Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do PÉ (SBP)

Filiada ao Colégio Internacional de Medicina e Cirurgia do Pé 

Al. Lorena, 1304 - Sala 1108 - CEP 01424-001 - S. Paulo - Brasil
                                 Fax - (001) 3082.2518

 

    Ano  I                                                   Número 2                                        Janeiro de 1995

 

    BOLETIM   

 

 

 

 

 

Finda-se 94! A S.B.P. congratula-se com seus membros por um ano profícuo de atividades científicas e oportunidades de convívio. A atual Diretoria tem procurado dinamizar e estreitar os laços de união tanto na organização dos eventos oficiais como na elaboração deste Boletim, cuja finalidade principal é a de promover a participação de todos. Ficam convidados, mais uma vez aqueles que com sugestões, críticas e comentários possam fortalecer esta modesta publicação.
Chamo a atenção para o VII Congresso Brasileiro da S.B.P. que ocorrerá nos dias 21 a 23 de setembro em Salvador - Bahia sob a presidência do Dr. Gildásio de Cerqueira Daltro. A cidade acolhedora e centrada geograficamente deverá receber participantes de todas as regiões, portanto reserve esta data e compareça.
O programa contará com a presença de três conferencistas  estrangeiros  e   consta  de dois cursos

   

básicos (Traumatologia e Ortopedia). Os Temas Livres serão selecionados e comentados (solicito o envio dos trabalhos o mais breve possível). Haverá sessões de Mesa Tradicional  Simpósio com temas avançados.
A S.B.P. com o objeivo de angariar o maior número de filiados aprovou a alteração de seu estatuto no que tange a introdução da nova categoria de membro "postulante"reservado a todo médico recem-formado interessado em participar desta Entidade, por um prazo de cinco anos até que possa requerer a passagem para membro titular.


Divulguem e ajudem a S.B.P. ser mais numerosa!

Saudações Cordiais e Feliz 95
Presidente: Gabriel de Souza Lima 

 

 

COMO EU TRATO

1. Coalizões Tarsais

 

A união fibrosa, cartilaginosa ou óssea do tarso ocorre mais comumente entre o tálus e o calcâneo navicular. A maioria dos pacientes procura o médico, dos 8 aos 14 anos de idade, por causa da dor; outros, por causa da deformidade em planovalgo do pé. Ao exame clínico, encontramos ainda limitação dos movimentos de todo o pé e frequentement contradura dos músculos peroneiros, produzindo o "pé planovalgo peroneiro espástico". A radiografia oblíqua do pé faz o diagnóstico de certeza das coalizões calcaneonaviculares. A projeção radiográfica em perfil sugere e a axial posterior do retropé, assim como a tomografia computadorizada confirmam o diagnóstico da coalizão talocalcânea.
No tratamento, deve ser levado em consideração o quadro clínico, a idade do paciente, o tipo e a localização da coalizão, a presença de artrose nas articulações tarsais e a realização de tratamentos anteriores. Nas coalizões  sintomáticas o tratamento incruento é ineficaz, sendo o tratamento cruento o de eleição.
Em pacientes jovens, sem artrose nas articulações tarsais, fazemos a ressecção da coalizão, que deve ser total.

 

 

Em pacientes de mais idade, com artrose nas articulações tarsais ou após um mau resultado com a ressecção da coalizão, fazemos a artrodese, podendo ser monoarticular, dupla ou tríplice.Na artrodese monoarticular, artrodesamos a articulação talonavicular de coalizão talocalcânea extensa, em pacientes jovens e com bom apoio do retropé.
Na artrodese dupla são artrodesadas as articulações talocalcânea e talanavicular, quando de um mau resultado após a ressecção da coalizão talocalcânea ou na presença de artrose nessas articulações. A artrodese tríplice deve ser feita em pacientes de mais idade, com artrodese nas articulações do retropé ou após um mau resultado com as artrodeses monoarticular ou dupla.
Embora possamos didaticamente fixar em 14 anos, não existe limite preciso de qual a idade para este ou aquele procedimento. Assim a ressecção da coalizão pode também dar bons resultados acima dos 14 anos e maus resultados abaixo desta idade. Noa casos de dúvida, não havendo artrose nas articulações tarsais, devemos iniciar o tratamento pela ressecção da coalizão.

 Fernando Ferreira da Fonseca Filho

   
 

   

2. Insucessos e Complicações em Cirurgia do Hallux Valgus

 

 

         

Como consequência de erros na avaliação pré -   operatória,  na indicação ou execução de determinada técnica e no manejo pós operatório, ocorrem ainda cerca de 20% de resultados insatisfatórios, levando a nova cirurgia em pelo menos 5% dos casos. As sequelas são típicas das técnicas utilizadas. Assim a "exostectomia" excessiva produz instabilidade e até luxação lateral da articulação M-F, para cuja solução utilizamos a artrodese com fixação interna. Após procedimento tipo Keller-Brandes, com ressecção demasiada da primeira falange, também ocorre instabilidade com o encurtamento exagerado da hallux, que temos resolvido com artrodese M-F pela interposição de enxerto ósseo corticoesponjoso do ilíaco.. Por outro lado, ressecção insuficiente pode produzir rigidez M-F, que tratamos com ressecção complementar e uso de um "grampo"de fio Kirshner para manter distração por 4 semanas com mobilização frequente.
A persistência pós Keller, do primeiro metatarsal varo e recidiva do HV, tratamos com osteotomia distal ou proximal do primeio Metatarsal. A metatarsalgia central após Keller, quando não controlável com palmilhas de Valenti, é tratada na base do primeiro Metatarsal, com aumento da inclinação planar e fixação interna e, eventualmente, osteotomias em V nas bases dos MM centrais.

 

 

Após tendocapsuloplastias ( Lelièvre, McBride, Silver), ocorrendo atrose ou rigidez da M-F, usamos a ressecção da base da primeira F, com distração, ou artrodese M-F na presença de metatarsalgia central. No hallux varus, quando redutível, usamos liberação medial com alongamento do tendão do abdutor, incisão capsular medial em "V"passando para "Y" pregueamento capsular lateral e, havendo garra, transposição do extensor longo do hallux por baixo do ligamento intermetatarsico para a base da primeira F. Quando o varo é irredutível, usamos a artrodese M-F. Nos casos de recidiva do valgo, empregamos osteotomia distal ou proximal do primeiro Metartasal, conforme o grau de deformidade.
Após osteotomias distais do primeiro Metatarsal, acontecem retardos de consolidação, tratados com enxerto  esponjoso e/ ou osteossíntese. A sequela mais comum, contudo, é o metatarsal elevado ou flexo rodado, necessitando de reosteotomia corretiva.
Após artrodese M-F, a má posição do hallux é corrigida por osteotomia da base da primeira F: hipertensão interfalângica por osteotomia de flexão distal da primeira F e rara fratura de fadiga do primeiro Metatarsal, por tratamento conservador com órtese plantar.

Egon E. Henning

   

 

SEÇÃO LIVRE

1 - O Clube do Pé

       

Há 17 anos reune-se mensalmente, em São Paulo, o Clube do Pé formado por ortopedistas interessados nos problemas clínicos e cirúrgicos do Pé.
Sua fundação ocorreu em 19/07/1977 pela força de vontade de Mânlio Napoli, aproveitando a vinda ao Brasil dos professores Hampar Kelikian (USA) e Antonio Vilador (Espanha), por ocasião do I Congresso Brasileiro da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Pé, que fora realizado na semana anterior na cidade do Rio de Janeiro.
A finalidade da criação do Clube do Pé foi a de num mesmo local de maneira frequente e, principalmente, congregar aqueles especialistas apaixonados pelas patologias do Pé.
Casos clínicos, dúvidas diagnosticas, indicações cirúrgicas, novos procedimentos e avanços da especialidade, além das discussões baseadas nas experiencias pessoais e na leitura conjunta de artigos de revistas nacionais e estrangeiras, são o conteúdo das sessões.

   

Em algumas ocasiões são convidados colegas de outras áreas para realizarem palestras, sempre relacionadas com a patologia do Pé. Não são exigidos dos participantes qualqur vínculo universitário, compromisso social ou estatutário, sendo a informalidade a caracteristica básica das sessões. As reuniões são registradas em livro de ata, desde a inicial, já citada, até a última realizada em 16/11/1994, correspondendo à 290 sessão.
O espírito do grupo permanece o mesmo e a idéia inicial simples e despretenciosa, de então, é ainda a base de uma estrutura sólida, conhecida e respeitada. Os encontros são mensais e realizados na quarta e quinta feira de cada mês, (excessão do mês de dezembro), com início às 21 horas e duração de duas horas. Os colegas mais novos ou que ainda não tenham frequentado o Clube e estejam interessados nos problemas de patologia do Pé, estão convidados a participar das sesões e pasarem a ser considerados membros do Clube do Pé.

Marcio Benevento

 

 

2 - A Técnica de Tueffer - Peres

               

Recebemos correspondência do colega Dr. Lúcio Tadeu Figueredo, Diretor da Clínica Caritas e Chefe do Serviço de Ortopedia da polícia Militar de São Paulo, comenando matéria constante da Resenha Científica de nosso primeiro boletim, a qual transcrevemos na íntegra.
"Referente à técnica de Teuffer-Peres para reparação das roturas do Tendão de Aquiles: Acho oportuno tecer algumas considerações a essa técnica que é extremamente agressiva para tratar uma patologia  onde técnicas convencionais nos fornecem excelentes resultados. Temos hoje no Hospital da Polícia Militar de São Paulo uma grande experiência no tratamento dessa patologia devido ao enorme contingente de soldados que durante a prática de esportes apresentam rotura aguda do tendão; experiência essa apresentada na Jornada dos Ex-estagiários do HC há 3 anos.
A técnica convencional de sutura término-terminal, através de Incisão de 5 cm na pele, sem reforço ou usando como reforço o tendão do Plantar Delgado, que quando presente está sempre íntegro, tem nos fornecido excelentes resultados. Nós usamos sómente reforço (Técnica de Bosworth) nas crônicas. A meu ver, não tem cabimento retirar tendão do Fibular Curto, que é importante na estabilidade lateral do tornozelo, para utilizá-lo como reforço onde o tratamento clássico é muito menos agressivo e fornece   excelentes resultados. O pior é que técnicas novas são frequentemente utilizadas por Ortopedistas de formação recente, que estão sempre me busca de novidades e não tem

 

 

experiência para optar pela técnica mais inócua. Como não participei do curso, espero que essa técnica tenha sido devidamente questionada por tudo aquilo que já mencionei acima. E sempre fica uma pergunta: como será a evolução desses pés sem a estabilidade lateral do tornozelo?
Comentários - A primeira dificuldade que se apresenta quando se fala sobre tratamento da rotura aguda do tendão de Aquilles é exatamente a definição de "Tratamento Clássico". Para alguns, este têrmo se refere ao método incruento, com gesso inguino-podálico em flexão do joelho e equinismo do pé. Para outros, pode ser a sutura térmico-terminal das extremidades do tendão rôto ou a aplicação de uma das várias técnicas já descritas na leitura. Os compêndios estão repeletos de dados favoráveis a cada uma das formas de tratamento com índices comparáveis de sucesso e de complicações.Tantos quantos já realizaram o tratamento desta afecção, já se depararam com diferentes situações em que a sutura das extremidades do tendão é praticamente impossível dado seu grau de desestruturação, sendo imperativa algumamodalidade de reforço. A utilização do tendão do músculo Plantar Delagdo é bastante interessante mas, como demostraram Incavo et al. (1987), este tendão está ausente em 60% dos pacientes portadores de rupturas agudas do Tendão de Aquiles. A agressividade ou inocuidade de uma técnica cirurgica não deve ser mensurada pelo tamanho da incisão cutânea utilizada nem pelas estruturas  que  a  envolve e sim pela quantidade de resultados que produz. A esse respeito o próprio Turco refere ter observado uma reduçao de apenas 20% da  força  eversora  do  pé   de  atletas

 

 

tratados com o método, não tendo sido detetados quadros de instabilidades lateral do tornozelo, já que instabilidades do tornozelo pode ser garantida pela arquitetura articular ou por elementos estáticos (ligamentos e cápsula articular).
Felizmente a técnica foi amplamente discutida durante o curso ( e várias outras apresentações do mesmo assunto pelo eminente Dr. Turco) que defende como pontos positivos da técnica sua facilidade e segurança, o rápido retorno de ambulação com aparelho gessado suro-podálico e a ausência de re-rutura em seu segmento.
Consideramos que a técnica apresentada deve integrar o arsenal do ortopedista, experiente ou não, como uma alternativa a mais, que não invalida as já existentes, podendo ser extremamente valiosa quando se tratar de casos crônicos nos quais necessitem reforço dinâmico. Sua utilização, não bastasse estar escudada no curriculo majestoso de seu defensor, pode ser justificada pela qualidade dos resultados apresentados.
Finalizando gostaríamos de parabenizar e agradecer ao Dr. Lúcio por sua participação e pelas importantes observações sobre o assunto tão controverso. Que sirva como exemplo e estímulo a todos os colegas para participarem de nosso Boletim.

Caio Augusto de Souza Nery

 

 
 

SUGESTÕES DE LEITURA

 Primeiro Artigo

 

Segundo Artigo

 

EWING'S SARCOMA IN THE DISTAL PHALANX OF THE FOOT - publicado em "Foot Diseases" vol. 1a Maio de 1994

Resumo - É apresentado o caso de um homem de 23 anos com uma imagem osteolítica da falange distal do Hallux tratado cirurgicamente por amputação. O exame anatomo-patológico confirmou o diagnóstico de sarcoma de Ewing. Dois anos após o paciente está curado e livre da patologia. Este caso exige uma exaustiva revisão da literatura localizada incomum do sarcoma de Ewing na falange distal do Hallux e a melhor terapia seria a de amputação seguida de quimioterapia sistêmica.

 

 

COMBINED RUPTURE OF THE ANTERIOR TIBIAL ND POSTERIOR TIBIAL TENDONS A NEW CLINICAL ENTITY - publicado em "Foot and Ankle" vol. 15 número 9 - 1994

Resumo - Sào descritos os casos de duas pacientes com rupturas combinadas dos tendões tibiais anterior e posterior.
Ambas as mulheres idosas com uma deformidade progressiva em valgo e dor significativa.
A artrodese foi realizada em ambas pacientes; complicações pós operatórias impediram a melhora clínica. A ruptura combinada de tendões é apresentada como uma nova entidade clínica.

    

CALENDÁRIO

Próximos Cursos, Congressos e Jornadas no Brasil e no Exterior

  

 

Congresso Austríaco - Germânico de Cirurgia do Pé
Temas Principais:
Lesões Tendinosas e Metatarsalgia
De 11 a 18 de Fevereiro de 1995
St. Johann ( Tiroll - Austria)

Dia da Especialidade do Pé
Congresso da American Academy of Orthopedic Surgeons

De 16 a 21 de Fevereiro de 1995
Orlando  (Florida) - USA

II Simpósio Internacional de Ortopedia e Pediátrica da Escola Paulista de Medicina
De 17 a 19 de Março de 1995
Nando de Sanctis (ITA) ; Henry Benhsarel (Fr); Alan Dimeglio ( Fr); Thomas S. Renshaw (USA); Sisto Tura (ITA)
São Paulo - S.P.

I CIOT - Congresso do Instituto de Ortopedia e Traumatologia - HCFMUSP
De 15 a 17 de Junho de 1995
Centro de Conveções Rebouças - São Paulo - S.P.

Curso de Ortopedia Especializada
De 1 a 2 de Setembro de 1995
HC - IOT - F.M.U.S.P
Convidado - Alvin H. Crawsord

VII Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé
De 21 a 23 de Setembro de 1995
Salvador - Bahia

I Congresso Brasileiro de Ortopedia Pediátrica
De 11 a 14 de Outubro de 1995
Foz do Iguaçu - Paraná

XXXII Congresso Argentino YI Congresso Argentino Brasileño de ortopedia Y Traumatologia
De 03 a 08 de Dezembro de 1995
Buenos Aires - Argentina

Comunicado : Foi fundada a Sociedade Latino- Americana de Medicina e Cirurgia da Perna e Pé, sendo designado Presidente o Prof. Dr. Osny Salomão e os Drs. Antonio Egidio de Carvalho Junior e Fernando Fonseca Ferreira Filho, secretário e tesoureiro.
Convidamos todos os membros a pertenecerem a esta nova Sociedade, bastanto para isso enviar a quantia de R$ 15,00, correspondente a 1995, junto com o valor de R$ 80,00 da anuidade da S.B.P.

 

 

 

 

Este é o espaço reservado a qualquer manifestação da S.B.P.
A correspondência deverá ser enviada para sua sede pelo 
Fax  (011)282-2518
A S.B.P. está de portas abertas a todos os ortopedistas interessados
 e que desejam participar de suas atividades

Lembrete:
A anuidade de 95 foi fixada em R$ 80,00 até dia 31/03/95 e a partir daí 
R$ 100,00 (Obs: membros postulantes 50%)

TORNEM-SE MEMBROS!!

retornar aos Boletins