drenagem cirúrgica por erro diagnóstico. A Ressonância Nuclear Magnética é muito útil no diagnóstico diferencial. Nos pacientes dos AA., observou-se  hemorragia intramedular e subperiostal subaguda, como se descreve na fase inicial de osteonecrose. A cintilografia óssea, no início da crise óssea, mostra áreas com menor captação. Segundo os AA., todos os pacientes com dor óssea devem receber tratamento enzimático para prevenir complicações esqueléticas. 

Intermediate to Long-term Follow-up of Medial-approach Dorsal Cheilectomy for Hallux Rigidus
Easley, M. E.; Hodges Davis, W.; Anderson, R. B. - Foot & Ankle 20(3): 147-152, Mar 99.

A queilectomia dorsal da primeira articulação metatarsofalângica por via de acesso medial pode levar a alívio evidente de dor e melhorar a função do hálux rígido leve para moderado, apesar de quadro artrítico progressivo e/ou perda de mobilidade. Estudaram-se 57 pacientes (75 pés) que tiveram insucesso com tratamento conservador. Fez-se a ressecção da superfície  articular dorsal da cabeça do primeiro metatarsal e dos osteofitos dorsais através de via medial, que também permitiu a liberação capsular plantar e remoção de osteofitos laterais. O seguimento foi por três anos (média 63 meses). A dorsiflexão média melhorou de 19º para 39º e a excursão média de 34º para 64º. Radiologicamente, no pré-operatório, havia 17 pés com grau I, 39 com grau II e 12 pés com grau III de degeneração articular. No seguimento, observou-se que havia 17 pés com grau I, 26 grau II e 40 grau III. Trinta e dois pés pioraram um grau, 6 pioraram dois graus e 28 pés não apresentaram alteração de grau (12 dos 28 eram grau III pré-operatoriamente). Um esporão dorsal recidivou em 21 pés, nove dos quais sintomáticos. Houve duas infecções superficiais e quatro parestesias transitórias do hálux que se resolveram sem seqüelas. 

Results After Cheilectomy in Athletes with Hallux Rigidus
Mulier, Thomas et al. - Foot & Ankle 20(4): 232-237, Apr 99.

Vinte atletas (22 pés) foram submetidos a queilectomia por hálux rígido graus I e II de Regnauld. A idade média foi de 31 anos (sexo masculino 10 e feminino 12) com um acompanhamento médio de 5,1 anos. Todos os pacientes faziam esportes de alto desempenho (judô, atletismo, futebol e esqui). As indicações para cirurgia foram: insucesso com tratamento conservador, com dor persistente durante atividades esportivas, problemas no uso de calçados e bursite recidivante. A finalidade do estudo foi para se avaliar os resultados clínica, radiológica e objetivamente, usando mensurações pododinográficas estáticas. Após uma média de 5 anos, pôde-se demonstrar que a queilectomia foi um método de tratamento confiável em atletas com hálux rígido graus I e II. Funcionalmente, houve 14 resultados excelentes, sete bons e um resultado regular. Observou-se uma progressão radiológica em sete de 13 pacientes, com seguimento acima de 4 anos. Os achados pododinográficos mostraram alterações moderadas, porém significativas, na pressão máxima sob a cabeça do primeiro metatarsal, hálux e no centro da distribuição pressórica sob o antepé

Walter Whitton Harris

 

notícias

Sucesso dos ortoPÉdistas no 12º Congresso Mineiro

 

Após a criação do “Clube do Pé” em Belo Horizonte, muita coisa mudou no interior desta Minas Gerais. Além dos interesses comuns no estudo das patologias do pé, nosso grupo se conheceu melhor e nos tornamos bons amigos. Posso afirmar com toda convicção que não existe estrelismo e predomina um grande respeito mútuo. Pode-se dizer que formamos uma equipe unida. Antes do “Clube do Pé” - criado em maio de 1998 - os colegas “podologistas” e “podófilos” (êta  nomezinho feio!), quase não se conheciam e mal se cumprimentavam, quando de um evento qualquer. Agora, pelo contrário, temos necessidade de reunirmos para trocar experiências, discutir trabalhos, sanar dúvidas e muito, muito a dizer!!! Vejam o que aconteceu no último congresso mineiro de ortopedia, realizado em julho deste ano: Já o começamos com um dos nossos participando da comissão científica (Dr. Wagner Vieira da Fonseca) com a finalidade precípua de “entrarmos de sola neste congresso”! O resultado foi: 3 mesas redondas (tempo de 180 minutos); 1 curso de patologia do pé (tempo de 60 minutos); 3 sessões de temas livres  (tempo de 360 minutos).

As apresentações de patologias do pé, pasmem, foram  de 600 minutos, ou seja, 10 horas! Trinta e nove ortopedistas mineiros estiveram envolvidos nestas aulas.
Todos ficaram impressionados com o nível científico da turma (inclusive nós mesmos). No congresso mineiro anterior, o tempo total, contando conferências, mesa redonda e temas livres foi de 2 horas e 55 minutos. Houve um pulo de 155% em nossas participações. Além disso, contamos com a presença de colegas de outros estados e do convidado especial Dr. Antônio Egydio de Carvalho Jr., que encantou a todos com seu conhecimento, didática e simplicidade.
Para quem não sabe, Belo Horizonte é a capital dos botecos. No último dia, fomos a um deles com Dr. Egydio e Dr. Idyllio (não é dupla sertaneja) para tomarmos uma cervejinha e comer um “PÉzinho de porco” porque, afinal, ninguém é de ferro!

Ricardo M. de Miranda

 

 

Conselho Federal de Medicina

 

O Conselho Federal de Medicina (CFM) convida membros, professores e pesquisadores dessa entidade para enviar artigos sobre questões científicas do campo da Sociedade., nos moldes dos publicados no Jornal MEDICINA do CFM. Os artigos deverão ser enviados aos cuidados do Conselho Científico do referido Jornal, para avaliação por parte do mesmo e posterior publicação, com as seguintes especificações: 

disquete contendo artigo com 80 linhas para uma página e 160 linhas para duas páginas, 105 toques por tinha, corpo 12, espaço simples, folha A4 e Word para Windows. Enviar anexo uma foto colorida que não seja 3 x4. Endereço: SGAS 915 Lote 72 - CEP: 70390-150    Brasília  -  DF. Tel. (0xx61) 346-9800  /  Fax (0xx61) 346-0231 / Site  http://www.cfm.org.br

retornar ao início

 

                2   

 

notícias

Cinquentenário de Fundação do Hospital Anchieta (1949-1999)

Nos dia 3 e 4 de dezembro, o Hospital Anchieta fará realizar a XXII Jornada dos Ex-estagiários, e haverá uma programação especial para comemorar o 50º aniversário de sua fundação.
O Hospital iniciou suas atividades em 1º de Agosto de 1949, na Rua da Liberdade, nº 709. Seus fundadores, Paulo Canton, Manlio Mario Marco Napoli, Eurico Toledo de Carvalho, João de Azevedo Lage e Mario Andreucci tinham em mente criar um instituto dedicado somente à Ortopedia e Traumatologia segundo os moldes de atendimento e orientação científica semelhantes aos adotados no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Nos anos seguintes a 1949, sucessivamente, outros colegas vieram se associar ao hospital: Alan Ferreira Braga, Tomei Arakaki, Atair Barros Trindade, Fausto Corrêa, Antônio da Silva Guidio, Laercio de Holanda Cardoso, Eduardo da Frota Carrera., Márcio Benevento e Eduardo Pedro Puccinelli. Entre os anos 1956 e 1958, conseguiram construir o atual prédio situado na Rua Pedro de Toledo, nº 1118.

A partir de 1958, o hospital passou a ser padrão na especialidade, tratando-se de instituição particular e dedicado exclusivamente ao atendimento de pacientes portadores de traumas e afecções ortopédicas do aparelho locomotor. Nestes últimos três anos, iniciou amplo plano de reformas para melhoria das atuais instalações.Na comemoração do seu cinqüentenário, estão previstas a vinda de conferencista estrangeiro e programação científica, com conferências, mesas redondas tradicional e moderna e temas livres.
No encerramento, na noite de sábado, haverá homenagem aos fundadores, ex-residentes, colaboradores e outras personas gratas, com a entrega de medalhas comemorativas do cinqüentenário.
A Comissão Organizadora conta com a presença de todos.

Manlio Napoli
Márcio Benevento
Alfonso Apostólico Netto
 

Comitê de Medicina e Cirurgia do Pé Espírito Santo

A Cooperativa de Ortopedia e Traumatologia do Espírito Santo, em conjunto com a Regional da SBOT, criou comitês de especialidades. O nosso comitê encontra-se devidamente estruturado, promovendo reuniões mensais e atividades científicas, com propostas de atualização e união dos colegas que se dedicam à Cirurgia do Pé. Pretendemos viabilizar publicações científicas, ampliar nossa participação em eventos e aumentar o intercâmbio com os colegas da especialidade.
Telefone para contato: (0xx27) 325-3183 / E-mail: cootes@vix.nutecnet.com.br

Roberto Casoti Lóra
coordenador - Comitê do Pé - Cootes-Sotes 

Diploma de Sócio Titular

Quem estiver interessado em obter seu Diploma de Sócio Titular, entrar em contato com a secretária da Sociedade, Srta. Hui Li.

Telefax   (0xx11) 282-2518
Telefone  (0xx11) 282-6919

O custo do diploma é de R$50,00, mais o valor do Sedex para a sua cidade. Verificar o valor e o procedimento referente ao depósito com a secretária. 

 

seção livre

Pressão de Dessangramento e Garroteamento dos Membros Inferiores: Cuidado!

 

O dessangramento e garroteamento dos membros inferiores é um procedimento de rotina nas cirurgias do pé. A pressão necessária e suficiente para a cirurgia proposta pode ser calculada com base na Pressão de Oclusão, que é a pressão necessária para interromper o pulso pedioso. Ela pode ser calculada pela expressão matemática:

Po = (Ps - Pd). C  x  Pd 
 
3. L

Po = Pressão de Oclusão>    
Ps = Pressão Arterial Sistólica
Pd = Pressão Arterial Diastólica   
C = Circunferência do Membro
L = Largura do Manguito Pneumático

A Pressão de Garroteamento deve ser superior à de Oclusão porque esta, como a pressão arterial sistólica, pode sofrer consideráveis flutuações intraoperatórias. Contudo, uma pressão exageradamente elevada é indesejável e favorece lesões teciduais anatômicas e/ou funcionais. Uma pressão aquém da desejada pode elevar a pressão venosa de 5 a 7 mmHg (congestão venosa e hemorragia petequial). De forma empírica, a pressão para membro inferior pode ser de 250 a 350 mmHg. Baseado na pressão sistólica, a Pressão de Garroteamento deve ser acrescida de 100 a 150 mmHg, ou dobrar o valor da pressão arterial sistólica. Existem outras fórmulas matemáticas para determinar o valor exato da pressão de garroteamento, mas elas são complicadas e difíceis de serem aplicadas na prática. Com relação à faixa de Esmarch, a experiência clínica indicará como agir, mas

um conceito de muita importância  é o de que cada volta superposta da faixa tem efeito aditivo; quatro ou cinco voltas são, em geral, suficientes para o que se pretende. Outros fatos bem estabelecidos: 1) a pressão tecidual exata dificilmente será corretamente avaliada, embora se julgue a tensão aplicada na faixa; 2) tensões de aproximadamente 50 N (atingida com um mínimo de estiramento), 125 N (obtida com aplicação rotineira de equipamento) ou 175 N (próxima do limite de tensão das faixas) podem ser conseguidas com faixas de Esmarch de boa qualidade e com 8 cm de largura; 3) o ápice da pressão subcutânea depende diretamente da tensão aplicadas à faixa elástica e do número de voltas executadas podendo, em caso de mau uso, ultrapassar 1000 mmHg; 4) a pressão tecidual sob o torniquete, no ponto médio da largura deste, aumenta com a profundidade dos tecidos moles; 5) há uma concentração de pressão nos tecidos profundos, que chega a superar a pressão subcutânea máxima; nas margens do torniquete esta é menor; 6) os planos faciais não produzem efeitos de concentração ou proteção na distribuição da pressão; os tecidos moles dessangrados comportam-se como um sólido homogêneo; 7) a região que mantém pressão acima de 95% da pressão subcutânea máxima é mais ampla que com torniquete pneumático.
SAIBA MUITO MAIS : “Dessangramento e Garroteamento de Membros” - Altamiro dos Reis Júnior  Serviço Médico de Anestesia  (Hospital Oswaldo Cruz). Ed. Atheneu, 188 páginas, 1998.

Jorge Watanabe

 

retornar ao início

 

3      

seção livre

Dr. Donald E. Baxter envia carta à Sociedade Basileira de Medicina e Cirurgia do Pé

Prezados Colegas Cirurgiões do Pé e Tornozelo:

Quero agradecer a todos a oportunidade de visitar o Brasil e apresentar conferências no Congresso da sua Sociedade. Tive uma viagem maravilhosa. Aproveitei muito minha visita a São Paulo, quando freqüentei muitas festas e restaurantes. Em especial, gostei muito da minha visita ao Salvador, onde fui recepcionado por Dr. Gildásio Daltro. Dr. Antonio Egydio de Carvalho foi comigo para garantir que não me envolvesse em nenhuma confusão. Ele atuou como minha escolta.
Agradou muito minha viagem a Buenos Aires, Argentina, quando fui recebido por Dr. Nestor H. Natiello. Fiz um belíssimo tour pela cidade de Buenos Aires e pude assistir, juntamente com Dr. Natiello, a duas apresentações de tango. Em Montevideo, Uruguai, fiz ótimas visitas às praias e aproveitei muito a hospitalidade. De lá, fui para o Rio, onde fui acolhido por Sérgio e Vera Vianna e também por Verônica Vianna, com mais programas sociais e hospitalidade.
Quero agradecer ao Dr. Augusto César Monteiro, Presidente do 9o Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé, por me convidar para o Congresso Brasileiro do Pé. Quero agradecer também aos membros da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé, bem como aos da Sociedade Argentina e da Sociedade no Uruguai, pela sua afável consideração.
Espero fazer outras visitas à América do Sul, uma vez que admiro o povo, a cultura e os idiomas e, especialmente, a música.
Atenciosamente,

Donald E. Baxter

 

Hipercolesterolemia familiar

Na revista Foot & Ankle International de maio de 1999 (vol. 20, nº5) apresentou-se um artigo – relato de caso – sobre um paciente com 45 anos com xantoma no tendão de Aquiles bilateral, como primeiro sinal clínico da Hipercolesterolemia Familiar (HF). Os autores fizeram uma revisão da literatura e salientaram a importância de os cirurgiões ortopédicos se familiarizarem com esta doença.
A HF compromete o sistema cardiovascular, principalmente pelo alto risco de aterosclerose coronariana. A degeneração xantomatosa do Aquiles e patognomônica da HF.
Cerca de três semanas antes de receber a supracitada revista, ao recepcionar uma paciente de 42 anos no consultório, observei pequenas manchas amareladas nas suas pálpebras e lembrei-me de um colega que, apresentara estas tais manchas e recebera, ele, o diagnóstico de hipercolesterolemia familiar. São os xantelasmas periorbitais. Quando, na anamnese, a paciente referiu-se a seus tendões de Aquiles, ambos como no artigo, lembrei-me de um caso operado pelo Prof. Osny Salomão no HC/FMUSP em 1994, quando de meu estágio no Grupo do Pé, e o diagnóstico se fechou. A ressonância nuclear magnética apenas ilustrou academicamente o caso.
É assim. Temos em mãos casos de publicação internacional. É preciso que nos organizemos melhor. Em tempo: A paciente “ainda” não quer ser operada...

Antônio Carlos Flores dos Santos

 

 Disfunção do Tendão Tibial Posterior

O termo Disfunção do Tendão Tibial Posterior (DTTP) está ocasionando algumas interpretações indevidas. Parece-me oportuno discutir algumas eventualidades. Durante o XI Congresso Sul Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia (Foz do Iguaçú, 1999), este tema esteve em debate e algumas dúvidas pairaram sobre a terminologia da DTTP.
Várias entidades patológicas abrigam-se sobre esta denominação. Por exemplo, um paciente com 40 anos de idade, recebeu a prescrição de realizar caminhadas, após consultar seu cardiologista. Apresentou dor e aumento de volume na face medial do retropé. Neste caso, trata-se de uma tenossinovite do TTP, de bom prognóstico, e o tratamento fisioterápico é suficiente. A orientação para uso de palmilhas e atividades progressivas são conselhos úteis.
Em outras situações, a DTTP pode ter caráter crônico e progressivo, afetando mulheres no período do climatérico. As alterações hormonais interferem na vascularização dos tecidos colágenos, podendo comprometer tendões e ligamentos. O ganho de peso, característico desta época, determina a ação mecânica de sobrecarga destes elementos de sustentação. Portanto, deve-se suspeitar da lesão intrínseca do TTP, em graus variados, nas mulheres em torno dos 50 anos com história de dor acima de 3 meses. O exame clínico deve ser valorizado e dele deriva a conduta específica:
a) dor, aumento de volume, varização do calcâneo, evolução menor que seis meses – iniciamos o tratamento com palmilha, antiinflamatório, fisioterapia e, excepcionalmente, gesso. 
b) dor, aumento de volume, sem varização do calcâneo, deformação do calçado – devemos pesquisar, utilizando recursos de imagem, tais como ecografia ou ressonância nuclear magnética. O tratamento desses casos pode levar em consideração a tenólise do TTP e, na dependência da lesão intrínseca do TTP, haverá necessidade de transposição do tendão flexor longo dos dedos.
c) as mesmas queixas que acima, com valgismo acentuado do retropé, mas ainda com mobilidade subtalar – tratamos estas pacientes com transposição do tendão flexor longo dos dedos e associadamente a técnica da osteotomia varizante descrita por Napoli. 
d) nos casos mais avançados, com degeneração artrósica, a melhor solução é a artrodese tríplice.
Verificamos, portanto, que existe um espectro de gravidade relacionada a uma única denominação de DTTP.

Mauro Luiz Fuchs

 

retornar ao início 

4    

 

seção livre

Cavo medial de antepie (hiperapoyo de la cabeza del 1o metatarsiano)

 

La asociación de una paresia o parálisis dei tibial anterior (TA), y el flexor corto dei hailux (FCH), con una función normal dei peroneo lateral largo (PLL) y del extensor largo del hallux (ELH), produce una disfunción en toda Ia columna interna del pie, resultando en un primer metatarsiano en flexión plantar, Ia primera falange del hallux hiperextendida y una interfalángica flexa.
La marcha suele ser en supinación de antepie y los pacientes desarrollan una hiperqueratosis sumamente dolorosa e invalidante en Ia planta en el ámbito de Ia cabeza del primer metatarsiano.
Las causas más frecuentes son Ias secuelas de poliomielitis, Ias parálisis de Ios músculos intrinsecos del pie de distintas etiologías, Ia enfermedad de Charcot Marie Tooth, o Ia Ataxia de Friedrich, entre otras.
El Equipo de Cirugía de Pierna, Tobillo y Pie - Buenos Aires (EPTP), ha seguido un protocolo en los últimos diez años. El objetivo de esta comunicación es ponerlo a su consideración:
1)    Si hay cartílagos de crecimiento abiertos (antes de los 11 años), realizamos Ia transferência del ELH al cuello del metatarsiano, procurando dejar un cabo distal lo suficientemente largo, como para realizar una tenodesis con el extensor corto (ECH);

 

2)   Si los cartílagos de crecimiento están cerrados y Ia deformidad es reductible, hacemos Ia artrodesis interfalángica en lugar de Ia tenodesis;
3)   Si Ia deformidad es irreductible, hacemos una liberación de Ia cápsula metatarso-falángica y una osteotomia en cuña sustractiva a base dorsal del primer metatarsiano, fijándola con una grapa dorsal;  
4)   En casos de una deformidad sumamente pronunciada o en rescates de osteotomias previas, preferimos Ia transferencia y una artrodesis cuñeo-metatarsiana para evitar una posible recidiva de Ia deformidade

Bibliografia:
Sharrard, W.J. - Paediatric Orthopaedics and Fractures - Vol. 2, pag. 910 (1979) - Blackwell Scientific Publications
Bastos - Mora - Cirugía de Ias parálisis - Tomo II (1970) -Edit. Jimis Barcelona

A. Macklin Vadell, 
D. Niño Gómez, F. Rodriguez Castells e F. Salas

Equipo de Cirugía de Piema, Tobilio y Pie

Buenos Aires, Argentina

 

 Nosso Amigo Turco.

 

A Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé, inicialmente com a denominação de Sociedade Brasileira de Podologia, fui fundada em 12 de dezembro de 1975. Em maio da ano seguinte, realizou-se a I Jornada, na cidade de São José dos Campos. O convidado estrangeiro foi o Prof. Alfredo Kohn Tebner, colega argentino a quem a Sociedade Brasileira muito deve pela sua fundação.
Em julho de 1977 foi realizado, no rio de Janeiro, o I Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé. As personalidades convidadas, expoentes mundiais da especialidade, foram Hampar Kelikian e Antonio Viladot Pericé.
Para a II Jornada Brasileira, prevista para o Guarujá, no mês de maio de 1978, procurou-se outro nome, como os anteriores, que também fosse representativo. Surgiu o nome de Vincent Joseph Turco, conhecido internacionalmente pelo seu trabalho sobre o tratamento cirúrgico do pé torto, publicado no Journal of Bone and Joint Surgery.
Fui encarregado de entrar em contato com Turco e convidá-lo para a Jornada. Fiz a ligação internacional, embora muito temeroso e por justa razão. Para minha surpresa, uma secretária logo me passou para um colega que fala português, com bom sotaque lusitano. Mais aliviado, arrisquei perguntar-lhe se Turco, porventura, falava italiano. Dada a resposta positiva, fiquei tranqüilo e contente. Estabelecemos, desde logo, um diálogo longo e extremamente amigável. Mal poderia imaginar que aquele momento marcaria o início de uma grande amizade pessoal, que se transmitiria posteriormente a todos os colegas brasileiros.
De fato, não só Turco veio ao Brasil para participar da Jornada do Guarujá, como voltaria muitas outras vezes. Na ocasião, recebeu o título de Sócio Honorário de nossa Sociedade, que muito o envaidecia.
Nossos contatos, daí por diante, se tornaram freqüentes pelo mundo afora, como no Congresso da

 

SICOT em Kyoto (1978), no Congresso da CIP em Viena (1984), nos Cursos de Afecções do Pé de Viladot, em Barcelona e, também, nos Congressos e Jornadas Nacionais.
Por ocasião da comemoração do XX aniversário de fundação do Clube do Pé, em 1997, Turco veio ao Brasil e tive a oportunidade e honra de hospedá-lo em casa. O casal Gloria-Vincent nos cativou pelo comportamento, lhaneza de trato e conduta simples. Assim, aumentou ainda mais nossa empatia em relação a esses maravilhosos amigos, se é que isto seria possível após tantos anos de grande amizade.
Durante uma semana, em nossas refeições mormente no café da manhã, pois Vincent gostava de levantar-se bem cedo. Tivemos longas conversas que não versavam somente sobre o pé, que tanto nos aproximava. Turco demonstrava interesse e sensibilidade para os programas socioeconômicos nacionais. Várias vezes quis saber também de quem fora e de onde partira a idéia da fundação, organização e funcionamento do Clube do Pé.
Na ocasião, o casal estava muito preocupado com o nascimento de mais dois netos, gêmeos, previsto para dezembro.
Mal poderia supor que aquela seria a última vez que manteríamos contato pessoal. Na verdade trocávamos mensagens e notícias há mais de vinte anos, notadamente na época das festas natalinas, através de votos de saúde e felicidade duradoura. Homem de excepcional candura, bondade e extrema facilidade de criar novos amigos, o desaparecimento de Vincent Joseph Turco nos atingiu profundamente e abre uma lacuna irreparável nos corações de todos os ortopedistas, notadamente dos brasileiros, que tiveram a ventura de conhecê-lo algum dia.
Hosana, Turco!

Manlio Napoli

XX Congresso do C.I.P.

A Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé organizou um pacote de viagem com o intuito de tornar acessível a todos os interessados, a participação do XX Congresso do C.I.P. em Kyoto, Japão, 13 a 16 de outubro de 1999.
Esta será uma rara oportunidade de convivência fraternal, além de que o Congresso está altamente convidativo do ponto de vista científico.
Além desses atrativos, estará sendo fundada a Federação Internacional do Pé (I.F.F.A.S.) e nesta

ocasião haverá a eleição da primeira Diretoria, assim como a escolha das cidades para os próximos Eventos.
Quanto maior a nossa delegação, tanto maior será a nossa força política. A adesão ao pacote é ainda possível. Decida-se!!

Informações:
Bon Bini Viagens e Turismo - Maria Augusta ou Cristina
Tel. (0xx11) 5183-7020 / 5044 ou 5184-1578 - Telefax (0xx11) 5183-4915

retornar ao início 

 

5   

como eu trato

Neuropatia de Charcot no Pé Diabético

 

O diabetes é uma doença típica do mundo moderno, cuja incidência vem aumentando nos últimos anos. Isto se deve, principalmente, às mudanças nos hábitos de vida impostas pela sociedade de consumo em que vivemos. O estresse decorrente da vida agitada nas cidades grandes leva a maus hábitos alimentares. As dietas ricas em carboidratos e ácidos graxos ("fast food") e pobres em fibras vegetais contribuem diretamente para a instalação da doença.
Atualmente o diabetes é considerado uma doença epidêmica. A melhoria do controle clínico da doença tem aumentado a sobrevida dos pacientes, porém as complicações tardias decorrentes do diabetes também são vistas com maior freqüência.
No nosso meio, as complicações do pé diabético costumam ficar a cargo do cirurgião vascular. Ainda é muito difundido o conceito de que as úlceras associadas ao diabetes têm como causa um déficit circulatório
quando, na verdade, o principal implicado é o déficit sensitivo associado à neuropatia periférica.
Uma outra complicação grave da neuropatia diabética é o desenvolvimento da artropatia de Charcot. Ela manifesta-se tardiamente no paciente diabético, normalmente cerca de 10 anos após o diagnóstico da doença.
A fisiopatologia da neuroartropatia de Charcot está ligada à perda da sensibilidade protetora do pé, particularmente a sensibilidade táctil e dolorosa e principalmente à perda da sensibilidade proprioceptiva. Isto leva ao aumento do estresse mecânico repetitivo e a lesões cápsulo-ligamentares e ósteoarticulares.
O quadro clínico inicial do paciente portador de neuroartropatia de Charcot não difere daquele que caracteriza uma fratura aguda do pé, a não ser pelo fato da ausência completa de dor ou presença de dor desproporcional à intensidade do trauma. Devido ao fato da sensibilidade estar alterada, muitas vezes o paciente não reconhece um episódio específico de trauma antecedendo as lesões.
As lesões da neuroartropatia de Charcot localizam-se preferencialmente no mediopé. Caracterizam-se pela destruição óssea e deformidade progressiva. Estas deformidades podem contribuir para o aparecimento de espículas ósseas plantares as quais, por sua vez, produzem áreas de hiperpressão que, num pé insensível, predispõe ao aparecimento de úlceras.
As principais deformidades secundárias à neuroartropatia de Charcot são: colapso do arco medial, desvio em varo ou valgo do retropé e desvio em abdução do antepé. Podem surgir deformidades grosseiras que tornam difícil a adaptação de calçados ou órteses.
A neuroartropatia de Charcot pode ser classificada, do ponto de vista anatômico, em quatro tipos. O tipo I localiza-se no mediopé e é o mais comum, estando associado ao colapso do arco medial, valgo do retropé e surgimento de áreas de hiperpressão plantar. O tipo II localiza-se no retropé. O tipo III
localiza-se no tornozelo, estando associado às deformidades em varo e formação de proeminências ósseas dos maléolos. O tipo IV localiza-se no calcâneo e é o tipo mais raro.
As seqüelas decorrentes da artropatia de Charcot tipo III normalmente estão associadas à deformidade residual em varo do tornozelo. Isto pode acarretar o aparecimento de proeminência óssea do maléolo lateral e alteração no eixo de carga do membro durante a marcha. O apoio na borda externa do mediopé acaba criando áreas de hiperpressão que predispõem a ulceração plantar e criam uma porta de entrada para a infecção.
As lesões agudas da neuroartropatia de Charcot devem ser tratadas como fraturas agudas, isto é, com imobilização por meio de aparelho gessado tipo gesso de contato total. As características deste tipo de imobilização incluem a confecção de aparelho gessado bem moldado, proteção das superfícies ósseas subcutâneas para evitar a formação de úlceras e distribuição da carga pela superfície plantar do pé.As trocas do aparelho gessado devem ser freqüentes (intervalos de 10 dias), para permitir a inspeção da pele e evitar que o afrouxamento do gesso devido à regressão do edema possam favorecer o aparecimento de zonas de atrito com a pele subjacente.
Após a consolidação da fratura, os pacientes devem utilizar calçados apropriados com palmilhas que permitam a acomodação das deformidades residuais. Pode ser necessária a utilização de órteses de polipropileno (tipo AFO) para acomodar e estabilizar as deformidades residuais decorrentes de consolidação viciosa do tornozelo ou do retropé.
De forma geral, as fraturas, mesmo as articulares, devem ser tratadas incruentamente nos pacientes portadores de neuroartropatia de Charcot. O tratamento cruento apresenta alto risco de complicações, entre elas a deiscência da sutura, a necrose da pele, o retardo na consolidação óssea, osteomielite e, eventualmente, a amputação do membro.O fato do paciente diabético ser portador de déficit sensitivo faz com que ele não colabore no período pós-operatório. A deambulação precoce pode levar à perda da redução da fratura com soltura do material de síntese e destruição completa da articulação. Raras são as indicações de tratamento cirúrgico na presença de artropatia de Charcot. Quando necessárias, as cirurgias devem ser realizadas para corrigir problemas associados às seqüelas de consolidação viciosa, 

 

na tentativa de eliminar áreas de hiperpressão e ulceração recorrente que não respondem ao tratamento incruento.
As cirurgias utilizadas no tratamento das seqüelas decorrentes da neuroartropatia de Charcot subdividem-se em 3 grupos: exostectomia, artrodese modelante corretiva e amputação.
Como regra geral, deve-se tentar operar somente quando as feridas estiverem cicatrizadas, a glicose sérica estiver controlada e a circulação periférica adequada. A exostectomia é a cirurgia de escolha para tratar as proeminências ósseas plantares que determinam ulceração recorrente devido à formação de zonas de hiperpressão. Devem ser realizadas por meio de incisões adicionais dorsolaterais ou dorso-mediais, evitando-se o trajeto contaminado das úlceras de repetição. As proeminências ósseas são ressecadas e a úlcera, quando presente, curetada. Desde que não haja infecção, as incisões utilizadas para a exostectomia podem ser suturadas. Deve ser evitado o uso de garrote durante a cirurgia.
Quando existe deformidade e/ou instabilidade no retropé e esta não pode ser acomodada com órtese de polipropileno moldada (AFO) ou quando ocorre ulceração recorrente devido a proeminências ósseas que alteram o padrão de marcha e causam hiperpressão, pode estar indicada uma artrodese modelante corretiva. A fixação do retropé pode ser feita com uma haste intramedular bloqueada que tem como vantagem aumentar a estabilidade local, permitindo que o lento processo de consolidação (próprio dos pacientes portadores de neuroartropatia) ocorra sem perda da posição obtida no ato cirúrgico.
A técnica consiste numa dupla abordagem cirúrgica do tornozelo, uma medial para ressecção do maléolo tibial, e outra lateral para ressecção do terço distal da fíbula. Pela via lateral pode-se visualizar as articulações subtalar e do tornozelo simultaneamente. Estas articulações são desbridadas e cunhas ósseas de tamanho apropriado são ressecadas. A seguir, introduz-se um longo pino de Steinmann, com 2mm de diâmetro, pela região plantar do calcâneo. O fio deve atravessar o corpo do tálus e entrar no canal medular da tíbia distal. Após checar a posição do fio com o intensificador de imagens, ele é utilizado como guia para a introdução de uma fresa através do calcâneo, do tálus e da tíbia distal. Por meio de um guia externo, insere-se então a haste intramedular pela região plantar do calcâneo, dirigindo-a em direção à tíbia. Novamente a posição é checada com o intensificador de imagens. Em seguida, são inseridos parafusos pelos guias da haste, fixando-a proximal e distalmente com 2 parafusos no calcâneo e 2 parafusos na tíbia distal, respectivamente. As feridas lateral, medial e plantar são suturadas e o paciente é mantido com imobilização gessada até a consolidação da artrodese (aproximadamente 20 a 24 semanas). O membro operado é liberado para carga total após 6 a 8 semanas.
É importante enfatizar que a prevenção, e não a cirurgia, é a forma mais eficaz de tratamento das graves complicações associadas ao pé diabético. É necessário um programa de instrução e orientação para o paciente. A glicemia deve ser rigorosamente controlada. O paciente precisa ser informado da necessidade de realizar o auto-exame diário dos pés com o objetivo de identificar lesões potencialmente graves, tais como unha encravada ou micose interdigital. As unhas devem ser cuidadosamente cortadas, as calosidades curetadas quando presentes, e a pele ressecada dos pés precisa ser tratada com loção hidratante. É importante que o paciente seja orientado para sempre usar meias e calçar sapatos apropriados para pés insensíveis. As órteses, quando necessárias, devem ser utilizadas de forma correta e sob supervisão médica constante. Consultas médicas periódicas devem ser incentivadas. A cada visita ao médico, o paciente deve ter os pés cuidadosamente examinados e avaliados quanto à sensibilidade. Esta deve ser sistematicamente pesquisada para identificar os riscos em potencial. É importante a pesquisa de todas as modalidades da sensibilidade (vibratória, térmica, dolorosa, táctil e proprioceptiva) utilizando-se instrumental apropriado (diapasão, monofilamentos, etc.).
Como princípios básicos, a educação do paciente diabético e a proteção mecânica dos pés constituem-se nas principais formas de prevenção das complicações que acompanham a neuroartropatia.
Em resumo, a neuropatia periférica é o principal fator causal das complicações do pé diabético. A falta de sensibilidade protetora propicia o aparecimento das úlceras de pressão que, secundariamente, sofrem infecção. O déficit na sensibilidade proprioceptiva é o principal fator envolvido na gênese das fraturas e luxações características das articulações neuropáticas de Charcot. As deformidades residuais, secundárias às lesões de Charcot, criam condições para o aparecimento de áreas de hiperpressão e estas, por sua vez, aumentam os riscos de ulceração. Todos estes fatores (deformidade, úlcera e infecção), associados ao déficit circulatório da angiopatia periférica, contribuem para o risco aumentado de amputação a que está sujeito o paciente diabético. O objetivo principal da prevenção e do tratamento é preservar o pé e sua função.

Rícardo Cardenuto Ferreira

 

retornar ao início 

 

6    

 

seção cultural 

ComPÉsiçao sem PÉ nem Cabeça (dos metatarsianos)

 

ResPÉitados Colegas:

PÉço PÉrdão PÉIas linhas abaixo, porque todos nós desta Sociedade somos susPÉitos para falar dos PÉs. é imPÉssível não gostar deles. PÉrmitem que se PÉgue um ônibus, um PÉugeot, ou mesmo um PÉ-de-boi, para irmos PÉdir a Ele PÉIos nossos PÉcientes e PÉssoas que amamos. São com eles que PÉlé se consagrou, o PÉdestrianismo é praticado e até PÉIota basca se PÉleja. Se cair ou troPÉçar, podemos lesar o PÉroneo, a PÉritalar e a PÉ vamos ficar.
Os PÉs nessa nossa querida Terra são estudados de norte a sul. Sugiro um PÉqueno banquete com o seguinte cardáPÉo: pato no tucuPÉ, elaborado pelo famoso cozinheiro PÉraense Humberto Maradei PÉreira. Do Rio, teríamos uma feijoada carioca elaborada com muito PÉ de porco pelos famosos mestres-cuca PÉrgio Vianna e PÉrônica Vianna. A comida oriental seria elaborada pelo quituteiro Osny SaloPÉ e, como a quantidade de "oriundi" na Sociedade é grande, o caPÉletti seria servido por Marcio PÉnevento e Alfonso APÉstólico. Querem churrasco ou PÉrnil? Importamos o PÉgon dos PÉmpas.
Sugestão: este grande banquete seria supervisionado PÉlo grande mestre, amigo do PÉito de todos nós, resPÉitado em PÉquim, PÉtrópolis e PÉrnambuco, um amigo que comPÉnsa ser amigo, em quem sempre PÉnsamos, o querido Professor Manlio NaPÉli.
Desculpem os PÉssimos trocadilhos!

Abrão Aitman

eleições

CONVOCAÇÃO 
Eleiçoes Diretoria - Biênio 2000/2001

 

A Diretoria da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé será renovada por voto direto e secreto de todos os Membros Titulares e Associados com mais de um ano de filiação e quites com a Tesouraria, e ainda os Membros Eméritos.
Esta é, portanto, uma convocação para a apresentação de chapas completas, que deverão ser encaminhadas ao Presidente, Dr. Antonio Egydio de Carvalho Jr., até a data-limite de 27 de outubro de 1999.
Os cargos eletivos serão para a Diretoria e para o Conselho Fiscal. A cédula eleitoral será enviada ao endereço dos membros, para aqueles que não têm residência em São Paulo, a partir dos 45 dias prévios à data da Eleição. Os votos deverão retomar em envelopes fechados, contendo a cédula eleitoral lacrada e com cópia de documento de identificação.
É facultativo remeter a cédula ou entregá-la no dia da Eleição (10 de dezembro de 1999), quando estará havendo o Curso "Vincent J. Turco" na AACD. A apuração ocorrerá às 21h00. Lembre-se, os membros que optarem por votar em São Paulo, deverão se apresentar munidos de documento de identificação. Venha participar do Curso e desta Festa Democrática, exercendo seu pleno direito de votar!

Antonio Egydio de Carvalho Jr.

 

retornar ao início 

 

7   

 

anote em sua agenda

Calendários das Reuniões de Diretoria para 1999

 · setembro dia 10 (sexta-feira) · outubro dia 8 (sexta-feira) · 
novembro
dia 12 (sexta-feira) · dezembro dia 10 (sexta-feira)

Setembro/99
Dias 10 e 11
Third International Foot and Hankle Surgery Course - Hannover - Alemanha
Tel: 49-511-900-7036/ Fax: 49-511-535 4343/ E-mail: welker@annastiff.de
Dias 17 e 19
Curso de Internacional de Patologias do Pé e Tornozelo - DOT/FMUSP, Paulo (SP)
Participação especial do Dr. Stephen Conti (EUA). 
Temas Centrais:
Artroplastia e Artroscopia do Tornozelo
Responsáveis: Drs. Osny Salomão e Antônio Egydio de Carvalho Jr.
- Reserve a data para este curso imperdível! Vagas limitadas!
Informações pelo tel:  (011) 3069 6950 - centro de Estudos Godoy Moreira, com Márcia 
Dias 17 a 19
Curso sobre Pé Diabético – AOFAS – Allerton Hotel, Chicago, Illinois (EUA)
Informações pelo tel. 1-800-235-4855 ou site http://www.aofas.org/courses.html

Outubro/99
Dias 1 e 2 
First European Foot & Ankle Society Foot & Ankle Instructional Course – Viena (Áustria)
Fax 43-1-485-3116 / E-mail: hans@compuserve.com
Dias 7 a 9
18th Congress of Sports Medicine – Brugge (Bélgica)
Tel. 32-050-45-29-00 / E-mail: brucosport@unicall.be
Dias 9 e 10
Foot, Ankle and Knee Advanced Imaging Symposium – Philadelphia, Pennsylvania (EUA)
Tel. 888-390-5051 / Fax 215-923-9452 
Dias13 a 16

XXth Congress of the International College of Medicine and Surgery of the foot – Kyoto, Japão
Neste Congresso será fundada a Federação Internacional do Pé, em substituição ao C.I.P. É fundamental a presença de uma delegação brasileira numerosa, para mostrarmos a força e capacidade da nossa SBMCP. 

E-mail: cip@globalfoot.org /site; http://www.globalfoot.org
Dias 15 a 17
8th Annual Wound Care Symposium – Williamsburg, Virgínia (EUA)
Tel. 1-800-413-2872 
Dias 29 e 30
V Jornada Sulmineira de Atualização em Ortopedia e Traumatologia – Hotel Glória, Caxambu (MG)

Curso Oficial de Reciclagem e Atualização em Patologia do Pé
Telefax (0xx35) 722-2461 com Dr. Júlio César / Telefax (0xx35) 721-3851 – Phisa Eventos

E-mail: phisaeventos@pocos-net.com.br

Dezembro/99
Dias 3 e 4
XXII Jornada dos Ex-residentes do Hospital Anchieta e comemorações dos 50 Anos da Fundação do Hospital Anchieta
Dias 10 e 11 - 
Curso “Vincent J. Turco” - Anfiteatro da AACD – São Paulo - SP
Será prestada uma homenagem póstuma ao Dr. Vincent J. Turco. O curso será abrilhantado pela presença do Dr. Ronald Smith, atual presidente da AOFAS (American Orthopaedic Foot and Ankle Society). Será realizada, também, eleições na Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé para a diretoria do biênio 2000/2001.

SETEMBRO - 2000
Dias 22 a 24
XV Congreso Argentino (II Congreso Latinoamericano y I Congreso Panamericano) de medicina y cirugía de la pierna y el pie. I Jornada de Rehabilitación en Pierna, Tobillo y Pie – Buenos Aires (Argentina)
Tel. (54-11) 4958-6447 / Fax (54-11) 4958-1497 / E-mail: zsimon@intramed.net.ar

 

tesouraria

 

Aos sócios que pagaram a anuidade de 1999 (valor de R$175,00) e não receberam o recibo, pedimos que entrem em contato com a SBMCP munidos do comprovante de depósito para envio de uma cópia do mesmo por fax, através do telefax (0xx11) 282-2518. Informações pelo tel. 282-6919.

Nelson Astur Filho

 

retornar aos boletins

retornar ao início