Sociedade Brasileira
de
Medicina e Cirurgia do  Pé
SBMCP

 

Filiada ao Colégio Internacional de Medicina                 
e Cirurgia do Pé                  
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   ANO 5

NÚMERO 15

         JUNHO DE 1999

  

Editorial

 

A Cibernética e A Sombra de Uma Árvore..

O mundo está mudado!?
A percepção dessa mudança pode não ter sido atentada, na sua totalidade, por todos. A realidade da informatização tem participado crescentemente de nossas vidas.
Indubitavelmente, a comunicação hoje é mais fácil e digerível através dos diversos meios eletrônicos disponíveis. Em decorrência, há a necessidade de informatizar, para melhor atingirmos o alvo desejável.
A retrospectiva do 9o Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé evidencia esta fantástica evolução! Notou-se a opção moderna de apresentação dos temas que aposentou, quase preferencialmente, os “slides”, substituindo-os pela “multimídia”.
Verificamos que a tecnologia avançou e verdadeiros “espetáculos de imagem”, algo parecido com o “Ilumination da Disney” coroa, e às vezes compete, com a exposição do autor”
Será que tão formidáveis recursos contribuem ou prejudicam?
É claro que há opiniões e argumentos em ambos os sentidos, entretanto, minimamente, devemos repensar o “show de luzes” por duas razões:
1.     Não se deve obscurecer a mensagem;
2.     A indispensabilidade do autor como
figurante principal.
A lembrança de um filósofo antigo e sua atualidade: bastam, o professor e o aluno... A Ciência fluirá, catalizada pela didática simples e pelo interesse do aprendizado, acalentada pelo frescor da sombra de uma árvore...

Antônio Egydio de Carvalho Jr.
Presidente

PS - A Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé felicita o Dr. Augusto César Monteiro e sua Comissão Organizadora pelo brilhante e inesquecível 9º Congresso.

                       boletim               

   Editorial                                           1
   Antônio Egydio de Carvalho Jr.
   Sugestões de Leitura                      2
   Walter Whitton Harris
  
Diretoria Científica                        2/4
  
Escalas de Avaliação Clínica do Pé,
  propostas pela AOFAS 

  Caio Nery
 
 
 
Notícias                                            5
  Comitê de Cirurgia do Pé e Tornozelo
  Rio Grande do Sul 
 
Antonio Carlos Flores dos Santos
 
Regional Nordeste da SBMCP
 
Gildásio Daltro
 
Maria Lucy de Lima Azevedo 
 
Antônio Egydio de Carvalho Jr.
  boletim                                              5
  Walter Whitton Harris
 
Como eu Trato                                  5
  Metatarso Varo

  Antônio Egydio de Carvalho Jr.

 
Esporão de Inserção do Tendão de
  Aquiles
 
  Mauro Luiz Fuchs
 
Seção Livre                                      6
  9º Congresso Brasileiro de Medicina
  e Cirurgia do Pé
 
Augusto César Monteiro
  Congresso da Federação Internacional
  do Pé e Tornozelo ( 20
º Encontro do
  CIP)
 
Alfonso Apostólico Netto
  Antonio Augusto Couto de Magalhães

  Botinhas Ortopédicas: A grande chance
 
Ricardo Malaquias de Miranda

  Diretoria Social                               7
  Alfonso Apostólico Netto  
 
Seção Cultural                                 7
  O Drama de Antonio
  Walter Whitton Harris
  Tesouraria                                        8
  
Nelson Astur Filho
 
Anote em sua Agenda                     8
 
Atividades de 1999   
 
Homenagens                                    8
 
Antonio Egydio de Carvalho Jr.

 .

     1  

 

sugestões de leitura

 

Operative Treatment for Hallux Valgus in Children with Cerebral Palsy
Jenter, M.; Lipton, G.E.; Freeman, M. – Foot & Ankle 19(12): 830-835, Dec 98.
Com a finalidade de avaliar se outros procedimentos cirúrgicos além da artrodese da primeira metatarsofalângica pudessem corrigir adequadamente o hálux valgo em pacientes com paralisia cerebral, estudaram-se pacientes tratados no período 1986-1995. Vinte e seis pés (17 pacientes) foram submetidos a tratamento cirúrgico para deformidades do hálux valgo e/ou exostose. O ângulo de hálux valgo médio foi de 30o preoperatoriamente. Foram utilizadas quatro técnicas cirúrgicas diferentes. Em oito pés fez-se uma artrodese da primeira metatarsofalângica, com resultados excelentes, com correção média de 89% do ângulo de hálux valgo. Uma osteotomia proximal do primeiro metatarsal, plastia de partes moles e exostectomia em cinco pés resultou em quatro excelentes resultados e dois resultados regulares, com correção média de 83% do ângulo de hálux valgo. Em oito pés apenas procedeu-se à plastia e exostectomia, com quatro excelentes resultados, dois bons e dois resultados regulares, com correção média de 53% do ângulo. Houve três resultados excelentes, um bom e um regular, com correção média de 36% do ângulo de hálux valgo, quando se realizou osteotomia da falange proximal do hálux, plastia da primeira metatarsofalângica e exostectomia. Todos os pacientes estavam satisfeitos com os resultados. Entretanto, a artrodese da primeira metatarsofalângica forneceu os melhores resultados e a melhor correção do ângulo de hálux valgo. Tem-se dado preferência à artrodese porque elimina a articulação instável e subluxada e permite melhora na função do hálux no desprendimento do solo.

Wound-Healing Risk Factors After Open reduction and Fixation of Calcaneal Fractures
Abidi, N.A.; Dhawan, S.; Gruen, G.S.; Vogt, M.T.; Conti, S.F. – Foot & Ankle 19(12): 856-861, Dec 98.
Fez-se um estudo retrospectivo dos resultados da cicatrização da incisão cirúrgica em uma série de 63 pacientes consecutivos com 64 fraturas do calcâneo, submetidos a redução cirúrgica e fixação por dois cirurgiões com boa experiência com esse tipo de fratura, ao longo de um período de três anos. Trinta e nove pacientes tiveram preparo ambulatorial prévio, antes de serem internados. Vinte e quatro pacientes foram encaminhados diretamente do Pronto Socorro e cuidados preoperatoriamente como pacientes internados. O seguimento mínimo foi de seis meses (média de 18 meses).Correlacionou-se o tempo entre a fratura e a cirurgia; a incidência de complicações aumentou nos pacientes submetidos a cirurgia com mais de cinco dias de fratura. Fechamento em dois planos apresentou menor incidência de deiscência quando comparado a suturas sem tensão em um plano só. Pacientes com índice de massa corpórea (kg/m2) mais elevado demoraram mais tempo para cicatrização. Nos pacientes ambulatoriais, observou-se uma relação entre demora na cicatrização e o fato dos pacientes serem fumantes. Em 43 pacientes, não houve complicações com a cicatrização. Em 21 pés, houve graus diferentes de deiscência. A média de tempo de cicatrização foi de 47 dias. A idade, tempo de imobilização, outras patologias (inclusive diabetes), tipo de enxerto ósseo e o uso de aspirador portátil não influenciaram na cicatrização.

Natural History of the Rearfoot Angle: Preliminary Values in150 Children
Sobel, e.; Levitz, S.; Caselli, M.; Brentnall, Z.; Tran M.Q. – Foot & Ankle 20(2): 119-125, Feb 99.
O grau de valgismo do retropé com apoio (ângulo do retropé) é geralmente utilizado como critério angular na avaliação e tratamento do pé plano, tanto em crianças, como em adultos. Relata-se, freqüentemente, que o ângulo diminui com a idade, chegando a uma posição vertical próximo dos sete anos de idade. Este estudo avaliou o ângulo do retropé em 150 crianças saudáveis (6-16 anos). O ângulo médio do retropé em todas as crianças foi de 4o de valgismo (0o-9o). Não houve alterações significantes com a variação da idade. Não se observou diminuição do ângulo até atingir uma posição vertical do retropé aos sete anos, como relatada anteriormente.

Subtalar Arthrodesis for Late Sequelae of Calcaneal Fractures: Fusion in Situ Versus Fusion with Sliding Corrective Osteotomy
Peng-Ju Huang et al. – Foot & Ankle 20(3): 166-170, Mar 99.
A artrose subtalar é freqüente como seqüela tardia da fratura intraarticular de calcâneo. Os AA. preconizam a artrodese subtalar para o tratamento desta artrose traumática. Este estudo procurou comparar os primeiros casos operados, em que se fez artrodese subtalar in situ, com os casos mais recentes, em que se realizou uma artrodese através de osteotomia corretiva do calcâneo por deslizamento. A artrodese in situ foi realizada em 15 pés (13 pacientes): via de Ollier e ressecção de proeminência óssea, se houvesse síndrome de compressão lateral. Na artrodese através de
osteotomia (13 pés, 12 paciente), a via de acesso foi lateral e ampla, com osteotomia corretiva deslizante do calcâneo e, às vezes, alongamento do tendão de Aquiles para restaurar a altura e largura do calcâneo. Os pacientes de ambos os grupos apresentaram alívio sintomático e não houve nenhuma diferença à marcha prolongada, nem para correr ou pular. O grupo da osteotomia estava mais satisfeito em relação aos resultados cosméticos e no uso de calçados (92% de satisfação contra 77% nos pacientes com artrodese in situ). Os AA. acham que embora a osteotomia não fornece uma melhora do ângulo de declinação do tálus, é adequada para aqueles pacientes com um calcâneo “bananiforme”. Se o paciente apresenta dor importante na face anterior do tornozelo, os AA. consideram mais apropriada a artrodese subtalar por distração.

Walter Whitton Harris

 

diretoria científica

 

Prezados Colegas,
Estamos publicando, neste boletim, as escalas de avaliação propostas pela American Orthopaedic Foot and Ankle Society – AOFAS1, devidamente traduzidas para o português. O sistema foi desenvolvido de modo a estandardizar as observações e “permitir a comparação dos resultados de diferentes métodos de tratamento em pacientes com a mesma patologia”, bem como “capacitar o cirurgião a acompanhar o progresso de um paciente antes e, a diversos intervalos, depois de iniciado um tratamento específico”. Foram criadas quatro escalas de graduação, com 100 pontos cada uma, que reúnem dados estritamente clínicos.

Os próprios autores, que apresentaram estas escalas ao público, destacam alguns pontos importantes acerca de sua utilização e que reproduzimos a seguir:
1.       Pode haver alguma dificuldade na avaliação de pacientes que apresentam dor ou incapacidade, por razões outras que as do tornozelo e pé (por exemplo, pacientes com artrite reumatóide comprometendo os joelhos). Nesta escala, há referências apenas a fatores relacionados ao tornozelo e pé.
2.       Algumas afecções tornam a aplicabilidade das escalas limitada. Por exemplo, patologias tais como neuropatias (traumáticas ou metabólicas) podem alterar a avaliação relativa à sensibilidade dolorosa. Nestes casos, é recomendável a combinação de dados específicos a cada patologia tais como grau de déficit sensorial, grau de atrofia muscular, força muscular ou parestesias à percussão do trajeto nervoso.
3.       Outros fatores não incluídos nas escalas propostas podem, e devem, ser relatados, tais como grau de satisfação do paciente, retorno ao trabalho, habilidade em subir e descer escadas, sensibilidade dolorosa, neuropatia e edema associados. Essas informações complementam e enriquecem a graduação apresentada em sua forma exclusivamente numérica, tornando-se mais útil e compreensível.

Os autores, deliberadamente, não associaram (e não recomendam fazê-lo) os valores numéricos à clássica escala subjetiva de Excelentes, Bons, Regulares e Maus resultados. Com o tempo, estaremos familiarizados com as pontuações atingidas e seremos capazes de julgar a excelência dos resultados sem a necessidade de sua conversão.
Juntamo-nos aos autores e à AOFAS quando concluem: “Esperamos que estas escalas sejam adotadas pelos pesquisadores, mesmo quando outros métodos de graduação forem utilizados concomitantemente”.

Kitaoka, H.B.; Alexander, I.J.; Adelaar, R.S.; Nunley, J.A.; Myerson, M.S.: Clinical Rating Systems for the Ankle-Hindfoot, Midfoot, Hallux, and Lesser Toes. Foot & Ankle 15(7):349-53,1994.

Caio Nery

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                2   

 

ESCALA DE AVALIAÇÃO DO TORNOZELO E RETROPÉ

Total 100 pontos

PARÂMETRO

PONTOS

1. Dor (40 pontos)

 

Nenhuma

40

Leve, ocasional

30

Moderada, diária

20

Intensa, quase sempre presente

0

2. Função (45 pontos)

 

2.1. Limitação das atividades e necessidades de suportes

 

Sem limitações, sem suportes

10

Sem limitações às atividades diárias, limitação recreação, sem suportes

7

Limitação de atividades diárias e recreacionais, bengala

4

Limitação importante de atividades diárias, muletas, andador, cadeira ou órtese

0

2.2. Calçados

 

Da moda, convencionais sem necessidade de palmilhas

10

Sapatos confortáveis ou palmilhas

5

Sapatos especiais ou órteses

0

2.3. Mobilidade de Metatarsofalângica (flexão + extensão)

 

Normal ou Restrição Leve (75 graus ou mais)

10

Restrição Moderada(30 a 74 graus)

5

Restrição Intensa (menor que 30 graus)

0

2.4. Mobilidade de Interfalângica (flexão plantar)

 

Sem restrição

5

Restrição Intensa (menos que 10 graus)

0

2.5. Estabilidade da Metatarsofalângica e Interfalângica (todas as direções)

 

Estável

5

Instável

0

2.6. Presença de Calosidade (metatarsofalângica ou interfalângica do hálux)

 

Sem calo ou hiperqueratose indolor

5

Presença de calosidade dolorosa

0

3. Alinhamento (15 pontos)

 

Bom – hálux bem alinhado

15

Regular – hálux ligeiramente desalinhado, sem sintomas

8

Mau – desalinhamento flagrante e sintomático

0

Kitaoka, H.B.; Alexander, I.J.; Adelaar, R.S.; Nunley, J.A.; Myerson, M.S.: Clinical Rating Systems for the Ankle-Hindfoot, Midfoot, Hallux, and Lesser Toes. Foot Ankle 15(7):349-53,1994.

 

ESCALA DE AVALIAÇÃO DO MEDIOPÉ - AOFAS

Total 100 pontos

 

PARÂMETRO

PONTOS

1. Dor (40 pontos)

 

Nenhuma

40

Leve, ocasional

30

Moderada, diária

20

Intensa, quase sempre presente

0

2. Função (45 pontos)

 

2.1. Limitação das atividades e necessidades de suportes

 

Sem limitações, sem suportes

10

Sem limitações às atividades diárias, limitação recreação, sem suportes

7

Limitação de atividades diárias e recreacionais, bengala

4

Limitação importante de atividades diárias, muletas, andador, cadeira ou órtese

0

2.2. Calçados

 

Da moda, convencionais sem necessidade de palmilhas

10

Sapatos confortáveis ou palmilhas

5

Sapatos especiais ou órteses

0

2.3. Distância máxima de marcha (quarteirões)

 

Maior do que 6

17

De 4 a 6

7

De 1 a 3

4

Menos que 1

0

2.4. Superfície de Marcha

 

Sem dificuldade em qualquer superfície

10

Alguma dificuldade em terrenos irregulares, escadas, ladeiras ou inclinações

5

Dificuldade intensa em terrenos irregulares, escadas, ladeira ou inclinações

0

2.5. Anormalidade da marcha

 

Nenhuma ou Leve

10

Óbvia

5

Marcante

0

3. Alinhamento (10 pontos)

 

Bom – pé plantígrado com mediopé bem alinhado

15

Regular – pé plantígrado, algum desalinhamento do mediopé, sem dor

8

Mau – pé não plantígrado, desalinhamento importante e presença de sintomas

0

Kitaoka, H.B.; Alexander, I.J.; Adelaar, R.S.; Nunley, J.A.; Myerson, M.S.: Clinical Rating Systems for the Ankle-Hindfoot, Midfoot, Hallux, and Lesser Toes. Foot Ankle 15(7):349-53,1994.

 

ESCALA DE AVALIAÇÃO DO TORNOZELO E RETROPÉ

Total 100 pontos

 

PARÂMETRO

PONTOS

1. Dor (40 pontos)

 

Nenhuma

40

Leve, ocasional

30

Moderada, diária

20

Intensa, quase sempre presente

0

2. Função (50 pontos)

 

2.1. Limitação das atividades e necessidades de suportes

 

Sem limitações, sem suportes

10

Sem limitações às atividades diárias, limitação recreação, sem suportes

7

Limitação de atividades diárias e recreacionais, bengala

4

Limitação importante de atividades diárias, muletas, andador, cadeira ou órtese

0

2.2. Distância máxima de marcha (quarteirões)

 

Maior do que 6

5

De 4 a 6

4

De 1 a 3

2

Menos que 1

0

2.3. Superfície de Marcha

 

Sem dificuldade em qualquer superfície

5

Alguma dificuldade em terrenos irregulares, escadas, ladeiras ou inclinações

3

Dificuldade intensa em terrenos irregulares, escadas, ladeira ou inclinações

0

2.4. Anormalidade da marcha

 

Nenhuma ou leve

8

Óbvia

4

Marcante

0

2.5. Mobilidade Sagital (flexão + extensão)

 

Normal ou Restrição Leve (30 graus ou mais)

8

Restrição Moderada(15 a 29 graus)

4

Restrição Intensa (menor que 15 graus)

0

2.6. Mobilidade do Retropé (inversão + eversão))

 

Normal ou Restrição Leve (75 a 100%)

6

Restrição Moderada(25 a 74%)

3

Restrição Intensa (menor que 25 %)

0

2.7. Estabilidade do Tornozelo e Retropé (anteroposterior + valgo-varo)

 

Estável

8

Instável

0

3. Alinhamento (15 pontos)

 

Bom – pé plantígrado com tornozelo e retropé bem alinhados

15

Regular – pé plantígrado, algum desalinhamento do tornozelo e retropé, sem dor

8

Mau – pé não plantígrado, desalinhamento importante e presença de sintomas

0

Kitaoka, H.B.; Alexander, I.J.; Adelaar, R.S.; Nunley, J.A.; Myerson, M.S.: Clinical Rating Systems for the Ankle-Hindfoot, Midfoot, Hallux, and Lesser Toes. Foot Ankle 15(7):349-53,1994.

 

ESCALA DE AVALIAÇÃO DOS PEQUENOS DEDOS - AOFAS

Total 100 pontos

PARÂMETRO

PONTOS

1. Dor (40 pontos)

 

Nenhuma

40

Leve, ocasional

30

Moderada, diária

20

Intensa, quase sempre presente

0

2. Função (45 pontos)

 

2.1. Limitação das atividades e necessidades de suportes

 

Sem limitações, sem suportes

10

Sem limitações às atividades diárias, limitação recreação, sem suportes

7

Limitação de atividades diárias e recreacionais, bengala

4

Limitação importante de atividades diárias, muletas, andador, cadeira ou órtese

0

2.2. Calçados

 

Da moda, convencionais sem necessidade de palmilhas

10

Sapatos confortáveis ou palmilhas

5

Sapatos especiais ou órteses

0

2.3. Mobilidade de Metatarsofalângica (flexão + extensão)

 

Normal ou Restrição Leve (75 graus ou mais)

10

Restrição Moderada(30 a 74 graus)

5

Restrição Intensa (menor que 30 graus)

0

2.4. Mobilidade de Interfalângica (flexão plantar)

 

Sem restrição

5

Restrição Intensa (menos que 10 graus)

0

2.5. Estabilidade da Metatarsofalângica e Interfalângica (todas as direções)

 

Estável

5

Instável

0

2.6. Presença de Calosidade (metatarsofalângica ou interfalângicas)

 

Sem calo ou hiperqueratose indolor

5

Presença de calosidade dolorosa

0

3. Alinhamento (15 pontos)

 

Bom – pequenos dedos bem alinhados

15

Regular – pequenos dedos ligeiramente desalinhamentos, sem sintomas

8

Mau – desalinahmento flagrante e sintomático

0

Kitaoka, H.B.; Alexander, I.J.; Adelaar, R.S.; Nunley, J.A.; Myerson, M.S.: Clinical Rating Systems for the Ankle-Hindfoot, Midfoot, Hallux, and Lesser Toes. Foot Ankle 15(7):349-53,1994.

 

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4    

notícias

Comitê de Cirurgia do Pé e Tornozelo Rio Grande do Sul

O Comitê de Cirurgia do Pé e Tornozelo – COMCIP – continua com suas já consagradas reuniões mensais nas 2as segundas-feiras de cada mês. Além dos colegas que se dedicam à Cirurgia do Pé como especialidade, há sempre temos a presença de ortopedistas gerais, tanto da capital como do interior do Estado, de residentes dos serviços de Porto Alegre, de fisioterapeutas e imaginologistas. Tem sido um tanto difícil determinar a hora do encerramento das reuniões, pois a discussão de casos tem se prolongado bastante.
Além da reuniões, a programação científica marcou para este ano mais dois Encontros Multidisciplinares: Dermatologia e Fisioterapia; e mais dois eventos do Projeto Interior: Santa Maria e Pelotas, que no final do ano passado acabou sendo substituída por Santa Cruz do Sul.
Acertamos a presença de Dr. Alberto Macklin Vadell no nosso evento principal anual, em setembro. Em Novembro, a Sociedade de Ortopedia do Rio Grande do Sul comemorará seus sessenta anos com o Encontro dos Comitês, e o COMCIP lá estará, marcando presença com duas participações nas diversas modalidades de exposição de temas.
Na reunião de 10 de maio, foi unânime passado a opinião dos presentes sobre o elevado nível científico do 9º Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé. Todos estão de parabéns.

Antônio Carlos Flores dos Santos

 

Regional Nordeste do S.B.M.C.P.

O “IV Simpósio Manlio Napoli de Medicina e Cirurgia do Pé”, realizado na cidade de Salvador (BA), no período de 26 a 27 de abril de 1999, no auditório da Associação Bahiana de Medicina, contou com a presença dos Drs. Donald E. Baxter e James C. Drennan e do Presidente da SBMCP, Dr. Antônio Egydio de Carvalho Jr. Participaram 40 médicos interessados nas patologias do pé. Durante o evento, foram discutidos, entre outros, temas como Hálux Valgo, Distúrbios Neuromusculares do Pé e Síndrome do Compartimento Posterior. Foi um sucesso.
Gildásio Daltro 

Maria Lucy de Lima Azevedo
(Rio Claro, 19/01/20 – São Paulo, 12/05/99)

A Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé sente-se consternada com o falecimento da Sra. Maria Lucy de Lima Azevedo (Dona Lucy), que exerceu dignamente a função de Secretária da SBP durante o período de 1990-1995. Foram tão bons préstimos que deixa saudades e o exemplo de dedicação à nossa querida Sociedade.

o boletim

O próximo número do nosso Boletim está previsto para setembro de 1999. Material para publicação precisa ser entregue até 31 de julho. No entanto, pedimos que mandem suas colaborações, independentemente da época, para a Sociedade, pelo correio ou por fax, ou ainda por E-mail para: sbmcp@zaz.com.br

Walter Whitton Harris
Coordenador do Boletim

 

como eu trato

Metatarso varo

Sob esta denominação, estão englobados três tipos de deformidades (ou três expressões clínicas de uma só...), o que dificulta a indicação única da conduta. Acresce-se a este fato, a impossibilidade de se reconhecer no berçário qual das distintas formas se apresenta. Na avaliação clínica inicial, talvez seja possível apontar os casos de gravidade menor (metatarso-aduto) ou maior (serpentiforme), mas sabe-se que são situações intercambiáveis e, portanto, o prognóstico torna-se indefinido. O exame radiográfico, nestas circunstâncias, tem pouca valia. Há de se aguardar o desenvolvimento para se certificar da graduação de gravidade específica.
Neste período, até mais ou menos três a quatro meses, deve ser orientada a manipulação. Fixa-se o retropé em posição neutra e, com a outra mão, mobiliza-se lateralmente o antepé.A observação é mandatória. Somente nos casos em que não se constatou melhora, iniciam os gessos corretivos semanais, intercalados com cunhas retiradas da borda lateral centradas sobre a base do V metatarsal. O retropé deve estar rigorosamente em posição neutra. A confecção deste aparelho gessado longo (que permite correção da torção medial) é facilitada se for feito em duas etapas, de proximal para distal (raiz da coxa, joelho em 90º de flexão, retropé neutro, até o mediopé) e finaliza-se com o antepé em abdução.
No período médio de 12 semanas é desejável que se obtenha discreta correção, além do alinhamento normal. Nesta ocasião, o exame radiográfico é útil. Verifica-se a normalização dos eixos do retropé e antepé através de vários traçados: talus-I metatarsal, calcâneo-V metatarsal, etc.
Uma vez obtida a correção, certificada clínica e radiologicamente, deve-se orientar para a manipulação, além do uso de uma goteira noturna de gesso, polipropileno ou mesmo uma órtese ajustável existente no comércio.
A observação até o início da marcha deve ser mensal. Não é conduta de boa prática, a utilização de botas ortopédicas de pontas invertidas. Se houver tendência a recidiva da deformidade, reinicia-se a correção gessada.
A indicação de tratamento cirúrgico fica reservado para os casos graves, sintomáticos e incapacitantes, o que é extremamente incomum. A faixa etária acima de 6-8 anos é necessária para avaliar melhor os detalhes da anatomopatologia e endereçar especificamente a técnica adequada aos componentes da deformidade.Lembre-se que a história natural desta deformidade não revela pés rígidos ou dolorosos, na maioria das vezes!

Antônio Egydio de Carvalho Jr.

 

Esporão de Inserção do Tendão de Aquiles

 

Após vários anos sentindo dificuldade no tratamento do esporão localizado na inserção do tendão de Aquiles e pesquisando a literatura, chegamos à conclusão que seria melhor tratar esta patologia de uma forma sistemática e mais agressiva.
Como a maioria das patologias ortopédicas, começamos o tratamento conservadoramente, com AINH, elevação do salto, fisioterapia, crioterapia e repouso relativo.
Se estivermos diante de um insucesso, realizamos tratamento cirúrgico, assim protocolado:

acesso por uma via transversa posterior de tornozelo, sobre uma das pregas; 
- ressecção da bolsa sobre o tendão de Aquiles;
 
- incisão do tendão em “Y” invertido, com a bifurcação caindo exatamente sobre a maior elevação do esporão, preservando-se a continuidade dos tecidos tendinosos laterais superiores e inferiores, para não perder a continuidade do tendão em questão;
 
resseção do esporão;
- tenorrafia com fio inabsorvível e fechamento por planos (tecido celular subcutâneo e pele).

Mantemos gesso sem apoio por 15 dias e com apoio por mais 30 dias. Após a retirada do gesso, voltamos a usar a elevação de salto, crioterapia e fisioterapia por, aproximadamente, 90 dias.
Os resultados são ótimos, pois os fatores causais (bolsa e esporão) são retirados e os sintomas desaparecem.

Mauro Luiz Fuchs

 

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5    

 

seção livre

9o Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé

 

Tendo chegado ao final do 9º Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé, faz-se oportuno o presente comunicado, no intuito de evidenciar o grande sucesso do evento.
Tivemos a honra de receber 455 congressistas, representantes de 21 Estados brasileiros, e da Bolívia; além das ilustres presenças dos Professores Alberto Macklin Vadell (Argentina), Donald E. Baxter (EUA); Fernando M. Salas (Argentina), James C. Drennan (EUA) e Nestor Horácio Natielo (Argentina), com suas participações brilhantes em conferências e mesas redondas sobre pé adulto e pé infantil. Abordaram temas relevantes da ortopedia mundial e colaboraram sobremaneira para o engrandecimento das atividades científicas realizadas e obtiveram indubitavelmente, notória receptividade entre os participantes.
Isto posto, gostaria de ressaltar o surpreendente desempenho do quadro “Fale com o Professor” sob orientação dos Professores Egon E. Henning, Manlio M. M. Napoli e Osny Salomão e que, através de atividades dinâmicas e interativas, possibilitaram aos participantes uma satisfatória orientação e discussão, bem como proveitosos esclarecimentos de dúvidas sobre patologias do tornozelo e pé.
Ademais, gostaria de fazer uma menção honrosa à Dra. Marta Imamura, pela excelente coordenação do inédito Curso de Reabilitação do Tornozelo e Pé.

 

Cabe ainda lembrar os prêmios científicos do Congresso: Prêmio “Valente Valenti” para O Melhor Tema Livre – Instabilidade da IIa articulação metatarsofalângica – diagnóstico e tratamento – autor: Dr. Mario Sergio P. de Cillo; Prêmio “Kenneth Johnson” para a Melhor Comunicação Breve – Meniscóide medial do tornozelo – Dr. José Mário O. de Azevedo; Prêmio “Sérgio Ferreira dos Santos” para Tratamento em Reabilitação – Dor crônica e sensibilização periférica – relato de um caso – Dra. Satiko T. Imamura. A todos , os nossos parabéns.
À Comissão Organizadora e Científica, composta pelos Drs. Alfonso Apostólico Netto, Antonio Augusto Couto de Magalhães, Márcio Benevento, Nelson Astur Filho e Osny Salomão, gostaria de externar meus sinceros agradecimentos pelo grande esforço despendido em prol da realização de um Congresso que satisfizesse às expectativas dos mais exigentes participantes, bem como pela harmoniosa e fraternal convivência estabelecida
Em especial, agradecemos o Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé, Dr. Antônio Egydio de Carvalho Jr., pelo inestimável apoio recebido para que pudéssemos lograr êxito em tão árdua e estimulante tarefa!!!

Augusto César Monteiro
Presidente do 9º Congresso
 

 Congresso da Federação Internacional do Pé e Tornozelo (20o encontro do CIP)

 

Em relação ao Congresso Internacional do Pé que será realizado em Kyoto, no Japão, de 13 a 16 de outubro do corrente ano, cumpre-nos informar que alguns fatos nos motivam a convidá-los para participar deste evento. Aguardamos um maciço comparecimento de nossa querida Sociedade do Pé.
Se não vejamos: além dos colegas japoneses, teremos a presença de colegas europeus como Basil Helal e Eric Anderson (Inglaterra), Patrice Diebold e Nelly De Stoop (França), Sandro Giannini (Itália) e Ramon Viladot (Espanha), e americano como G. James Sanmarco. Os assuntos abordados versarão sobre o Tratamento do PTC, Traumas do Retropé, Falhas na Cirurgia do Hálux Valgo e Lesões do Pé e Tornozelo no Esporte. Como podem observar, todos os temas são relevantes e atuais.
Uma viagem é uma oportunidade rara que não devemos deixar passar; principalmente para Kyoto, uma cidade com mais de 1000 anos, antiga capital do Império Japonês. Não iremos enumerar aqui as belezas de suas paisagens e a tradição do povo, fatos por demais conhecidos de todos.

Mas os momentos prazerosos viajando com os colegas do Pé, unindo a atualização científica com as delícias da viagem, torna a mesma única e exclusiva. No intuito de orientar e ajudar sócios, entramos em contato com algumas agências de turismo para a elaboração de um programa de viagem que possa englobar não só a cidade de Kyoto, como também Tóquio. Haveria a possibilidade, de acordo com o número de colegas interessados, da viagem estender a Pequim (Beijing), com visita à Muralha da China e o Museu Mao Tsé Tung, entre outras, com retorno passando por Nova Iorque ou Havaí (Honolulu).
Para maiores detalhes, os colegas que se interessarem pelo Congresso e pelos passeios, deverão entrar em contato com:
BOM BINI – Viagens e Turismo LTDA. (a/c Maria Augusta) – Rua Diogo de Quadros, 240 – loja 01 – telefax 011-5183-7020. Obs.: Quanto maior o número de participantes, menor o custo do pacote).
Sayoonahara!!!

Alfonso Apostólico Netto
Antonio Augusto Couto de Magalhães
 

Botinhas Ortopédicas: A grande chance!

O ano de 1991 foi o auge da polêmica sobre a indicação de órteses ortopédicas para correção de pés planos. Colegas davam entrevistas, afirmando que os calçados ortopédicos não corrigiam nada e que o melhor lugar deles era a lata de lixo. Lembro-me até de um slide apresentado em aula. No entanto, existia um grupo de ortopedistas que tentava mostrar que não era bem assim! Concediam-se entrevistas , principalmente para o meio médico, como o Boletim da SBOT, onde vimos as opiniões do Dr. Manlio Napoli, do Dr. Osny Salomão e outros, relatando a experiência de cada um, defendendo a utilidade das órteses. 
Nesta época, caíram nas minhas mãos dois gêmeos univitelinos,. idênticos em tudo: tamanho, peso e, inclusive, pé planos.
Examinando as crianças, aventei a possibilidade de fazer o tratamento de seus pés com botinhas ortopédicas e palmilhas. A mãe descartou imediatamente a idéia, alegando ser muito pobre e que mal tinha condições de sobrevivência. O ambulatório, onde atendemos na Santa Casa, recebe pacientes cujo grau de pobreza é, às vezes, absoluta.
Naquele instante tive um pensamento “brilhante”. Assumiria o tratamento de uma das crianças, fornecendo gratuitamente as botas e palmilhas; o outro irmão poderia usar qualquer tipo de calçado e andar bastante descalço. Expliquei, detalhadamente, que alguns médicos receitavam botas e outros achavam melhor não receitar nada e que este trabalho seria muito importante para fazer a comparação entre as duas condutas.
A seguir, conversei com os irmãos Campos, na oficina ortopédica, e pedi a eles que confeccionassem as botinhas e palmilhas com toda a técnica, porque planejava um trabalho científico. Na ocasião, recebiam um grande número de prescrições e se prontificaram a fazê-las sem cobrar nada.
Começou, então, o tratamento dos gêmeos Wellington e Wesley. Wellington usava botinhas e Wesley, nada. Foram realizados controles de seis meses, como norma, avaliando-se o desgaste das botas e 

 

as medidas dos pés de Wellington. 
Simultaneamente era feita a comparação com o irmão que vinha sempre de sandálias ou descalço. No primeiro ano: nada! No segundo, também não havia diferença nenhuma! Os dois estavam corrigindo os pés “gemelarmente”. Comecei a me preocupar com o resultado final. Reavaliei as correções preconizadas pelo Professor Valenti, fazendo a elevação em 1/4 de esfera, sendo o raio 1/12 do tamanho do pé, sob a cabeça do tálus.
Ia pessoalmente à sapataria para ver a confecção das botas e palmilhas. Após quatro anos de tratamento contínuo, fiz o último exame. Wellington ainda usava as botinhas e Wesley a sandália de dedo.
“Tentei achar” que os pés com botinhas estavam melhores. Fiz um check-up completo nos dois irmãos, inclusive com radiograf
ias. Tudo igual. Expliquei à mãe que ambos ficaram bons. Não havia diferença alguma entre os tipos de tratamento realizados. Mesmo assim, a mãe agradeceu às lágrimas, por ter ganho sapatos para seu filho Wellington durante quase quatro anos.
Continuei a prescrever as botinhas e palmilhas, mas com menos freqüência e comecei a duvidar que o professor Valenti fosse um emissário do Céu!
Alguns meses depois, fui à sapataria dos irmãos Campos para orientá-los na confecção de uma palmilha especial. Aproveitei a oportunidade para agradecer a boa vontade e as despesas que tiveram ao fazer gratuitamente as botinhas do Wellington. Foi então que lhes expliquei o motivo do trabalho. Um deles ficou lívido e depois se pôs a rir e disse: Doutor, nós somos muito inocentes! A mãe dos meninos, a partir da segunda ou terceira vez que voltou a sapataria, mandou que fizéssemos também botas e palmilhas igualzinhas para o irmão Wesley. Ela pagava pelo outro par. Pediu-nos segredo absoluto, pois temia que o senhor ficasse preocupado dela gastar tanto dinheiro!!!

Ricardo Malaquias de Miranda 

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diretoria social

Amigos do "Pé" 

Como é bom escrever este artigo para vocês, contente e plenamente realizado, ainda com o 9o Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé na memória de todos. A Comissão Organizadora participou de quase 60 reuniões, todas às quartas-feiras, em exatamente 15 meses, cada uma delas com duração aproximada de três horas. Uma eternidade, se pensarmos no tipo de vida que leva cada um de nós médicos componentes da comissão. Porém, três pontos foram respeitados e seguidos à risca por todos do grupo: Amizade, Liberdade de Opinião e União.
Ao lerem este texto, vocês deverão estar pensando por que o Alfonso começou o seu artigo de uma maneira tão séria, uma vez que os resultados, tanto da pesquisa escrita como verbal, com os participantes do congresso, foram tão positivos.
É que, apesar de todo o sacrifício e responsabilidade, o resultado foi muito gratificante e você, Sócio, desempenhou um papel fundamental. Não foi só com sua presença, dando um voto de confiança para todo o trabalho, mas também com sua efetiva e calorosa participação nos diferentes eventos durante o congresso. E tenha certeza, Sócio e Colaborador desta sociedade, o esforço realizado foi muito grande para que você participasse de todas as atividades sociais, sem qualquer ônus além de sua inscrição.
No dia 21 de abril, tivemos a presença de 320 pessoas no espetáculo teatral “Qualquer gato vira-lata tem uma vida sexual mais ativa do que a nossa”. Além das qualidades “artísticas” da atriz Rita Guedes, presenciamos um texto muito inteligente de Juca de Oliveira,. Com situações do nosso dia-a-dia em nossas casas com filhos adolescentes.
No Jantar Oficial, na quinta-feira, havia 350 colegas colocando o papo em dia, divertindo-se com o Mágico Bianco, quando pôde-se perceber que uma pessoa tem condições de ser muito engraçada e agradável sem precisar apelar para nada mais que o seu próprio talento.
No sábado de manhã foi realizado o já tradicional Torneio de Tênis, com a participação dos colegas Androsoni, Élcio, Flávio Abrão, Marcio Benevento, Marcos Túlio, Marco Guedes, Cleance, Walter Harris, Carlos Augusto e Luís Philipe. A vitória coube à dupla formada por Marcos Túlio e Marco Guedes. Vale salientar aqui que o nosso Marco “Guga” Guedes é bicampeão do torneio (1998 em Goiás e 1999 em São Paulo).
Para encerrar, gostaria de citar que, enquanto participávamos das atividades científicas do congresso, nossas acompanhantes fundaram, durante seus passeios, a “AEPE – Associação das Esposas do Pé”, cuja lista de filiação recebi durante o jantar. Elas prometem acompanhar e fiscalizar as atividades de todos os maridos nos próximos congressos! Portanto, rapazes, cuidado!..
Um grande abraço a todos

Alfonso Apostólico Netto

 

seção cultural 

O Drama de Antônio

 

A padaria tinha aberto suas portas às seis da manhã daquele domingo para atender o público, muito embora os empregados tivessem chegado bem antes para preparar o pão. Ao meio-dia encerrou-se o expediente e, com as portas cerradas, o jovem casal de portugueses, proprietários do estabelecimento, foram ao andar superior onde residiam, pela escadaria interna que lhes servia para esse fim. Receberam a visita de outro casal para o almoço, que tinha uma filha de quatro anos, da mesma idade de seu filho António.
Dona Maria de Lourdes havia preparado uma deliciosa bacalhoada, regada a vinho branco português. Depois da refeição, foram se sentar nas poltronas da varanda para saborearem o café e prosear.O silencio da rua, a paz e o sossego foram subitamente e ofensivamente interrompidos por um grito de desespero vindo das profundezas da edificação, que gelaram os corações de Maria de Lourdes e seu marido Ramalho. Tinham a certeza que partira dos lábios de seu filho.
Meu Deus, que foi isso?
Os gritos continuavam, agora entrecortados pelo choro de duas crianças e vinham lá da padaria. Ramalho voou escada abaixo e acendeu a luz, pois a parte de trás da padaria estava na escuridão e ele ouvia o funcionamento de máquinas, que naquela hora deveriam estar todas desligadas.
Nunca mais na vida se apagaria de sua memória a cena que viu. Anos mais tarde, ao reencontrá-lo , contou-me que ainda sonhava com aqueles momentos terríveis e acordava de madrugada, banhado de suor. António se encontrava de pé em cima da bancada de mármore, gritando, com os pés descalços presos entre os cilindros giratórios da máquina que ficava na bancada e servia para se passar diversas vezes a massa de pão durante o seu preparo.
O motor zunia, mas os cilindros se encontravam travados, devido à espessura dos pés presos neles. Desligou imediatamente o motor e rapidamente soltou o cilindro superior, liberando o garoto, que desfaleceu em seus braços. A menina chorava num canto e explicou aos pais aflitos que o António brincava próximo aos rolos, quando ela apertou um bonito botão verde. No instante seguinte, o seu amiguinho se pôs a gritar.
Foi esta a história que me foi relatada posteriormente, porque entratam pai, mãe e criança chorando aos berros no Pronto socorro onde me encontrava de plantão.
O esmagamento dos pés de António era muito sério. As radiografias mostraram fraturas de metatarsais e falandes, mas de pouca importâncioa e gravidade. Porém, as lesões de partes moles eram de abalar o mais experiente ortopedista.
No entanto, o que mais me impressionava era a atitude estóica do menino, que ao me ver, pareceu se tranquilizar e, virando-se para a mãe, falou:

Mãe, não estou chorando mais, vê... Então, pare de chorar também!
— Oh, meu filho! — disse ela, apertando-o contra si.
Solicitei o concurso do cirurgião plástico e, juntos, operamos o menor. Lavamos criteriosamente os ferimentos e fizemos enxertos imediatos de pele. Após os curativos, colocamos duas talas gessadas.
O paciente evoluiu com febre e infecção nos primeiros dias e fazíamos curativos diários, até que a aparência dos pés ficou mais saudável. Os dedos mínimos dos pés tiveram de ser amputados, porque ficaram sem circulação sangüínea, porém, foi só. Quando chegava a hora de fazer os curativos, António parecia oferecer os pés para isso, tal o seu firme propósito de sarar. Observando-o, via seu semblante preocupado, de olhos arregalados e pupilas dilatadas e os lábios esbranquiçados, do esforço que fazia para não emitir um gemido sequer.
Durante este período, ele se manteve calmo, sem nunca chorar ou se lamuriar. Não parecia uma criança de apenas quatro anos. Toda vez que seus pais o visitavam, esboçava um sorriso e abraçava os dois. Injetava ânimo nos seus rostos tensos.
Na enfermaria de crianças, fez amizade entre paciente e enfermeiras. Era adorado por todos. Durante quatro semanas ficou restrito ao leito, não podendo andar, mas sua cama estava sempre cheia de brinquedos e rodeada pelos seus coleguinhas de infortúnio.
Ao se aproximar de um mês do acidente, notificamos os pais que íamos tentar fazê-lo caminhar, inicialmente com as talas de gesso e depois sem elas. Nada dissemos ao garoto.
Logo cedo, no dia marcado, os pais se achavam na sala de recepção. Convidei-os para me acompanhar e lá fomos até a enfermaria.
Apesar de saber a coragem que António tinha demonstrado desde sua internação, nunca imaginei que, ao sugerir que andasse, prontamente aceitaria o desafio, sem relutar.

Deu os primeiros passos segurando as minhas mãos e depois as soltou e, desajeitadamente por causa do gesso, com a fácies lívida, foi cambaleando em direção à sua mãe.
— Mamãe!

Todos nós chorávamos de felicidade e batíamos palmas pela sua força de vontade em se recuperar. Seu rosto se iluminou.
Alguns dias depois, recebeu alta do hospital e continuou em tratamento ambulatorial, recebendo alta definitiva dois meses depois.
Cerca de três anos mais tarde, tive a oportunidade de revê-lo, quando esteve em consulta por outro problema ortopédico. Não tinha dor nos pés, jogava futebol como qualquer outro menino de sua idade e não se achava traumatizado pelo fato de ter perdido alguns dedos. Enfim, era uma criança normal. Não posso conter a minha admiração pelo António, que diante da adversidade, com a tenra idade de quatro anos, soube enfrentá-la melhor do que muitos adultos.
P.S. - A história é real; os nomes fictícios. Por ocasião da consulta por outra patologia, apresentei a criança no Clube do Pé. Na ocasião, o comentário foi de como é maravilhosa a Mãe Natureza, na recuperação quase que milagrosa de seus pequenos filhos.

Walter Whitton Harris

 

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7   

 

tesouraria

Encerraram-se os trabalhos da Comissão organizadora do 9o Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé, da qual tive a honra de participar.
Estou com muita vontade de comentar sobre as partes científica e social, porém, meus colegas da comissão estão mais capacitados para isto do eu, portanto, vou me ater à minha área, ou seja, à tesouraria e um pouco de estatística.
O evento contou com 455 participantes (um recorde), com uma receita de R$178.343,00 e uma despesa de R$165.236,00. Portanto, a SBMCP teve um lucro de R$13.107,00. Estiveram presentes representantes de quase todos os Estados, São Paulo participando com mais de metade dos inscritos (272).
O custo da alimentação e bebidas (jantar e coffee-breaks) foi de R$86,00 por participante. Este valor corresponde aproximadamente à diferença entre a inscrição do sócio e o não sócio, mostrando assim a vantagem de ser associado. O valor da anuidade da nossa sociedade se paga quase que totalmente em apenas um congresso.
Conseguimos comercializar os 16 stands. Não posso deixar de ressaltar a presença de patrocinadores, aqueles que ofereceram uma quantia além daquela estipulada para o stand. Graças a estes é que foi possível oferecer um programa científico e social extenso sem nenhum custo adicional para os participantes. São eles: Fazendas Reunidas Boi Gordo, Laboratórios Pfizer/Searle, Banco Real, Hospital e Maternidade São Luiz, Impol, Ortholine e Ortopedia Palmipé. A todos eles, de público, o nosso Muito Obrigado.
Gostaria ainda de agradecer meus companheiros da Comissão Organizadora que tiveram, a toda quarta-feira e por mais de um ano, de agüentar meu “pão-durismo” cada vez que se propunha gastos a mais.
Quero ainda dizer quão gratificante é receber, de colegas que você raramente vê, agradecimentos pelo bom congresso e que, como se sabe, vem do fundo do coração.

Nelson Astur Filho

 

 

Calendários das Reuniões de Diretoria para 1999

 · junho dia 11 (sexta-feira)· agosto dia 13 (sexta-feira) · setembro dia 10 (sexta-feira) · 
outubro
dia 8 (sexta-feira) · novembro dia 12 (sexta-feira) · dezembro dia 10 (sexta-feira)

Julho/99
Dias 2 e 3
Jornada de Patologia do Pé – Terni (Itália)
Fax: 39 744 406160 (Dott. Leonardo Luchetti). Em São Paulo, tel. (011) 572-3699 (Dr. Sérgio Bruschini) 
(vide pág. 4 deste Boletim)
Dias 9 a 11
AOFAS Winter Meeting – San Juan (Porto Rico)

800-235-4855. Informações também podem ser obtidas na Internet, no endereço http://www.aofas.org/courses.html
Dias 24 a 26
Congresso Mineiro de Ortopedia e Traumatologia
Belo Horizonte (MG) Tel: (031) 227 1011

Setembro/99
Dias 17 e 19
Curso de Internacional de Patologias do Pé e Tornozelo - DOT/FMUSP, Paulo (SP)
Participação especial do Dr. Stephen Conti (EUA). 
Temas Centrais:
Artroplastia e Artroscopia do Tornozelo
Responsáveis: Drs. Osny Salomão e Antônio Egydio de Carvalho Jr.
- Reserve a data para este curso imperdível! Vagas limitadas!
Informações pelo tel:  (011) 3069 6950 - centro de Estudos Godoy Moreira, com Márcia 
Dias 17 a 19
- Curso sobre Pé Diabético – AOFAS – Allerton Hotel, Chicago, Illinois (EUA)
Informações pelo tel. 1-800-235-4855 ou site http://www.aofas.org/courses.html

Outubro/99
Congresso Matogrossense de Ortopedia – Cuiabá (MT)
Tel. (065)321-2633
Dias 13 a 16
XXth Congress of the International College of Medicine and Surgery of the foot – Kyoto, Japão
-Neste Congresso será fundada a Federação Internacional do Pé, em substituição ao C.I.P. É fundamental a presença de uma delegação brasileira numerosa, para mostrarmos a força e capacidade da nossa SBMCP. A propósito, haverá um pacote “econômico”, que está sendo organizado pela Diretoria Social. (vide página 6 deste Boletim)

Dezembro/99
Dias 3 e 4
XXII Jornada dos Ex-residentes do Hospital Anchieta e comemorações dos 50 Anos da Fundação do Hospital Anchieta
Dias 10 e 11 - 
Eleições da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé e festividades de fim de ano
Conferências com convidado estrangeiro: Dr. Ronald Smith, atual Presidente da AOFAS
- Venha votar, atualizar-se e cair na farra! Obs.: Juntamente com a esposa!... (é óbvio)

 

homenagens

 

Por ocasião da Assembléia Ordinária da SBMCP, em 22 de Abril de 1999, durante o 9o Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé e de acordo com o Estatuto vigente, foram aprovados por unanimidade as indicações dos Drs. Donald Baxter, Fernando M. Salas, James C. Drennan e Dr. Nestor Horacio Natielo para Membros Honorários; pelo mérito e apoio prestados a esta Sociedade. Dr. Alberto Macklin Vadell, também convidado estrangeiro, não foi indicado, por já ser Membro Honorário.
Da mesma forma, houve a designação dos Drs. Donato D’Angelo e Humberto Maradei Pereira para Membros Eméritos.É prazeroso ver-se juntar à galeria dos Drs. Egon Erich Henning, Luiz Tito de Castro Leão e Manlio Mario Marco Napoli, que tão relevantes serviços prestaram, os nomes destes eminentes médicos que labutam na Especialidade e sobretudo são paradigmas do saber.

Antônio Egydio de Carvalho Jr. 

 

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