Sociedade Brasileira
de
Medicina e Cirurgia do  Pé
SBMCP

 

Filiada ao Colégio Internacional de Medicina                 
e Cirurgia do Pé                  
Alameda Lorena, 1304 - sala 1108 - CEP 01424-001 - São Paulo - SP - Brasil                 
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   ANO 4

NÚMERO 13

         DEZEMBRO DE 1998

  

Editorial

 

 ES.B.P. = S.B.M.C.P.

A modernização é fato real!

O processo de informatização da Sociedade exige a abertura de uma Home Page. Daí decorre a necessidade de inserirmos no endereço virtual a sigla da Sociedade. Para nossa surpresa, não seria possível utilizarmos a abreviatura S.B.P., por já estar incorporada a outra entidade. Fomos obrigados a recorrer à sigla S.B.M.C.P. que na realidade é, a nosso ver, a mais adequada e lógica para o nome da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé.
E, portanto, será adotada oficialmente, de agora em diante.
Entretanto, não devemos nos olvidar da origem da sigla anterior, que representava o nome de nossa entidade, por ocasião de sua fundação: Sociedade Brasileira de Podologia.
Embora passado recente, não nos resta tempo para descansarmos sobre os louros de um evento bem sucedido como foi o Dia da Especialidade no XXXI Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia!
A presença maciça de mais de 150 membros no prolongado e exitoso Programa Científico vem a confirmar a pujança da nossa Sociedade. Além disso, o congraçamento social esteve impecável, demonstrando o quanto é prazerosa a convivência entre os membros dessa verdadeira "Confraria"!
É hora de arregaçar as mangas e prepararmos o 9o Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé, que se configura em outro enorme sucesso.

Antonio Egydio de Carvalho Jr.
Presidente

                       boletim               

   Editorial                                       1
   Antônio Egydio de Carvalho Jr.
   Diretoria Científica                     2
  
Critérios de Seleção de Trabalhos 
  Científicos para Publicação

  
Diretoria Social                           2
   Alfonso Apostólico Netto          
  
Tesouraria                                  3
 
Nelson Astur Filho
  
Como eu Trato                            3
  Abordagem e tratamento do pé
  geriátrico

  Antonio Augusto Couto de Magalhães
  Halux rígido

  
Mauro Luiz Fuchs
  Sugestões de Leitura
                 4
  
Antônio Egydio de Carvalho Jr
  Túlio Diniz Fernandes
  
Notícias                                      5
  Comitê de Cirugia do Pé e Tornozelo
  / RioGrande do Sul
 
  Antônio Carlos Flores dos Santos
  Regional Nordeste da S.B.M.C.P.
  Gildásio Daltro   

  2
°
Reunião Conjunta de Cirugiões
  do Pé e Tornozelo
  
Sérgio Vianna
  
Seção Livre                            6/7
 
A importância de como prescrever
  órteses para os pés

  Nelson Astur Filho
  Porque a botinha ortopédica virou
  o vilão da história?
  Ricardo Malaquias de Miranda
  9° Congresso Brasileiro de Medicina
  e Cirurgia do Pé

  Augusto César Monteiro
 
Seção cultural                         7
  O Encanador;
  Manlio Napoli
 
Anote em sua Agenda            8
 
Atividades de 1999
 
Agradecimentos                      8
 
O boletim                                 8
   
 
Walter Whitton Harris

 .

     1  

 

diretoria científica


Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé
Critérios de Seleção de Trabalhos Científicos par a Publicação

1. Os trabalhos devem preencher rigorosamente as normas oficiais de publicação da REVISTA BRASILEIRA DE ORTOPEDIA, exceto aquela que apontaremos e nomearemos a seguir (item 2).
2. Adotaremos o sistema de seleção "cega" e para tal, os nomes dos autores, do serviço, cidade, estado e qualquer outra informação que possa identificar a origem do trabalho (incluindo figuras e fotografias) deverão ser omitidas do corpo do original. Todos os dados de identificação deverão constar de página de rosto que deverá ser colocada em envelope lacrado, o qual será colado na contracapa final do trabalho. Nessa mesma lauda deverá estar assinalado em destaque o nome do autor principal bem como seu endereço atualizado para correspondência. Esta determinação inválida a norma de número 4 da REVISTA BRASILEIRA DE ORTOPEDIA.
3. Serão aceitos para avaliação apenas os trabalhos que forem postados até a data limite estipulada e divulgada antecipadamente para cada evento.
4. A análise do padrão científico dos trabalhos será efetuada por três Membros Titulares da SBP.
5. Na avaliação, serão considerados os itens abaixo enumerados e para cada um será atribuída pontuação da 0 a 10:
5.1 Estruturação – organização, equilíbrio e exatidão das partes do trabalho (aspectos formais).
5.2 Composição – adequação, correção, clareza, objetividade e fluência do vernáculo.
5.3 Condução – correta idealização e aplicação do método científico.
5.4 Casuística e Acompanhamento – adequação para o tema estudado.
5.5 Análise e Resultados – métodos estatísticos, tabulação e forma de apresentação dos dados numéricos.
5.6 Discussão e Conclusões – embasamento, amplitude e correção face aos resultados obtidos.

5.7 Informação – originalidade, interesse e aplicabilidade.
5.8 Iconografia –qualidade, equilíbrio e compatibilidade com o texto.
5.9 Bibliografia – consistência e abrangência (recomenda-se enfaticamente a citação dos trabalhos nacionais relacionados diretamente com o assunto central).
5.10 Resumo e Summary – precisão e concisão.
6. Cada analista emitirá, isoladamente e sem o conhecimento dos demais, parecer, por escrito, sobre o trabalho em que constem a pontuação para cada item e as observações que julgar necessárias para sugerir ou desaconselhar a publicação.
7.O teor dos pareceres a respeito de cada trabalho será automaticamente enviado para o autor principal, e somente para ele, em caráter confidencial.
8. Uma vez concluída a avaliação de todos os trabalhos submetidos a SBP, serão indicados para publicação aqueles que obtiverem as maiores pontuações.
9. Em caso de empate, observar-se-ão os seguintes critérios de desempate, na ordem especificada: 1. Pesquisas Clínica e Pura; 2. Relato de Caso; 3. Apresentação de Técnica e 4. Trabalho de revisão.
10.Na persistência de empate e caso haja trabalhos aprovados em maior número do que o determinado pela REVISTA BRASILEIRA DE ORTOPEDIA, serão reveladas suas autorias e serão preteridos aqueles cujos autores principais tenham o maior número de trabalhos aprovados e selecionados para publicação no mesmo evento editorial.
11.Na persistência de empate, será escolhido o trabalho que tiver chegado primeiro às mãos da Diretoria Científica da SBP.
12.Os casos omissos e aqui não previstos, serão discutidos e aprovados por toda a Diretoria da SBP e a conduta adotada será divulgada aos interessados e diretamente envolvidos.

 

Para aqueles que não estão acostumados a tomar conhecimento de datas-limite, gostaríamos de alertá-los que os trabalhos para seleção e publicação na edição da especialidade, na Revista Brasileira de Ortopedia, em 1999, somente serão aceitos até 30 de março. Portanto, preparem os trabalhos em tempo hábil para não perder a oportunidade de participar da próxima edição do Pé na R.B.O.

 

diretoria social

  Amigos do Pé

 

O XXXI Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia realizado em Goiânia deu-nos mais uma amostra da progressiva e consistente evolução de nossa Sociedade, senão vejamos: pra variar, quando chegamos a Goiânia, deparamo-nos com o mesmo problema ocorrido em Curitiba dois anos atrás. Para o "Dia da Especialidade", a sala era pequena demais e inadequada para nossas atividades. Procuramos os organizadores do Congresso que nos informaram que a distribuição das salas era proporcional ao número de pré-inscritos na especialidade. Com o apoio de toda a Diretoria em 24 horas tínhamos 150 pré-inscritos, "levando" a organização do congresso a ceder0-nos então uma sala apropriada para nossa Sociedade.
No dia da Especialidade tivemos uma nova experiência. Acho que foi um sucesso, consistindo num programa Científico contínuo, sem intervalo para almoço, com distribuição gratuita de lanches e refrigerante, evitando-se assim perda desnecessária de tempo. Após as atividades científicas, tivemos um fim de tarde e noite excepcionais, não só pela beleza da natureza do local (Clube dos Japoneses) como também pelo ambiente de descontração e camaradagem que iniciou-se nos ônibus que transportaram a todos e estendeu0se pelo jogo de futebol, pelo torneio de tênis, pelo churrasco com direito a comida japonesa e comida típica da região, logicamente acompanhados pela cerveja geladíssima e pelo karaokê. Ao ver os colegas com a camiseta da Sociedade, relaxados, brincando, esquecendo-se das dificuldades do dia-a-dia, acredito mais e mais na importância da socialização de seus elementos

Antes de encerrar o capítulo Goiânia, gostaria de relacionar os prêmios conferidos pela Diretoria Social aos participantes da festividade:
u Troféu "Roland Garros": Nelson Astur e Marco Guedes (campeões do torneio de tênis)
uTroféu "Arthur Ashe": Dr. Alvin Crawford (participação no torneio de tênis);
u Troféu "Vai que é sua Tafarel": Faria(melhor goleiro do torneio);
u Troféu "Pança de Ouro": Túlio (barriga mais sexy da competição);
u Troféu "Armando Marques": Magalhães (melhor e único juiz da competição);
u Troféu "Craque não tem Idade" Gabriel (com seus 80 anos, ainda joga bola e bem!!);
u Troféu "Hospitalidade": a toda Diretoria e funcionários do "Clube dos Japoneses".

Para encerrar, gostaria de dar algumas notícias sobre o 9º Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé a ser realizado em abril de 1999. Apesar de todas as dificuldades financeiras, estamos equacionando juntamente com o Tesoureiro do congresso a melhor maneira possível para que possamos proporcionar a todos os inscritos uma festa de confraternização com várias surpresas, tornando-o inesquecível. Você, Sócio, poderá ajudar-nos muito antecipando a sua inscrição, assim como de seu acompanhante
Um forte abraço.

Alfonso Apostólico Netto

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2   

 

como eu trato

Abordagem e tratamento to Pé Geriátrico

A Organização Mundial de Saúde define como IDOSOS os indivíduos com faixa etária acima dos 65 anos de idade. Considerando o fato de que os pés sofrem uma carga acentuada durante um período tão longo, aguçou-nos a curiosidade em sabermos em que condições se apresentariam os pés, após 65 anos de vida. Em um censo realizado nos EUA, em 1990, existiam 30.3 milhões de americanos com idade acima de 65 anos e a estimativa que até o final do século somem um total de 40 milhões de idosos. No Brasil com população de 150 milhões e uma predominância de jovens, reduziríamos para 10%, perfazendo uma população equivalente a 15 milhões de idosos. Como sabemos que cerca de 80% dos pacientes idosos referem pelo menos uma queixa relacionada aos pés, temos um universo de 12 milhões de pacientes geriátricos. Analisando suas queixas principais encontramos 50% associadas a calos ou calosidades, 25% provocadas por joanetes ou deformidades dos dedos dolorosas e 25% com complicações das unhas. A abordagem do paciente geriátrico deve ser vista com reserva e cuidados especiais, diferente do tratamento utilizado para os pés infantis ou do adulto jovem, em que a sobrecarga é maior e mais intensa, sendo que nos idosos a demanda é menor e mais restrita. A marcha do idoso é de 25% a 33% diminuída em relação à marcha do adulto ativo e é provocada por retardo da força do retropé, no momento de apoio do calcanhar, antes do contato de todo o pé contra o solo. Os pés geriátricos possuem características próprias como a presença de pele seca, fato que predispõem esses pés ao aparecimento de fissuras, propiciando a invasão de bactérias e surgindo a

infecção.Após os 65 anos ocorre uma degeneração do sistema músculo esquelético e nos pés surge uma deteriorização com diminuição do tecido subcutâneo e da vascularização periférica, acompanhadas por atrofia do coxim plantar.
A nossa postura como ortopedista frente ao paciente geriátrico deve ser benevolente, levantando em consideração seus medos e esperanças, radicalmente opostos aos demais pacientes adultos.
A deambulação sem dores nos pés, corresponde para muitos idosos, a uma vida própria totalmente independente de outras pessoas, equivalendo a tão almejada liberdade.

Através desta ótica, de que as extremidades inferiores dolorosas possam se tornar obstáculos para a independência desses indivíduos, a abordagem e tratamento desses pés deverá ser mais conservadora, podendo até aceitar deformidades, que tratadas com órteses ou calçados adequados, permitam a marcha limitada, porém independente. O conceito sobre órteses e próteses deve ser intensificado, objetivando o alívio das áreas de pressão, com o uso de calçados e palmilhas, confeccionados sob molde com materiais leves, macios e almofadados. Os atos cirúrgicos ficam reservados para os casos graves e incapacitantes, como nos pés diabéticos, síndrome do túnel do tarso ou disfunção do tibial posterior entre outros, necessitando cuidadosa avaliação clínica e laboratorial, sem esquecermos os altos riscos de complicações cirúrgicas, presentes nos pacientes idosos.

Antonio Augusto Couto de Magalhães

Hálux Rígido

É uma patologia freqüente, de pouco diagnóstico e difícil resolução. Devemos Ter em mente que essa patologia tem três características patognomônicas: a primeira, a diminuição da flexão dorsal da MTF; a Segunda, nem sempre presente, que é a hiperqueratose plantar sob a cabeça do V metatarso e a terceira, a osteofitose dorsal na articulação MTF.
Existem várias formas de tratamento, mas com algumas restrições. Inicialmente, devemos sempre tratá-lo de forma conservadora pelo tempo mais prolongado possível. Não evoluindo bem conservadoramente com AINH e fisioterapia, recorre-se ao tratamento cirúrgico. As cirurgias mais utilizadas são: a queilectomia, a cirurgia de Keller Brands e a artrodese da MTF. A meu ver, as duas últimas não tem resultados satisfatórios.
Assim sendo, iniciando uma série, usando a cirurgia de Renoir-Valenti, que consta do seguinte: acesso convencional de pele e tcsc; ressecção de cunha óssea de base dorsal na articulação MTF; mantêm-se o espaço com grampo de Blount; capsulorrafia. Posteriormente, o paciente é submetido a fisioterapia.

Mauro Luiz Fuchs

tesouraria

Durante a realização do XXXI Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia, tivemos a satisfação de receber as inscrições de 15 novos associados e dois postulantes.
Nossas contas estão equilibradas e todas as nossas forças estão agora voltadas para o sucesso do 9º Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé que será realizado de 21 a 23 de abril de 1999, na cidade de São Paulo.
Como tesoureiro desse evento, estou em busca de patrocinadores e da venda de stands.
Pretendemos oferecer um jantar/show, se o caixa assim permitir.
Peço a você que está lendo esta, e que tenha contato com firmas, mesmo fora do ramo médico, que queiram colaborar patrocinando algo relativo a ao congresso, que façam contato comigo.
Calcula-se que aproximadamente 500 congressistas estarão presentes ao encontro.
Conto com os colegas.

Nelson Astur Filho

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sugestões de leitura

Extraosseus Manifestations of Rheumatoid Arthritis in the Foot and Ankle  
O´Brien, T. S.; Hart, T. S.; Gould, J. S. - Clin. Orthop. 390: 26-33, 1997.
Várias manifestações extra-ósseas da artrite reumatóide podem estar presentes no pé e tornozelo. O processo inflamatório das partes moles pode se manifestar na forma de bursites, tendinites, fascites, neurites e sinovites. Ligamentos e tendões podem sofrer alterações degenerativas, levando a deformidades do pé. A mais comum é o pé plano, apresentando graus variados, dependendo da extensão do comprometimento do tendão tibial posterior. Em segundo lugar de freqüência, são acometidos os tendões fibulares.
Nódulos reumatóides estão presentes de 20% a 30% dos casos, em diversos locais e de tamanho e número variáveis. A vasculite é encontrada nos estágios avançados da doença. O envolvimento de nervos periféricos pode ocorrer em conseqüência a compressão dos nódulos reumatóides, das deformidades adquiridas do pé ou ainda por tenossinovites comprimindo os nervos adjacentes, como por exemplo no túnel do tarso.
As manifestações extra-ósseas no pé e tornozelo podem estar presentes nos períodos iniciais dessa doença sistêmica e comumente articular. O conhecimento de suas expressões é essencial no diagnóstico precoce e tratamento.

The Extended Lateral Approach to the Hindfoot - Anatomical Basis and Surgical Implications.
Freeman, B. J. C. et al. - J. Bone Joint Surg 80B(1), Jan 98.
Uma ampla abordagem lateral do retropé é descrita para o tratamento das fraturas intra-articulares desviadas do calcâneo. Ao contrário da via de acesso lateral direta, evita-se a lesão ao nervo sural e preserva-se a vascularização da pele permitindo a visão panorâmica da fratura e facilitando a redução e fixação. A técnica cirúrgica é demonstrada através de dissecção em cadáveres, ressaltando-se as estruturas da região posterolateral do retropé e tornozelo, com ênfase à vascularização da pele. A artéria fibular posterior é a artéria regional. Demonstrou-se também que o nervo sural fica protegido e contido no "flap" de pele, fáscia e musculatura. Do ponto de vista prático, foram revisados 150 pacientes operados por esta via de acesso e foram relatadas as indicações cirúrgicas: fixação de fraturas desviadas do calcâneo com artrodese subtalar reconstrutiva, fratura do tálus e fratura do maléolo posterior. As poucas complicações deste método foram infecção superficial, hematoma infectado e necrose de bordas. Não houve lesão do nervo sural.

An Anatomic Analysis of Endoscopic Plantar Fascia Release
Hawkins, B.J. et al. - Foot & Ankle 16(9): 552-558, 1995.
Muito embora o tratamento não operatório atenda à maioria dos casos da síndrome subcalcanear, há casos de fascite plantar rebeldes às medidas "conservadoras". Para essa "rara" situação, há referências na literatura de bons resultados com o tratamento operatório. O que é relativamente novo, é a liberação parcial ou total da fáscia plantar pela via endoscópica. Este artigo se propõe a um estudo anatômico do procedimento, que libera a fáscia plantar e objetiva responder três questões fundamentais relacionadas a essa técnica: 1. É factível e reprodutível? 2. Quais as possíveis estruturas "em risco" e quais foram as lesões indesejadas? 3. Qual a extensão de liberação possível, considerando-se o aspecto de causas de dor subcalcanear? As respostas aos quesitos constituem o mérito dos autores e, é claro, sua curiosidade o obrigará a ler integralmente o trabalho.

Antônio Egydio de Carvalho Jr.

 

Ankle Fracture Classification: A comparison of reliability of three X-ray views versus two  
Braje, M.E.; Rockett, M.; Vraney, R.; Toledano, A. - Foot & Ankle 19(8): 555-562, Aug 98.
Os autores fazem um estudo estatístico muito interessante submetendo a quatro examinadores independentes. 99 séries radiográficas de fraturas de tornozelo, classificadas por Lauge-Hansen e Weber, com duas ou três incidências. Esse estudo demonstra que fraturas maleolares do tornozelo podem ser avaliadas e classificadas tanto com duas ou três incidências radiográficas. A melhor concordância foi obtida com as incidências lateral e em rotação interna de 15º.

Parcial Rupture in Chronic Achilles Tendinoplasty   
Aström, Mats - Acta Orthop Scand 69(4): 404-407, 1998.

O autor realizou uma análise retrospectiva de 342 tendões de Aquiles em 298 pacientes tratados cirurgicamente, sendo 81% do sexo masculino e 79% atletas. Encontrou ruptura parcial em 23% dos casos, tendinose em 49% e 28% dos tendões sem alterações macroscópicas. Conclui, com uma análise estatística que os únicos fatores associados a ruptura parcial do tendão de Aquiles são o sexo masculino e infiltração prévia com corticóides.

Fractures in The Elderly 
Koval, Kenneth J.; Zuckerman, Joseph D.; Behrens, Fred F.; Helfet, David L. - 287 pág. - Philadelphia - Lippincott Raven Publishers - 1998.

Poucos livros abordam temas para essa faixa etária. O livro é dividido em três seções, tendo uma primeira parte geral com capítulos muito interessantes sobre a escolha do tratamento e reabilitação. Na segunda, aborda-se o tratamento dividido por regiões anatômicas, escrita por vários autores, com alguma repetição dos temas da seção inicial. Na parte final, de uma maneira pragmática, discutem-se três temas críticos do idoso: osteomielite, pseudoartrose e fratura patológica. Trata-se de um livro muito útil para ortopedistas em geral. (Adaptado de W. M. Harper)

Túlio Diniz Fernandes

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notícias

2a Reunião Conjunta de Cirurgiões do Pé e Tornozelo

Patrocinada pela "American Orthopaedic Foot and Ankle Society" e "Italian Society of Medicine and Surgery of the Foot", a reunião realizou-se, de 16 a 19 de setembro passados, sob a presidência de Francesco Malerba. O local – Veneza – marcado por traços fortes da história, não poderia ser mais envolvente.
A cerimônia de abertura ocorreu na "Scuola Grande di San Rocco", onde cada congressista se extasiava com a beleza das pinturas que conferem àquele espaço um ar de sublimidade e respeito ao passado. Nessa ocasião, foi prestada homenagem à memória de Valente Valenti.
O comitê científico, além de Francesco Malerba, foi integrado por Sandro Gianini, Mark Myerson e James Sanmarco.
O programa científico teve início com simpósio sobre "Charcot Foot", onde foram abordados os seguintes aspectos: análise da marcha, tratamento das infecções, neuropatia no retropé, mediopé e antepé.
No dia 17, sob o título de "Casos problemáticos: Fraturas do calcâneo", foram discutidos os temas: classificação simplificada das fraturas do calcâneo, diagnóstico por imagem, redução aberta e fixação interna, artrodese primária, procedimentos de salvamento nas fraturas antigas e resultados no tratamento das fraturas do calcâneo.
No simpósio sobre "Hálux valgo", foram discutidos o hálux valgo juvenil, a hipermobilidade da articulação metatarsocuneiforme, a correção cirúrgica com osteotomias distais versus proximais, Keller nos dias de hoje, o papel dos implantes e o hálux valgo associado à patologia do segundo raio.
O "Pé plano adquirido do adulto" também foi motivo de simpósio. Foram analisados em relação a ele: fisiopatologia e biomecânica, o papel das transferências tendinosas, as osteotomias de calcâneo e as artrodeses no retropé e no mediopé.
Ainda sob a denominação de "Casos Problemáticos", dois assuntos tiveram lugar de destaque: "Patologia do tendão de Aquiles" e "Insucessos da cirurgia do hálux valgo", ambos suscitando interesse e polêmica.
Foram apresentados 96 temas livres, abrangendo múltiplos aspectos da Cirurgia do Pé.
Foi um congresso que valeu muito, pelo contato com grandes cabeças da cirurgia do pé, pelo seu conteúdo científico e por um pano de fundo que permitiu-nos contagiar com o lastro cultural e a beleza da cidade única: Veneza.
A delegação brasileira se fez presente com dez representantes, entre os quais cabe ressaltar o ex-presidente da S.B.M.C.P., Márcio Benevento.

Sérgio Vianna

Comitê de Cirurgia do Pé e Tornozelo - Rio Grande do Sul

O Comitê de Cirurgia do Pé e Tornozelo da Sociedade de Ortopedia e Traumatologia do RS, regionais da SBMCP e SBOT respectivamente, realizou o Terceiro Encontro Multidisciplinar do ano em 20 de novembro, na AMRIGS: O Pé Diabético. Com isso, cumpriu-se plenamente o programa científico Encontro Multidisciplinar previsto para este ano, com sucesso total. Tivemos "Imagem" em maio, "Pé reumático" em agosto, e o "Pé Diabético" em novembro.
O Comitê quer expressar aqui, nacionalmente, o seu agradecimento a todas as pessoas que contribuíram, de uma forma ou de outra, para a concretização desse nosso programa, deixando aqui mais um vez registrada a nossa intenção e nossa meta de que somente unidos elevaremos a Medicina do Pé do RS ao patamar nacional e internacional que ela merece alcançar.

Antônio Carlos Flores dos Santos

Regional Nordeste da S.B.M.C.P.

Com o apoio da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé e da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, realizou-se de 20 a 22 de outubro, no Hotel Meridien, o II Simpósio Internacional e Interdisciplinar do Aparelho Locomotor, quando discutiram-se as Lesões Traumáticas do Pé e Tornozelo no Atleta.
O evento contou com a participação do Professor John Bergfeld da Cleveland Clinical Foundation, ex-Presidente da Sociedade Americana de Medicina do Esporte e Professor James Long, Chefe da Reabilitação do Aparelho Locomotor da Cleveland Clinical Foundation. Foi presidido pelo Dr. Gildásio Daltro, representante Nordeste da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé.
O Clube do Pé da Bahia reuniu-se dia 23 de outubro no Auditório do Fernandez Plaza, para discussão sobre o Pé Diabético, com a participação de ortopedistas, angiologistas, neurologistas e fisioterapeutas.

Gildásio Daltro

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seção livre 

A importância de como prescrever órteses para os pés
(opinião pessoal)

 

É comum, mesmo nas mais conceituadas Escolas de Ortopedia, não se dar real importância ao ensino das órteses e de como prescrevê-las.
Em qualquer lugar do mundo, a confecção das órteses cabe ao técnico ortopédico, porém, a indicação é atribuição do médico-ortopedista ou do fisiatra.
Freqüentemente nos revoltamos ao saber que em determinadas casas ortopédicas o técnico "receita" as palmilhas para o paciente incauto. Ora, será que somos nós um pouco culpados por essa situação?
O técnico ortopédico da Europa ou Estados Unidos tem formação universitária com excelente conhecimento de anatomia e fisiologia osteomuscular. Nós não temos escolas para técnicos ortopédicos como lá fora. Nossos técnicos não têm preparo adequado e confeccionam as órteses sem conhecimento básico para a sua realização.
Mas, não estou escrevendo isto para discutir a formação do técnico ortopédico no Brasil, mesmo porque a ABOTEC – Associação Brasileira de Ortopedia Técnica – pretende abrir este tipo de escola aqui em nosso país, nos próximos anos.
Voltemos então ao nosso tema. Tenho observado o cuidado dos residentes em aprender todos os segredos na realização de uma determinada cirurgia, que terão oportunidade de realizar, às vezes, apenas uma vez por ano! Em contrapartida, não recebem orientação para prescrever uma simples palmilha, com conhecimento adequado de material, forma, altura e consistência, quando dificilmente passarão um dia de consultório sem que tenham de decidir qual a melhor palmilha para alguma deformidade menor do pé.
Digo isto, pois há alguns anos que transcrevo para linguagem técnica ("tecnês"), diversas receitas de palmilhas todos os dias e observo a dificuldade que meus

 

colegas tem, não para diagnosticar e muito menos em saber o que querem, mas para colocar em palavras o tipo e órtese que acham mais adequado para determinada patologia.
Nestes anos tenho procurado orientar, através de aulas e apostilas, como rescrever palmilhas da melhor forma possível. Observo, porém, que fiz muito pouco e vejo a necessidade de incluir essa matéria efetivamente na formação dos futuros colegas de especialidade.
Creio que pé chegada a hora de preparar os novos ortopedistas para a realidade que os espera ao término da residência e, apesar de não ser "matéria que cai no exame da SBOT", é o dia-a-dia do consultório. É nosso dever ensinar como se prescrevem órteses da mesma maneira que ensinamos o operar um pé torto congênito.
Não podemos deixar um residente com a impressão de que diante de um metatarsalgia, a única solução é a cirurgia e nem permiti-lo indicar, no caso de palmilhas, "apoio do arco e piloto", utilizando-se desta indiferentemente para pé plano e pé cavo!...
Hoje, em alguns países, o estudo das "órteses para os pés" é quase uma especialidade dentro da nossa especialidade. Temos de fazer com que o ensino da prescrição de palmilhas seja uma realidade dentre nossos conhecimentos de ortopedia.
Queremos fazer com que nossos pacientes pisem em nuvens e, às vezes, um simples conhecimento de novos materiais que compõem uma palmilha é o suficiente para oferecer o que há de melhor para eles.
Para finalizar, lembro-me de uma fase de Valenti: Respeitar a planta do pé é saber eleger com acerto os materiais, a forma, a consistência e a altura da palmilha que vai estar em contato com ela.

Nelson Astur Filho

Por que a botinha ortopédica virou o vilão da história?

Fiquei comovido com a homenagem póstuma que Dr. Nelson Astur filho dedicou ao Dr. Valente Valenti, da Itália. Também tive o prazer de conhecê-lo e comprar o seu livro "Ortesis del pie – Tratamento ortésico de las alteraciones biomecanicas de la marcha", com prólogo de Antônio Viladot Pericé. Diz Viladot: Desde tiempos inmemorables el calzado es un complemento necesario y imprescindible del pie humano; es el único que pude influir profundamente en la parte que lo calza.
No final da década de setenta e início dos anos oitenta, os calçados ortopédicos e as escolas européias eram prestigiadas. As enfermidades dos pés davam um grande salto, abrindo para todos nós inúmeras publicações. Os médicos, principalmente os pediatras, tinham como norma o check-up ortopédico das crianças. Porém, tudo que se destaca, tem seus aproveitadores e críticos. Os calçados passaram a ser bombardeados e a adquirir inimigos ferrenhos.
Recordo-me do Dr. Charnley que, por curiosidade, levou seus filhos a uma loja de calçados ortopédicos. Cada um saiu com um diagnóstico mais sofisticado que o outro e com receitas de calçados diferentes. Será que todos os meus filhos têm defeitos nos pés?, pensou. O abuso das lojas ortopédicas na indicação de botas, palmilhas, etc. ajudou muito a esvaziar o conceito científico na indicação de botas. As dúvidas no meio médico começaram a se difundir. "Os contra" deixaram de acreditar nas botinas de forma geral: Não funciona! É tapeação! O lugar delas é no lixo! Saiu até no Jornal nacional. Cid Moreira, com entonação certa, dispara: Bota não funciona! Estava encerrado o assunto.
Grande número de ortopedistas, que conhecem "a cartilha" do Valenti de cor, sentiram-se os próprios charlatões em relação a seus clientes e à sociedade.
Houve uma tentativa de defesa de nossa parte, para a classe média, porém o grande mal já estava feito. Os pediatras deixaram de fazer encaminhamentos para check-up ortopédico, pois não queriam ser coniventes com a tapeação. As crianças sumiram de nossos consultórios.

Quem não notou isso?
Há algum tempo resolvi perguntar a colegas ortopedistas suas opiniões a respeito do uso das botinhas ortopédicas. O resultado, para não dizer triste é, no mínimo, engraçado. Um número maior do que eu imaginava, receita as botinas. Afirmam isto, porém, de uma forma velada e discreta, como se estivessem confessando o uso do Viagra! Outros nunca receitaram e não acreditam que funcionam. Tudo bem! Mas, o que mais me chamou a atenção, foram os que falaram com raiva! Em determinados casos, a reação chegou a ser dramática. Como exemplo, lembro-me de uma aula que ministrava sobre calçados ortopédicos. Em dado momento, um membro da platéia se levantou vermelho como um tomate, berrou: Não acredito! Não acredito! E, antes que nos engalfinhássemos, um velho professor mineiro aproximou-se de mim e disse: Calma, rapaz! Tem gente que não acredita nem em Deus!
Não pretendo deixar aqui a impressão de que sou um apologista indiscriminado de botinas ou qualquer outro tipo de órtese. Sem dúvida, a maioria das crianças não precisa usar nada. Porém, quem deve avaliar isto somos nós, ortopedistas. Mesmo fazendo bom uso de nosso conhecimentos e tratando o paciente da melhor forma que nos for possível, devemos estar preparados para escutar afirmações do tipo: Pé chato não é doença! Nunca operei um pé chato! O que responder? Que a experiência deles nesse caso é zero?
Por fim, deixo uma questão:
Por que acreditar que os calçados podem deformar ou prejudicar os pés e não que, quando bem receitados, podem melhorá-los? O adulto portador de pé plano não abre mão do conforto de uma palmilha feita sob medida com molde especial, mas a criança usa os calçados determinados pelos pais. Será que eles sabem qual o mais adequado ou simplesmente acreditam no "Dr. Cid Moreira"?

Ricardo Malaquias de Miranda

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seção livre

seção cultural

9o Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé

Mostra-se oportuno o momento para ratificar a realização do 9o Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé, no período de 21 a 23 de abril de 1999, no Best Western Porto do Sol, São Paulo, localizado à rua Tutóia, 77, no Jardim Paulista.
Serão abordados relevantes temas de patologias do tornozelo e pé, tais como Traumatologia do Esporte, Deformidades Congênitas do Pé, Reabilitação Funcional do Tornozelo e Pé e Patologias no Pé do Adulto.
Contaremos com a presença de convidados estrangeiros, cujos nomes seguem abaixo, além de renomados professores da Ortopedia Nacional.
Informamos que as inscrições para Temas Livres e/ou Comunicações Breves foram prorrogadas até 31 de janeiro de 1999, a fim de propiciar a participação de um maior número de colegas que tenham interessa em enriquecer esse grande evento com suas experiências.
Pedimos a colaboração dos colegas para realizarem suas inscrições com a maior antecedência possível, para podermos organizar o Congresso à altura de suas expectativas.
Até breve!

Augusto César Monteiro
Presidente do 9º Congresso

Participantes Estrangeiros
Alberto Macklin Vadell (Argentina) – Trauma
Diretor do Instituto Dupuytren de Buenos Aires / Chefe da Equipe de Perna, Tornozelo e Pé do Instituto Dupuytren de Buenos Aires
Donald E. Baxter (EUA) – Pé Adulto, Traumatologia do Esporte
Professor Doutor do Departamento de Ortopedia da Universidade do Texas, Houston/ Médico da Equipe Olímpica / Médico do Houston Ballet
Fernando M. Salas (Argentina) – Pé Infantil
Chefe de Cirurgia e Ortopedia Infantil do Instituto Dupuytren de Buenos Aires
James C. Drennan (EUA) – Pé Infantil
Diretor Clínico do Hospital Carrie Tingley / Professor do Ortopedia Infantil da Universidade do Novo México.
Nestor Horácio Natielo (Argentina) – Pé Infantil
Presidente eleito da Sociedade Argentina de Medicina e Cirurgia do Pé e Perna (SAMECIPP)

Conferências: Artrodeses do tornozelo e pé / Pé cavo / Epifisiólise do tornozelo / Coalizão tarsal / Encurtamento da coluna lateral do pé (Lichblau) / Opções de tratamento das deformidades da Segunda articulação MTF / Tratamento do pé plano no adolescente / doenças Neuromusculares do Pé / Como tratar os atletas de elite / Fraturas do calcâneo / Síndromes compressivas nervosas do tornozelo e pé / Pé talo vertical congênito / Como tratar o pé pronado doloroso / Complicações cirúrgicas do pé torto congênito.
Cursos: Patologia do Pé Infantil / Patologia do Pé Adulto / Trauma.
Mesa Redonda Moderna: Pé Infantil / Patologias do Pé Adulto / Trauma.
Temas Livres Comentados e Comunicações Breves
Participações e Regras Gerais

1. Todo congressista regularmente inscrito no congresso poderá participar das atividades científicas do mesmo, devendo apenas cumprir as determinações e regulamentos de cada atividade.
2.O prazo final para entrega de trabalhos será 31 de janeiro de 1999 (data de postagem). Os trabalhos deverão ser enviados para : SBMCP – CAIXA POSTAL 65114 – CEP 01390-970 – SÃO PAULO – SP
3. Caso o participante tenha interesse em utilizar recursos audiovisuais especiais, será necessário consultar a Secretaria do Evento. Tel. (011) 241-4915 / 533-4044 / 5561-1578 e Fax (011) 535-5020.
4. A primeira Circular já foi encaminhada aos sócios. Quem não a recebeu, favor entrar em contato nos telefones acima, ou aguarde a segunda circular.

O "encanador"

Em 1947 eu era um médico residente de 1o ano de Ortopedia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina. O total dos residentes do hospital era 27, dos quais apenas três ortopedistas.
Os plantões de 24 horas do Pronto Socorro a cada três dias eram extremamente fatigante e os residentes de ortopedia atendiam a todos os traumatizados do aparelho locomotor, crânio e bucomaxilofacial.
Certo dia, convocados para uma reunião com os demais residentes, fomos comunicados que daquela data em diante, também teríamos de fazer o chamado "plantão de porta", pelo qual os pacientes, ainda dentro das ambulâncias, eram submetidos a exame clínico sumário, antes serem admitidos. Até então, esta função era dos clínicos. A medida nova se justificava pela necessidade de aprendermos com os pacientes que demandavam o hospital. Todos os nossos argumentos e protestos foram em vão, apesar de ser notório que atendíamos cerca de setenta por cento de todos os pacientes portadores de urgências. Como éramos minoria, fomos derrotados.
Lembro-me que durante um dos plantões da tarde, fui solicitado para atender um paciente que estava à espera numa ambulância, para a devida triagem.
A papeleta de admissão apenas informava que o paciente havia sofrido uma queda.
¾ Certamente é caso de trauma, pensei. Tanto melhor!
Ao examinar o acidentado, percebi logo que seu estado físico era deplorável: febril, alta temperatura, sudorese, sinais de desidratação, obnubilação, icterícia verdadeiramente rubra e com queixas de intensas dores articulares generalizadas; não urinava há um dia.
Ao perguntar-lhe qual sua profissão, respondeu-me que trabalhava há anos no Departamento de Águas e Esgotos.
Como havia estagiado durante cinco anos como estudante na clínica de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade, senti um estalo e imediatamente veio-me à memória a lembrança de ter visto caso semelhante anteriormente.
Convencido do diagnóstico, com ar de desafio e até mesmo certo desdém, dirigi-me à sala onde ficavam os demais residentes não ortopedistas e comuniquei-lhes, em alta voz, para que todos ouvissem:
¾ O paciente na ambulância é portador de leptospirose, ou seja, é um caso de Moléstia de Weil; solicito a presença de um clínico! Um coro de vozes abafou minhas últimas palavras e o que se ouviu, foram:
¾ Vejam só, um encanador se metendo a clínico! (os ortopedistas eram chamados pejorativamente "encanadores", porque colocavam gesso nas fraturas, ou seja, "encanavam" os ossos)
¾ Cara-de-pau.
E assim por diante.
Finalmente, o paciente foi atendido. Criou-se um clima de suspense.
Ao voltar, o colega confirmou o diagnóstico. Para resumir os acontecimentos posteriores, nos dias seguintes:
O paciente foi encaminhado ao Hospital de Isolamento Emílio Ribas, onde faleceu logo após sua internação;
Quatro outros funcionários que também trabalhavam em serviço de esgoto foram hospitalizados e vieram a falecer;
Foi o último plantão de porta dos "encanadores’
Amém!

Manlio Napoli

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anote em sua agenda

Calendários das Reuniões de Diretoria para 1999

· fevereiro 0 dia 12 (sexta-feira) · março 0 dia 12 (sexta-feira) · abril 0 dia 9 (sexta-feira)
· maio0 dia 14 (sexta-feira) · junho 0 dia 11 (sexta-feira)
· agosto 0 dia 13 (sexta-feira) · setembro 0 dia 10 (sexta-feira) · outubro 0 dia 8 (sexta-feira)
· novembro 0 dia 12 (sexta-feira) · dezembro 0 dia 10 (sexta-feira)

9o Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé
São Paulo - 21 a 23 de abril de 1999 - Hotel Best Western Porto do Sol, São Paulo

Fevereiro/99
Dia 7
AAOS/99 – Dia da especialidade (AOFAS Winter Meeting) – Anaheim, CA (USA)
Anaheim Hilton and Towers, Pacific D room. Tel. 1-800-346-AAOS
Programa: Hálux Valgo e Patologias do 1o raio / Novas perspectivas em Hálux Rígido / Função, fratura e reconstrução do Tornozelo / Pé Diabético: Métodos atuais de avaliação e tratamento / Modalidades de Diagnóstico e Tratamento do Antepé / Tecnologia Moderna no tratamento das Feridas: Isto faz diferença? / Lesões osteocondrais do Tálus: Avanços técnicos / Reconstrução do Retropé / Condutas do pé em Acidentes do Trabalho.

Abril/99
Dias 21 a 23
9o Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Pé - São Paulo (SP)

Hotel Best Western Porto do Sol - São Paulo (vide pg. 7 deste boletim)
Dias 29 de abril a 2 de maio
Congresso Sul-brasileiro de Ortopedia e Traumatologia – Curitiba (PR)

Tel. (041)262-8023

Maio/99
Dias 5 a 8

Third International Symposium on the Diabetic Foot. Noordwijkerhout (Holanda)
Tel. 31 (0)20-444-5790 / Fax 31 (0)20-444-5825 / E-mail:diabetic-foot@mail.com
Tópicos: Lançamento da Conduta Internacional / Cirurgia Vascular e Intervenção e Endoluminal / Técnicas Diagnósticas Não-invasivas / Cicatrização / Antibioticoterapia / Educação e Prevenção / Cirurgia do Pé / Tratamento Tópico / Podiatria / Biomecãnica / Calçados
Dias 7 a 9
Curso avançado em Tornozelo e Pé. Washington, DC (USA)

Tel. 1-800-235-4855

Julho/99
Dias 9 a 11
AOFAS Winter Meeting – San Juan (Porto Rico)

800-235-4855. Informações também podem ser obtidas na Internet, no endereço http://www.aofas.org/courses.html

Outubro/99
Congresso Matogrossense de Ortopedia – Cuiabá (MT)
Tel. (065)321-2633
Dias 13 a 16
XXth Congress of the International College of Medicine and Surgery of the foot – Kyoto, Japão

agradecimentos

O Boletim foi lançado em outubro de 1994, e desde aquele primeiro número tivemos o apoio de um grande amigos, parceiro constante e assíduo, que merece todo o nosso respeito e fundamentalmente os nossos agradecimentos nestes quatro anos de convivência. Ao Sr. Manuel A. Baumer, as nossas justas homenagens.

Os nossos agradecimentos também para o Dr. Jorge Watanabe, de Campo Grande (MS), em nossa diretoria, que espontaneamente organizou e doou para a S.B.M.C.P. uma documentação fotográfica bastante farta do XXXI Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia e do Dia da Especialidade, que seguramente é se suma importância para as Memórias da nossa Sociedade.

Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé

o boletim

O Boletim, hoje na sua 13a edição, tem agora suas páginas ampliadas para oito. Para mantê-lo assim, é mister que tenhamos a colaboração de todos que o lêem. O próximo número está programado para março de 1999 e desde já estamos aceitando notícias, trabalhos (curtos) para a seção livre e a seção cultural, bem como para o espaço "como eu trato". Dentro do possível, serão publicados. Para tanto, mandem suas colaborações para a Sociedade, pelo correio ou por fax, ou ainda por E-mail, para: wwharris@plugnet.com.br

Walter Whitton Harris
Coordenador do boletim

Patrocínio:

Baumer Ortopedia Ltda.
Rua Arnolfo Azevedo, 210
Tel. (011) 263-8555 - Pacaembu - S.P.
Projeto Gráfico, editoração e fotolito:
ASA Assessoria e Comunicação - 857-0664
Impressão
Image Gráfica e Editora - 270-5266
Coordenação
Walter Whitton Harris

 

Este espaço é reservado a qualquer 
manifestação da S.B.P.
A correspondência deverá ser enviada para sua sede pelo Fax: (011) 282 2518

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