Sociedade Brasileira
de
Medicina e Cirurgia do  Pé
SBP

 

 

Filiada ao Colégio Internacional de Medicina
e Cirurgia do Pé 
Alameda Lorena, 1304 - sala 1108 - CEP 01424-001 - São Paulo - SP - Brasil
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   ANO 4

NÚMERO 11

         ABRIL DE 1998

  

Editorial

 "RE”..."

Após a REfrega, nada mais justo do que a REcompensa do REpouso!...
Entretanto, a REgência da Sociedade não foi REnovada!
O REgulamento permite REiterar, por sua vez, o mandato!
As REflexões em se REpetir a gestão desta Diretoria têm, como objetivo único, o REcrescer!
A eleição REdundou na RE-eleição.
REconduzidos, REnovaremos os propósitos de REsgatar o prestígio nacional e internacional da querida SBP!
REsponsabilizados, aceitaremos este REpto!

PS1: Em recente reunião, durante o Congresso da Academia Americana, decidiu-se pela criação da Federação Internacional de Cirurgia do Pé, sucessora do Colégio Internacional do Pé (C.I.P.), que se dará no Congresso em Kyoto, Japão, 1999.
Até esta ocasião, será formada uma comissão para idealizar o estatuto e organizar a secretaria, cuja sede já está em funcionamento, dirigida por Richard Cantrall e localizada em Seattle - USA.
A SBP estará representada através de uma Federação  Continental, fruto da transformação da Sociedade Latino-Americana de Cirurgia da Perna e Pé (SLAMCIPP) na Federação Latino-Americana de Cirurgia do Pé.
É de bom alvitre a adesão de todos, pois isto nos permitirá estarmos ombreados com as outras sociedades Internacionais e termos forte representatividade.
PS2: Atenção para o programa científico do XXXI Congresso da SBOT, na parte organizada pela SBP e que contará com nove participações do Dr. John Gould (pé adulto) e quatro do Dr. Alvin Crawford (pé infantil).

Antonio Egydio de Carvalho Jr.
Presidente

                       boletim               

     Editorial                                                     1
     Antônio Egydio de Carvalho Jr.
     Como eu Trato                                      2
     Artrodese de Tornozelo pelo
    Método de Calandruccio

    
Decio Cerqueira de Moraes Filho
     Diretoria Científica                       2
    Apresentação

    
Caio Augusto de Souza Nery
    Critérios de Seleção de Trabalhos 
    Científicos para Publicação

   
Sérgio Vianna e Caio Nery     
     Diretoria Social                            3
     Alfonso Apostólico Netto          
     Seção Livre                                            4
    Carta ao Prof. Donato DÄngelo

   
Caio Augusto de Souza Nery
   
Antônio Egydio de Carvalho Jr.
   
Comunicados
   
Eulália de Albuquerque
    Augusto César Monteiro
   
Dr. Valente Valenti (in memoriam) 
    Nelson Astur Filho
   
O Perigo da Especialização
    Ricardo Miranda
    Anote em sua Agenda                     6
    Atividades de 1998

    XXXI Congresso Brasileiro de
    Ortopedia e Traumatologia
    
Secretaria
    Túlio Diniz Fernandes
 
     Tesouraria                                    6
    
Nelson Astur Filho

 .

     1  

 

 

como eu trato

 Artrodese de Tornozelo pelo
Método de Calandruccio

 

A articulação tíbio-társica do tipo troclear possui somente um eixo de movimento; no apoio unipodal, suporta a totalidade do peso do corpo que se encontra aumentado pela energia cinética quando o pé entra em contato com o solo na marcha, na corrida ou saltando. Diferentemente da articulação do quadril e do joelho, encontram nas artroplastias a melhor forma de tratamento, no tornozelo, a artrodese, mesmo sendo considerada como um dos últimos recursos terapêuticos articulares, ainda é o melhor meio de substituir sua condição primordial de estabilidade articular sem dor. Os critérios para indicação da artrodese são: dor incapacitante, diminuição dos movimentos articulares e degeneração articular diagnosticada radiograficamente.
A abordagem cirúrgica é por dupla via, medial e lateral, com ressecção de ambos os maléolos, da cartilagem articular da tíbia e superfície troclear do tálus, posicionando o tornozelo em noventa graus em relação pé-perna e em zero grau de varo e valgo. Utilizam-se dois fios de Steinmann paralelos no tálus e tíbia distal, fixando o aparelho de Calandruccio bilateralmente com parafusos. 

 

O apoio total é liberado no 14º dia do pós-operatório e observa-se a consolidação óssea com tempo médio de noventa dias.
A complicação mais freqüente encontrada foi a infecção superficial nos pinos, o que reforça o conceito de que o paciente a ser tratado pelo método de fixação externa deverá apresentar requisitos básicos de higiene, compreensão e aceitação do tratamento.
O tratamento da artrodose do tornozelo pelo Método de Calandruccio mostrou-se de fácil aplicação e grande versatilidade quanto à possibilidade de correção de eixo e compressão infra e pós-operatória, com fusão tibio-társica em 100% dos casos, tornando-se capaz de tratar diferentes deformidades de várias etiologias.
O objetivo da artrodese tíbio-társica consiste em retirar a dor articular presente em todos os casos, mantendo m pé com função próxima do normal e dar condições de retorno às atividades diárias.

Décio Cerqueira de Moraes Filho

 

diretoria científica

Apresentação

     

Apresentamos, a seguir, os Critérios de Seleção de Trabalhos Científicos desenvolvidos pelas Diretorias Científicas desta e da gestão anterior. Baseados nas normas das maiores e das melhores revistas especializadas do mundo, nos critérios de avaliação adotados pela comissão de Ensino e Treinamento da SBOT e seguindo as determinações da REVISTA BRASILEIRA DE ORTOPEDIA, após ampla e aprofundada discussão, chegamos a este modelo que poderá receber, a qualquer momento, críticas e aperfeiçoamentos.
A adoção do sistema “cego” de avaliação, semelhante ao já utilizado nos exames para obtenção do Título de Especialista da SBOT e pelo Conselho Editorial da Foot & Ankle Internacional à qual somos filiados, coloca-nos em conformidade com os critérios adotados  também por esse 

importante veículo de nossa especialidade.
A divulgação destes critérios e sua aplicação imediata, acreditamos, poderá uniformizar as oportunidades para tantos quantos se interessarem em divulgar seus trabalhos científicos, democratizando e universalizando os recursos disponibilizados para esse fim.
Esperamos com isto, estar colaborando na estimulação e incentivo para o aprimoramento técnico-científico de nossos trabalhos, elevando o nível da Medicina e Cirurgia do Pé ao patamar que merece ocupar dentro dos cenários nacional e internacional.

Caio Nery
Diretor Científico

 

CONVIDAMOS TODOS OS AUTORES INTERESSADOS EM SUBMETER SEUS TRABALHOS A PUBLICAÇÃO NO PRÓXIMO VOLUME DA REVISTA BRASILEIRA DE ORTOPEDIA – CIRURGIA DO PÉ, PREVISTO PARA JULHO DE 1998, A ENVIAR PARA A SEDE DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA E CIRURGIA DO PÉ, OS ORIGINAIS JÁ ELABORADOS, CONFORME AS NORMAS PUBLICADAS NESTE BOLETIM, ATÉ O DIA 30 DE ABRIL DE 1998.

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2    

 

diretoria científica

 Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé
Critérios de Seleção de Trabalhos Científicos para Publicação

 

1. Os trabalhos devem preencher rigorosamente as normas oficiais de publicação da REVISTA BRASILEIRA DE ORTOPEDIA, exceto aquela que apontaremos e nomearemos a seguir (item 2).
2.  Adotaremos i sistema de seleção “cega” e para tal, os nomes dos autores, do serviço, cidade, estado e qualquer outra informação que possa identificar a origem do trabalho (incluindo figuras e fotografias) deverão ser omitidas do corpo do original. Todos os dados de identificação deverão constar de página de rosto que deverá ser colocada em envelope lacrado, o qual será colado na contracapa final do trabalho. Nessa mesma lauda deverá estar assinalado em destaque o nome do autor principal bem como seu endereço atualizado para correspondência. Esta determinação inválida a norma de número 4 da REVISTA BRASILEIRA DE ORTOPEDIA.
3. Serão aceitos para avaliação apenas os trabalhos que forem postados até a data limite estipulada e divulgada antecipadamente para cada evento.
4.  A análise do padrão científico dos trabalhos será efetuada por três Membros Titulares da SBP.
5. Na avaliação, serão considerados os itens abaixo enumerados e para cada um será atribuída pontuação da 0 a 10:
5.1. 
Estruturação – organização, equilíbrio e exatidão das partes do trabalho (aspectos formais).
5.2.  Composição – adequação, correção, clareza, objetividade e fluência do vernáculo.
5.3.  Condução – correta idealização e aplicação do método científico.
5.4.  Casuística e Acompanhamento – adequação para o tema estudado.
5.5.  Análise e Resultados – métodos estatísticos, tabulação e forma de apresentação dos dados numéricos.
5.6.  Discussão e Conclusões – embasamento, amplitude e correção face aos resultados obtidos.
5.7. Informação – originalidade, interesse e aplicabilidade.
5.8. Iconografia –qualidade, equilíbrio e compatibilidade com o texto.
1.1.Bibliografia – consistência e abrangência

 

(recomenda-se enfaticamente a citação dos trabalhos nacionais relacionados diretamente com o assunto central).
1.2. Resumo e Summary – precisão e concisão.
6. Cada analista emitirá, isoladamente e sem o conhecimento dos demais, parecer, por escrito, sobre o trabalho em que constem a pontuação para cada item e as observações que julgar necessárias para sugerir ou desaconselhar a publicação.
7. O teor dos pareceres a respeito de cada trabalho será automaticamente enviado para o autor principal, e somente para ele, em caráter confidencial.
8. Uma vez concluída a avaliação de todos os trabalhos submetidos a SBP, serão indicados para publicação aqueles que obtiverem as maiores pontuações.
9. Em caso de empate, observar-se-ão os seguintes critérios de desempate, na ordem especificada: 1. Pesquisas Clínica e Pura; 2. Relato de Caso; 3. Apresentação de Técnica e 4. Trabalho de revisão.
10. Na persistência de empate e caso haja trabalhos aprovados em maior número do que o determinado pela REVISTA BRASILEIRA DE ORTOPEDIA, serão reveladas suas autorias e serão preteridos aqueles cujos autores principais tenham o maior número de trabalhos aprovados e selecionados para publicação no mesmo evento editorial.
11. Na persistência de empate, será escolhido o trabalho que tiver chegado primeiro às mãos da Diretoria Científica da SBP.
12. Os casos omissos e aqui não previstos, serão discutidos e aprovados por toda a Diretoria da SBP e a conduta adotada será divulgada aos interessados e diretamente envolvidos.

Sérgio Vianna
Diretor Científico 1996-1997

Caio Nery
Diretor Científico 1998-1999

 

diretoria social

Amigos da Sociedade,

Estamos iniciando 1998 com o mesmo entusiasmo do ano passado onde, com a colaboração de todos, pudemos realizar pequenas, porém, significativas atividades na área social, sempre com o intuito de agregar cada vez mais os membros da nossa Sociedade. No mês de outubro (de 11 a 16), teremos o Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia, que será realizado na cidade de Goiânia e como não poderia deixar de ser, já estamos trabalhando no sentido de ter o nosso espaço social garantido. No Dia da Especialidade, após a realização da atividade científica, teremos no “Clube dos Japoneses”, já cedido para a Sociedade com a colaboração do colega Edegmar, o II Torneio de Tênis da SBP, cujos vencedores receberão o troféu “Manlio Napoli”. Aos colegas que quiserem participar, favor iniciar os treinos com afinco, pois os vencedores do ano passado (Abrão e José Eduardo), em contato com a Sociedade, disseram que “não tem para ninguém”. No mesmo local,  teremos a realização do I Torneio de Futebol Society, num gramado de qualidade superior ao do Estádio Serra Dourada, com coletes especiais para o evento e com equipe de segurança já contratada; teremos também, para os colegas que quiserem uma atividade mais “light”, a liberação da piscina do clube, onde poderão nadar ou realizar uma aula de hidroginástica. Após as atividades esportivas, teremos um grandioso churrasco com cerveja e refrigerante à vontade, durante o qual, teremos apresentação de dupla sertaneja, concurso musical e karaokê, onde todos poderão mostrar seus dotes artísticos; teremos espaço aberto para mágicos, atores e poetas, enfim, para os (as) colegas demonstrem suas qualidades pessoais. A dupla “Metatarso e Carcanhar” já está desafiando duplas rivais. Para que tudo isso seja possível, a presença e colaboração de todos é fundamental: Inscrevam-se com antecedência na Sociedade, por fax ou telefone e o que é mais importante, enviem idéias e sugestões para que possamos aproveitar, da melhor maneira possível este dia que, com certeza, será importante para o “eu’ de todos nós.

Um grande abraço,
Alfonso

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3

 

seção livre

São Paulo, 31 de março de 1998
Ilmo Sr. Prof. Donato D’Angelo
Diretor e Editor Chefe da Revista Brasileira de Ortopedia

Prezado Professor,
Sirvo-me da presente para apresentar, de maneira formal, proposta já anteriormente discutida com V.Sa. sobre a ampliação do espaço da Primeira Seção da Revista Brasileira de Ortopedia, quando da edição do volume correspondente à Medicina e Cirurgia do Pé que deve ocorrer em julho próximo.
O crescimento científico experimentado nos últimos anos em nossa especialidade, resultado dos esforços conjuntos da SBOT e da SBP (Sociedade Brasileira do Medicina e Cirurgia do Pé), culminou em substancial aumento da produção de bons trabalhos que, por obra das limitações ora existentes, não conseguem obter a divulgação que merecem face à carência de veículos especializados em nosso meio.
Já no ano passado, aproveitamos menos da metade do material disponível para publicação, depois de criteriosa avaliação por nosso Departamento Científico. Infelizmente, vimos adormecer nas gavetas, material resultante do esforço de pesquisadores e profissionais de diversos pontos do país por não termos podido efetivar nossa proposta, que voltamos a apresentar.
Gostaríamos de sugerir a colaboração de uma Primeira Seção – Cirurgia do Pé, sem limite de folhas ou de trabalhos publicados. Seguindo as normas já estabelecidas pelo Concelho Editorial, seriam selecionados para publicação todos os trabalhos que preenchessem os quesitos básicos. Sua qualidade, importância e interesse seriam, mais uma vez, de responsabilidade deste comitê mas sem limitações de ordem física. 
Os custos resultantes deste projeto serão cobertos pela Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé,

 

como prestação de serviço à comunidade ortopédica brasileira. Do ponto de vista técnico, já nos explicou o Sr. Tadaharu Katayama, não há impedimento para a realização do projeto. As oficinas gráficas estão aparelhadas para fazer frente ao argumento de trabalho imposto pela obra.
Os dividendos deste projeto serão divididos com a presidência do SBOT e com o Concelho Editorial que V.Sa. preside: estaremos oferecendo a todos os colegas ortopedistas uma edição ampliada e bastante incrementada de nossa principal revista, estaremos aumentando as possibilidades, para tantos quantos trabalhamos na Medicina e Cirurgia do Pé, de expor suas idéias e trabalhos sem qualquer custo adicional para a SBOT. Ao assumir a responsabilidade econômica desta obra, a SBP acredita estar dando a melhor destinação possível aos recursos captados de seus associados.
Certos de sua costumeiras solicitude e compreensão, contamos com sua valorosa colaboração na efetivação deste nosso intento.
Aproveitamos o ensejo para apresentar nossos mais elevados protestos de estima e consideração.

Dr. Caio Augusto de Sousa Nery
Diretoria Científica
Dr. Antonio Egydio de Carvalho Jr.
Presidente

Cópias com: Prof. Dr. Karlos Celso Mesquita (Presidente da SBOT) e Conselho Editorial da RBO: Prof. Dr. Ar
celino C. M. Bitar; Prof. Dr. Arlindo Gomes Pardini; Prof. Dr. Osny Salomão. Prof. Dr. Tarcísio E. P. Barros Filho; Dr. Sérgio Franco (Presidente C.E.C. da SBOT).

 

comunicado

 

São Paulo, 13 de março de 1998

Caros Colegas,

O IX Congresso da Sociedade Brasileira do Medicina e Cirurgia do Pé será realizado em São Paulo de 21 a 23 de abril de 1999.
Reserve desde já este período em sua agenda, para que possa prestigiar com sua presença o evento máximo da nossa Sociedade. Todo empenho está sendo feito para trazermos conferencistas de renome. Assim, o Cr. Morris Carroll (já confirmado) e o Dr. Roger Mann (em tratativa) garantirão o alto nível científico. Além desta preocupação, estamos planejando um amistoso encontro social com o que houver de melhor em São Paulo! Compareçam!!!

Augusto Cesar Monteiro
Presidente do Congresso 

Informamos que no período de 5 a 7 de março de 1998, foi realizada no Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Rio Grande do Norte (INTOR – Hospital Geral Santa Isabel) a XIV Jornada do INTOR sobre Patologias do Pé.
Os trabalhos  foram ministrados pelo Prof. Antônio Egydio de Carvalho Jr (Professor da USP – Hospital das Clínicas de São Paulo), Presidente da Sociedade Brasileira do Medicina e Cirurgia do Pé, e pelo Prof. Manlio Napoli (Prof. Emérito da USP – Hospital das Clínicas de São Paulo).
Na ocasião, foram realizadas palestras sobre diversas patologias do pé como : “Pé Plano”, “Pé equinovaro”, “ Fratura do tornozelo”, entre outras, bem como uma exaustiva sessão de discussão de casos clínicos (17), em dois turnos, enfatizando-se o diagnóstico e o tratamento.
Houve um total de 41 participantes., sob a coordenação do Dr. Elson Souza Miranda (chefe da Residência Médica de Ortopedia do INTOR) e da Dra. Eulália de Albuquerque Alves (Ortopedista, preceptadora da Residência de Ortopedia e Membro Titular da SBP).

Eulália de Albuquerque Alves

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seção livre 

Dr. Valente Valenti (in memoriam)

Em 21 de novembro de 1997, faleceu na Itália o Dr. Valente Valenti.
Valenti foi um daqueles Mestres da Patologia do Pé que regularmente era convidado ao nosso País, para falar sobre os mais recentes avanços nesta área. Porém, Valenti foi mais, muito mais...
Foi um marco para muitos ortopedistas adquirirem mais conhecimentos em Patologia do Pé e, principalmente, em Filosofia da Vida: “No jardim do Espírito Humano, a última flor que nasce é a da Filosofia”.
E por quê? Por que Valenti cativava a todos, era um autodidata e, pelas suas qualidades excepcionais, chegou à Presidência do Colégio Internacional de Medicina e Cirurgia do Pé (CIP).
Desenvolveu estudos sobre órteses para os pés, baseando-se em princípios e materiais que ninguém jamais havia ousado falar... ou escrever a respeito, pois, antes dele, o assunto era relegado ao rodapé de diversos capítulos da patologias menores do pé. Desenvolveu, também, condutas cirúrgicas para diversas patologias do pé que mostraram sempre a procura pelo novo.
Falava fluentemente sete idiomas, incluindo o árabe e o russo e, quanto mais se convivia com ele, e eu tive essa graça; mais se admirava o Homem Valenti, que por sua vez admirava a obra do Homem.
Vou contar algumas passagens:
Meu primeiro contato ocorreu em 1984, após ler o seu livro “Órteses para o Pé” e, sabendo que iria ministrar um curso em Salvador (BA), fui para lá, hospedei-me no mesmo hotel que ele e pedi que o Dr. Napoli intercedesse, apresentando-me e solicitando para mim um estágio em Roma. Dr. Napoli conseguiu isto e tive então oportunidade de ficar com o Valenti, quando pude conhecê-lo mais e melhor.
Admirava muito o seu jeito fácil e objetivo de encarar os desafios das doenças do pé.
Em 1990, convidei-o para ministrar um curso sobre Órteses para os Pés e, naturalmente, enviei-lhe sugestões de diversas cidades turísticas brasileiras para ele e sua adorável esposa visitarem. No entanto, Valenti escolheu uma que sequer havia sido mencionada: Ouro Preto, por ser patrimônio histórico mundial... Queria conhecer a obra do Homem e não obra da natureza.
Certa vez, sentou-se ao piano de um restaurante e o tocou magnificamente. Era numismata e egiptólogo (quem não se lembra de sua palestra sobre “O Pé da Múmia”?). Mas o que mais me impressionou , foram seus diapositivos escritos em português. Foi a primeira e única vez que eu vi isso, feito por um estrangeiro. Era uma das línguas que dominava bem.
Chegou  a decorar o Hino Nacional Brasileiro, pois o achava muito bonito e também “para não passar vergonha, caso estivesse presente numa cerimônia em que o mesmo fosse tocado”.
Quando, após um curso, oferecemos ao Valenti um presente muito simples, um livro sobre a Amazônia, chorou ao recebê-lo, ao se lembrar dos amigos brasileiros. Valenti... você foi um pai... o mentor de muitos de nós e agora, talvez, esteja inconformado com os anjos, por estarem usando pouco os pés e muito as asas. Afinal, pés foram feitos para pisar e, além de tudo... eles estariam pisando em nuvens como você sempre quis...

Nelson Astur Filho 

 

O Perigo da Especialização

 

Quem leu o romance francês Madame Bovary, publicado em meados do século passado, vai se lembrar do capítulo em que o autor, Gustave Flaubert, relata as auguras do Dr. Bovary ao decidir operar um rapaz portador de pé torto congênito. A literatura da época faz elogios a um novo método de correção dos pés tortos. Dr. Bovary tenta convencer o jovem Hipólito a se libertar “desta hedionda claudicação e este balanço da região lombar”. Após muita relutância, Hipólito acabou cedendo à conjuração de toda a pequena cidade onde morava. Dr. Bovary e o farmacêutico Homais mandaram fazer no marceneiro, auxiliado pelo serralheiro, uma espécie de caixa em que o ferro, a madeira, a lata, o couro, os parafusos e porcas não foram poupados. No dia da operação, prepararam uma sala adequada para a cirurgia, inusitada, de tenotomia do tendão de Aquiles. À maneira dos hospitais, numa mesa ao lado, uma pilha de ataduras e fios. Tudo que havia na farmácia! Com o auxílio do farmacêutico, sob grande tensão, o médico pica a pele com o tenótomo e ouve-se um estalido seco.
Estava cortado o tendão, a operação terminara! Todos
ficaram surpresos pela rapidez, o não sangramento e a ausência de dor. A seguir, o pé foi colocado dentro do “aparelho ortopédico” confeccionado por eles.
E,... lógico, mandaram divulgar discretamente na

 

imprensa escrita que existiam médicos competentes realizando cirurgias complexas nas pequenas cidades do interior, vide o caso do Dr. Bovary, etc, etc...Ao contrário do que esperavam, o pé entrou em processo de infecção grave, sendo necessário trazer o Dr. Canivet, de outra cidade, para amputar o pé do pobre coitado. Naquela época começavam a surgir médicos especializados.
Hoje, no limiar do terceiro milênio, corremos um risco enorme! À medida que vamos aprendendo o máximo de cada setor do corpo humano, afastamo-nos cada vez mais de sua integridade. Agora somos ortopedistas; nem se fala mais médico ortopedista.
No último Congresso Brasileiro de Ortopedia entrei em pânico! Um colega ortopedista resolveu assistir à aula de metatarsalgia, esta sob os auspícios e a égide da Sociedade Brasileira do Medicina e Cirurgia do Pé. Impressionado com a complexidade do tema, ao sair da sala me confidenciou, um pouco sem graça: “É, rapaz, não estou entendendo mais nada! Nunca operei coluna, deixei de operar quadril, joelho nem pensar! Até o pé ficou tão diferente! É um tal de primeiro raio, segundo raio... Preciso de me especializar!”

Ricardo Miranda 

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5   

 

anote em sua agenda 

 

Calendários de Reuniões de Diretoria de 1998

Abril - Dia 17 (sexta-feira) · Maio - Dia 8 (sexta-feira) · Junho - Dia 19 (sexta-feira) · Julho - Dia 10 (sexta-feira) · Agosto - Dia 14 (sexta-feira) · Setembro - Dia 11 (sexta-feira) · Outubro - Dia 9 (sexta-feira)· 
Novembro
- Dia 13 (sexta-feira) · Dezembro - Dia 11 (sexta-feira)

 

 

Cursos Oficiais de Reciclagem e Atualização da C.E.C./SBOT 1998 – (PÉ)
·  16/05/98 (Florianópolis - SC)  
· 06/06/98 (Palmas - TO)
· 15/08/98 (Manaus - AM)   
·12/09/98 (Cuiabá- MT)
· 21/11/98 (Vitória - ES)

2nd Combined Meeting of Foot and Ankle Surgeons
De 16 a 19 de setembro de 1998 - Veneza
Dia da Especialidade
XXXI Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia
De 11 a 16 de outubro de 1998 - Goiânia
XXth Congress of the International College of Medicine and Surgery of the Foot

De 13 a 16 de outubro de 1998 - Kyoto - Japão

Congresso de La Sociedad Argentina de Medicina y Cirugía del Pie
Data: 2,3 e 4de outubro de 1998 – Buenos Aires
Convidamos todos os irmãos brasileiros a participar, com trabalhos, para o nosso Congresso.
Foram convidados 3 conferencistas: Dr. V. Mosca, Dr. M. Scheref, Dr. Arendar.

  Eles abordarão de forma completa Pé Cavo, Hálux Valgo e Osteotomias no Pé Neurológico.
Agradecemos antecipadamente a apresentação de trabalhos, com data limite em 30 de agosto de 1998.
Um abraço,
Carlos Nemirovsky
Presidente da SLAMCIPP e Membro Honorário da SBP

Comitê de Cirurgia do Pé e Tornozelo
Sociedade de Ortopedia e Traumatologia do Rio Grande do Sul

Filiada à Associação Médica do Rio Grande do Sul Regional SBOT
Atividade Científicas 1998

Encontro Multidisciplinar – Imagem no pé e no tornozelo
22 de maio (Local: AMRIGS)
Encontro Multidisciplinar – Pé Reumático
21 de agosto (Local: AMRIGS)
Comitê do Pé
18 e 19 de setembro (Local: AMRIGS)
Encontro Multidisciplinar – Pé diabético
20 de novembro (Local: AMRIGS)

 

XXXI Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia
Goiânia – 11 a 16/10/98  Atenção: Dia da Especialidade: 14/10/98
Comunicações Breves

Sómente deverá ser preenchido o formulário próprio contendo o Resumo, do mesmo modo como orientado para os Temas Livres, sem precisar do trabalho completamente redigido. Mencionar clara e concisamente: objetivos, metodologia e, se já houver, resultados e conclusões;
Cada apresentação não poderá ultrapassar 05(cinco) minutos, e para cada 03(três) trabalhos, haverá um comentador;
Serão 05(cinco) sessões, num total de 15(quinze) trabalhos.
Remeter para: SBP – Alameda Lorena, 1304 – Conj. 1108 – CEP 01424-001 – São Paulo – SP

DATA LIMITE: 30/06/98

 

secretaria

A organização da nossa Sociedade é reconhecida internacionalmente. E esta secretaria está empenhada para que a SBP seja cada vez mais eficiente. Contamos com a colaboração de todos os membros, enviando sugestões, informações relacionadas `as nossa especialidade e atualização de endereços;

Túlio Diniz Fernandes

 

tesouraria

 

Notícias da Amizade
Os associados me deram a honra de permanecer à frente da Tesouraria da nossa Sociedade por mais dois anos.
Isto me deixa feliz pois, de certa forma, aprovaram o que eu já vinha fazendo e, preocupado, pois me sinto no dever de aprimorar os cuidados com as finanças da nossa Sociedade.
Para que possamos alcançar sucesso nos projetos dos diversos departamentos, é necessário dinheiro e a nossa principal fonte são as anuidades.
Peço, encarecidamente, a todos, que não deixem de contribuir com o valor da nossa anuidade que neste ano é de R$150,00.
Quero agradecer o apoio que tive do Segundo-tesoureiro, o Túlio, e o que estou tendo do atual, o Mauro Fuchs.

Nelson Astur Filho

 

Este espaço é reservado a qualquer 
manifestação da S.B.P.
A correspondência deverá ser enviada para sua sede pelo Fax: (011) 282 2518

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